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Planejamento vira prioridade profissional
O mercado está
mais competitivo e as chances de crescimento vertical são
restritas. Por um lado, essas limitações obrigam o
executivo a estar mais preparado. Mas por outro, permitem que um
plano de carreira seja traçado de acordo com as ambições
profissionais e pessoais, incentivadas pelas próprias empresas.
Leia
mais:
- Planejamento vira prioridade
profissional
- Administrar a própria carreira ganha incentivo
da empresa
- Adotar plano objetivo facilita crescimento
- Ascensão horizontal é opção
atraente
Planejamento vira prioridade profissional
Capacitação
técnica e pessoal, experiência em diversas áreas
e empresas e autoconhecimento. Esses são apenas alguns fatores
que devem estar presentes na difícil tarefa de elaborar um
plano de carreira em um mercado de trabalho competitivo.
Como as chances
de ascensão vertical são restritas, e a rotatividade,
alta, os profissionais procuram fortalecer suas habilidades e acumular
experiência.
"Os executivos preferem trabalhar em empresas que ofereçam
boas condições para o crescimento profissional e capacitação
técnica e pessoal", explica Vânia Lage, gerente
de "executive search" da consultoria KPMG.
Uma pesquisa
realizada pela consultoria com 150 executivos de grandes empresas,
80% delas multinacionais, mostra que 37% desses profissionais dão
mais valor ao plano de carreira com remuneração variável,
e apenas 3% dos entrevistados colocam o salário fixo como
prioridade central.
Outros aspectos,
como benefícios e boas condições de trabalho,
também ficaram atrás da valorização
do plano de carreira. A consultora ressalta, porém, que o
conceito de plano de carreira vem mudando rapidamente nos últimos
anos. Atualmente, o profissional é o principal responsável
por sua elaboração.
"Quando
saí da faculdade, tinha várias opções
para ganhar mais, porém escolhi a empresa e a função
que me ajudariam a crescer na área que havia escolhido",
conta o administrador Ademar Bueno, 32. Depois de se formar em administração
de empresas pela Eaesp-FGV (Escola de Administração
de Empresas de São Paulo, ligada à Fundação
Getúlio Vargas), em 1997, ele foi trabalhar para o grupo
DPaschoal. Seu interesse era ingressar na Fundação
Educar, entidade que é mantida pela empresa.
Como trainee,
Bueno teve a oportunidade de passar por diversas áreas do
grupo, além de ganhar experiência em atividades do
terceiro setor, conforme planejamento que havia feito antes de sair
da faculdade. Hoje o executivo tem a sua própria empresa,
a Neurônio, que é especializada em treinamento com
o objetivo de incentivar a responsabilidade social e o voluntariado
nas companhias.
O executivo
Roberto Thiele, 36, também preferiu optar, algumas vezes
ao longo de sua carreira, por uma remuneração fixa
um pouco menor, em troca de uma posição que estivesse
mais direcionada ao seu planejamento profissional.
Logo no início,
quando terminou a faculdade no Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA), ele diz ter recusado propostas atraentes do ponto de vista
financeiro para trabalhar na área de engenharia. Acabou aceitando
um convite do Citibank.
"Queria
complementar a minha formação atuando nas áreas
de finanças e de marketing, o que não tinha sido possível
durante a faculdade", comenta Thiele.
Depois de três anos, ele conta que deixou a carreira promissora
na área financeira para trabalhar com uma antiga paixão
-os aviões, passando a vender jatos para o grupo Mesbla.
Com a crise
que atingiu o setor a partir de 1992, ele deixou a área de
aviação e entrou para o ramo de telecomunicações,
onde trabalha até hoje. Thiele passou por algumas empresas
do segmento, tendo no currículo a posição de
diretor de marketing da BCP. Atualmente é o principal executivo
de uma empresa norte-americana, a Genuity, que prepara sua chegada
ao Brasil.
"Estou
próximo daquilo que tracei para a minha carreira: trabalhar
em empresa de alta tecnologia, ter uma boa remuneração,
dispor de tempo livre para a família, para o lazer e para
o trabalho voluntário e morar no Rio de Janeiro, perto da
natureza." Por enquanto, completa Thiele, dessa lista só
falta conseguir o tempo livre para a família.
(Folha de
S. Paulo - 19/08/02
Administrar a própria carreira ganha
incentivo da empresa
Para concorrer
a uma vaga ou a um cargo melhor, o primeiro passo é procurar
saber o que a empresa exige para ocupar essa posição.
Nesse aspecto, as melhores oportunidades estão em companhias
que mostram ao funcionário de forma transparente o que querem
do candidato ao posto.
"Temos
um quadro no departamento de recursos humanos, acessível
aos funcionários, que mostra qual a formação,
o perfil e os resultados exigidos para cada cargo da empresa",
diz Domingos Valotta Filho, "controller" da Plastron Sensormatic.
Criada a partir
de uma joint venture da norte-americana Sensormatic com a nacional
Plastron, a empresa, que atua no segmento de vigilância eletrônica
de mercadorias, tem como política abrir oportunidades para
que os funcionários possam crescer dentro de sua estrutura.
"Oferecemos
oportunidades de capacitação para nossos melhores
talentos, custeando metade dos gastos de formação
acadêmica, além de dar oportunidades para a ascensão
profissional do pessoal da casa", afirma Valotta.
Com isso, informa
o "controller", o nível de retenção
de profissionais para os cargos de gerência e diretoria tem
alcançado praticamente 100% nos últimos anos.
A indústria
farmacêutica Boehringer Ingelheim é outro exemplo de
empresa que está preocupada com a retenção
de seus talentos. A empresa lançou no início deste
ano um programa denominado "Carreira BI: ninguém é
capaz de administrá-la melhor do que você". O
programa é um exemplo da tendência que as empresas
estão adotando para incentivar os funcionários a desenvolver
as suas próprias carreiras.
"O objetivo
é criar um sistema transparente de seleção
de nossos empregados, que podem se candidatar para novas vagas",
explica Guilherme Cavalieri, diretor de recursos humanos da indústria.
Com a abertura
de uma vaga, a empresa abre a possibilidade para que os funcionários
se candidatem e passem por um processo de recrutamento e seleção
com critérios previamente divulgados.
"Acredito
que a empresa tenha um sistema que realmente reconhece o trabalho
de todos os funcionários e, no futuro, pretendo me candidatar
a uma oportunidade no exterior", diz Luís Fernando Miranda,
33, gerente de produtos sênior da Boehringer.
(Folha de
S. Paulo - 19/08/02
Adotar plano objetivo facilita crescimento
Aonde quero
chegar daqui a cinco ou dez anos? Como a responsabilidade pelo planejamento
da carreira está nas mãos dos profissionais, e não
mais sob tutela das empresas, a recomendação dos consultores
é que cada um faça um plano claro que tenha a ver
com suas aspirações de vida.
Para isso, é
necessário uma boa dose de autoconhecimento. "Em primeiro
lugar, cada um deve fazer uma análise profunda de seus desejos
e de suas ambições na vida pessoal", explica
Sofia Esteves do Amaral, sócia-diretora da consultoria DM
Recursos Humanos.
A valorização
do crescimento vertical a todo custo, sem importar a satisfação
pessoal e profissional, é uma tendência que vai perdendo
força entre os executivos.
"Nem todos
querem atingir o nível mais alto. Há profissionais,
por exemplo, que preferem um crescimento horizontal, numa posição
mais intelectualizada, e isso não significa falta de ambição",
afirma José Antônio Rosa, consultor da Manager.
O importante,
para os mais ambiciosos, é traçar metas para cada
uma das etapas da corrida por um cargo melhor. "Para um recém-formado
que pretende chegar ao nível de gerência, um prazo
médio para alcançar a meta traçada é
de cinco anos", estima Mozart Langbeck, gerente sênior
da Deloitte Touche Tohmatsu.
Mirar o posto
desejado e verificar quais habilidades técnicas e pessoais
são exigidas para tal função é o caminho
aconselhado pelos especialistas. Nessa fase, a capacitação
acadêmica e a preocupação com a técnica
assumem papel fundamental.
Depois de alcançar
o cargo de gerente, a ascensão vertical fica um pouco mais
difícil e, então, muitos executivos passam a buscar
o chamado crescimento horizontal. "Nesse momento é importante
circular por diversas áreas que ajudem a acumular experiência",
explica Langbeck.
Um tempo recomendável
para o executivo permanecer no nível de gerência é
de aproximadamente cinco anos. Após esse período,
os mais ambiciosos devem começar a pensar em cargos de diretoria
e presidência. Mudar de companhia faz parte dessa fase.
Como algumas
empresas estão colocando executivos jovens em cargos do topo
da hierarquia, é razoável traçar um plano de
chegar ao nível de diretoria após dez ou 15 anos da
entrada na empresa.
A ascensão
muito rápida pode trazer algumas dificuldades. "Cheguei
aonde tinha planejado, mas agora estou pensando em mudar",
diz Charles Kirschbaum, 29, administrador de empresas.
Formado em administração
pela Eaesp-FGV, ele conseguiu crescer ao trabalhar em uma consultoria
empresarial norte-americana, a Bain, primeiramente no escritório
de São Paulo. Na consultoria, teve a oportunidade de cursar
um MBA na Wharton School, nos Estados Unidos.
Depois do MBA
foi trabalhar na unidade da Bain de Los Angeles e, em seguida, surgiu
um convite para trabalhar em um "private equity" (fundos
formados para comprar empresas ou participações em
um determinado país ou região), da Advent, com a oportunidade
de voltar para o Brasil.
"O tão
sonhado emprego na Advent foi se tornando uma experiência
decepcionante devido às dificuldades do mercado e ao ambiente
estressante próprio da função", afirma
Kirschbaum.
Ele saiu da
empresa há um mês. "Não sei ainda a direção
que vou tomar, mas uma possibilidade que me agrada é ingressar
na carreira acadêmica."
(Folha de
S. Paulo - 19/08/02)
Ascensão horizontal é opção
atraente
"Por que
seguir uma carreira traçada pelo seu superior ou pela sua
empresa, se você mesmo pode definir que rumo tomar?",
indaga Gerson Correia, consultor da DBM, sobre a necessidade de
o profissional assumir a responsabilidade pelo seu crescimento.
Antigamente,
as empresas ofereciam um plano de carreira para seus empregados,
e o modelo de funcionário de sucesso estava intimamente ligado
à ascensão vertical de cargos e salários.
Agora, porém,
a alta rotatividade no mercado de trabalho e o crescimento da competitividade
entre os profissionais obrigam os executivos a traçar planos
que independam da companhia para a qual prestam serviços.
"Sempre
digo para os meus clientes que, se quiserem estabilidade, é
melhor ingressar em uma carreira do serviço público",
comenta o consultor da DBM.
Ele acredita
que os profissionais ainda sintam "saudades" do modelo
antigo, em que o funcionário construía toda uma carreira
na mesma empresa, mas ressalta que a nova tendência também
reúne aspectos positivos.
"Hoje em
dia há mais mobilidade e possibilidades, e as pessoas podem
traçar seus próprios caminhos", afirma Correia.
Segundo um levantamento
feito pela Deloitte Touche Tohmatsu, realizada no início
do ano com 81 empresas, quase 40% não ofereciam um plano
de carreira formal para os seus funcionários.
Por outro lado,
as companhias estão preocupadas com a retenção
dos melhores talentos. Para eles são oferecidas oportunidades
de capacitação e de cargos que tragam uma experiência
interessante para suas carreiras.
"Muitas
vezes o profissional não sobe de cargo na hierarquia, mas
tem chances de crescer horizontalmente para outra área que
permita maior responsabilidade e com a qual ele tenha mais afinidade",
explica Mozart Langbeck, gerente sênior da Deloitte.
No crescimento
horizontal, segundo os consultores de RH, o superior tem condições
de analisar e perceber o melhor momento para promover o funcionário
que tem se destacado na companhia.
(Folha de
S. Paulo - 19/08/02)
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