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O que pensam os membros da "Geração
Y"
A "Geração
Y", formada por pessoas nascidas a partir de 1978, está
começando a entrar no mercado de trabalho. Ela compartilha
o mercado com os " baby-boomers" (como é chamada
a geração do pós-guerra, nascida entre 1945
a 1961) e a "Geração X" (1962 a 1977).
Esses termos
são freqüentemente associados aos EUA, mas jovens de
todos os lugares emergem com sua própria voz, fortalecidos
pela afluência e caracterizados por um desejo de mudança.
Sua chegada provocou muito debate, especialmente entre os mais velhos,
na medida em que esta nova classe faz alarde de suas crenças
e necessidades.
Os membros da
"Geração Y" cresceram numa época
de avanços tecnológicos e prosperidade econômica.
Mais preocupados com isso do que qualquer geração
anterior, eles têm a confiança e o otimismo de saber
que são desejados. Seus pais, que não querem repetir
o abandono da geração anterior, enchem seus filhos
de presentes, atenções e atividades que fomentam a
auto-estima.
A "Geração
X" é agora uma força estável em ação.
Rebelde, indignada e realista na esteira das experiências
de demissões de seus pais no momento em que avançam
para a administração, essas antigas crianças
largadas têm uma atitude contra os disparates, chocando, às
vezes, os mais velhos com seu estilo de tomada de decisões
cortante e seco.
Agora é
a "Geração Y" que está na berlinda
- uma fonte de perplexidade, frustração e também
alívio. O lado positivo de trabalhar com membros tardios
da "Geração X" e os da "Geração
Y" é uma conseqüência de sua primeira infância.
Eles estão acostumados a viver em ação e estimulados
por atividades.
Segundo um estudo
de 1999 do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan,
os pais programam 75% do tempo semanal de seus filhos contra 60%
em 1981 (deixando 6 horas por semana de tempo não programado,
contra 9,5 horas, há quase 20 anos). Com isso, a "Geração
Y" cresceu fazendo tarefas múltiplas e sabe aproveitar
cada minuto.
O lado negativo
de uma infância privilegiada, programada, emerge no trabalho.
A "Geração Y" não quer realizar as
tarefas subalternas dos empregos de início de carreira e
sente-se à vontade para expressar seu descontentamento. Ela
está acostumada a conseguir o que quer. Mimada desde muito
nova, a "Geração Y" parece se espantar quando
recebe algum projeto para realizar. A iniciativa não foi
estimulada por pais que apelaram para a permissividade para atravessar
seus dias atarefados. Mais ainda, as expectativas de riqueza e oportunidade
resultantes do boom da economia dos anos 90 lançaram a "Geração
Y" atrás de salários ambiciosos muito cedo.
Seu comportamento
confiante com os mais velhos e sua disposição de reivindicar
oculta sua inexperiência e necessidade de orientação.
Impacientes com o excesso de direção, eles nem sempre
sabem o que fazer com as rédeas quando as tomam. Esses novos
trabalhadores brilhantes demonstram a promessa e as frustrações
da experiência de seus patrões "baby-boomers"
em casa, com seus próprios filhos. Só que no trabalho,
o comportamento atrevido não parece tão gracioso.
Os membros mais
velhos da "Geração Y" estão entrando
no mercado de trabalho justo quando a geração do "baby
boom" está a ponto de se aposentar. Os "boomers
" superam os empregados da "Geração Y"
em até 30%, em número, criando uma escassez de mão-de-obra
que os empregadores terão de enfrentar.
Os trabalhadores
mais velhos terão de lidar não só com a juventude
desses trabalhadores, como terão de lidar com as rivalidades
entre as gerações X e Y: ambas estarão disputando
as posições desocupadas pelos "baby-boomers"
. A "Geração X", os empresários ressentidos,
orientados para as realizações geradas pelas reestruturações
dos anos 90, não gostarão de ser preteridos enquanto
a "Geração Y" ganha rápidas promoções.
Os trabalhadores
mais jovens trazem oportunidades e armadilhas. Apesar da recente
desaceleração da economia, a competição
por talentos continua. As companhias que compreenderem as características,
terão vantagens para atrair e reter esses empregados.
Enquanto as
gerações X e Y buscam o reconhecimento imediato por
sucessos, os "boomers" adotam a noção de
"pagar suas dívidas em dia" . As gerações
X e Y podem parecer ingratas pelas oportunidades mas elas não
conseguem compreender a dedicação de uma empresa a
suas "velharias" (executivos muito bem remunerados que
parecem incapazes de fazer as coisas). Os "boomers" podem
ver as gerações mais novas como folgadas. Eles se
indignam quando lhes pedem horas extras. Para eles, o trabalho tem
hora para terminar.
Uma companhia
deveria saber identificar como se beneficiar das expectativas e
valores de cada geração. Para manter a paz, porém,
os pressupostos sobre a organização e como eles são
compreendidos pelos empregados precisam ser modificados. Tudo -
da visão da empresa a suas práticas de recursos humanos
- precisa ser avaliado.
Declarações
de visão da empresa talvez devam ser mais profundas para
motivar os jovens trabalhadores. As gerações X e Y
querem sentir que estão fazendo diferença nas vidas
das pessoas ou trabalhando para o bem da sociedade. Por exemplo,
a Ford recentemente atualizou sua declaração de visão,
que era: "Ser a maior companhia de consumo do mundo em produtos
e serviços automotivos". Ela acrescentou: "No processo
de realizar essa visão, a companhia vai se concentrar em
seus clientes, fornecer retornos superiores aos acionistas e melhorar
a qualidade de vida das pessoas" .
Isto sinaliza
para trabalhadores mais jovens que, na Ford, eles não estão
apenas fazendo um trabalho, mas também fazendo diferença.
Desenvolver
uma competência em cidadania corporativa implica garantir
que as políticas de fabricação incluam a proteção
ambiental. O recrutamento deveria se centrar em pessoas cujos valores
combinem com os da companhia. Estratégias assim vão
demonstrar aos mais jovens que a organização segue
o que prega.
Os mais jovens
se comunicam diretamente. Eles esperam ser envolvidos nas decisões
que os afetem. Eles buscam acesso direto à liderança.
Algumas empresas reagiram a isso encorajando a correspondência
por e-mail com altos dirigentes, ou programando "chats"
on-line com o CEO. Eles evitam a burocracia e a política
e não gostam de jogos de poder. Mais empenhados em fazer
seu trabalho de forma a poderem enfocar outros aspectos de suas
vidas, os jovens querem clarear metas e adequar recursos para seu
trabalho. Para os mais velhos, escolados em política e troca
de favores, essa atitude pode parecer ingênua.
Em geral, os
membros da "Geração Y" são atraídos
para culturas orientadas para equipes, ao contrário dos da
"Geração X", mais individualistas e orientados
para realizações. Os da "Geração
Y" preferem trabalhar com outros e têm uma forte necessidade
de filiação. Portanto, as organizações
deveriam considerar meios de encorajar o comportamento orientado
para equipes.
Os mais jovens
admiram a honestidade, a integridade e o comportamento ético.
Eles esperam que seus líderes pratiquem o que pregam e não
vêem distinção entre níveis dentro da
organização quando se trata do que é justo.
As companhias que dividem a carga de cortes salariais e demissões
por todos os níveis são vistas como mais justas do
que as que visam os níveis inferiores.
Os administradores
deveriam dar atenção às mensagens que transmitem
quando recrutam: a lisura do sistema de avaliação;
a justeza de salários e outras remunerações;
e o valor colocado no indivíduo na atribuição
de empregos e nos sistemas de treinamento.
O que os mais
jovens querem não é tão diferente do que todo
mundo deseja. Mas eles estão pedindo. Ter várias gerações
trabalhando lado a lado pode provocar tensões e conflitos,
mas pode também conduzir à criatividade e oportunidade.
O primeiro passo para garantir que as diferentes gerações
trabalhem em prol de uma organização é reconhecer
as diferenças. Depois é reavaliar a organização
e a mensagem que ela transmite a todos os seus empregados por sistemas,
políticas e processos. Algumas das mudanças que os
trabalhadores mais jovens buscam serão boas para a organização
como um todo.
(Valor)
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