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Jargões ensinam a ser craque corporativo
Especialistas
em RH e em marketing esportivo dão dicas para que executivos
direcionem carreira.
Leia
mais:
- Jargões ensinam a ser craque corporativo
- Plano de carreira ajuda a "chegar lá"
- Desafio é encontrar "coach" interno
- Período no exterior testa capacidade adaptativa
- Avaliação sinaliza aceitação
"no time"
- Liderança leva à superação
de metas
- Projeto fora do trabalho vale pontos
- Marketing faz carreira andar
- Medalha é ter passe disputado
- Chefe dita saída do banco de reservas
- Modéstia deve ser descartada nessa hora
- Ônibus fretado é caminho para "networking"
- Evitar estresse é vantagem do serviço
Jargões ensinam a ser craque corporativo
Atletas buscam superação e vitória.
Executivos também. Os primeiros usam a sabedoria, a serenidade
e a persistência para chegar lá. Se, unido a isso,
o executivo conhecer seus pontos fortes e fracos e compreender as
relações humanas, pode tornar-se um craque corporativo.
"As pessoas
precisam entender que são capazes e fazem a diferença.
Sozinhos, porém, não fazemos nada", diz Marcos
Baumgartner, consultor da área de administração
e negócios do Senac-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem
Comercial).
O paralelo com
o mundo esportivo não é à toa. Ele pode dar
pistas que auxiliam o executivo a direcionar a sua carreira. Entre
as diversas características para valorizar o passe no mercado
e conseguir "empolgar a torcida", o profissional deve,
antes de entrar em campo, focar suas ações nos resultados
e ter um bom esquema tático. Para se diferenciar no jogo,
é imprescindível correr riscos.
"Os resultados
significativos só são atingidos quando se aposta alto
e se tem conhecimento das capacidades e competências pessoais.
Muitos atletas não vão para uma Olimpíada por
não se acharem capazes", diz Baumgartner.
Para Silvina
Ramal, professora de planejamento de negócios da PUC-RJ (Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro), o futebol é
um reflexo da sociedade corporativa: todos querem ter um super-homem,
aquele que ultrapassa as metas. Mas, hoje, as organizações
tem de ser muito ágeis, e isso só é possível
com o trabalho em equipe.
Wanderley Vieira,
37, diretor comercial de novos negócios da ITXL, empresa
de tecnologia, percebeu a diferença que um time bem montado
faz à carreira. Ele, que trocou de emprego há quatro
meses, diz que hoje se sente mais valorizado. "Na antiga empresa,
não tinha o suporte necessário para atingir resultados
melhores."
Confira, a seguir,
dez conceitos do mundo esportivo que podem ser úteis na vida
corporativa.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
DEFINA UM ESQUEMA TÁTICO
Plano de carreira
ajuda a "chegar lá"
Um plano de
desenvolvimento de performance foi a ferramenta utilizada pelo engenheiro
Renato César Pereira, 29, coordenador de desenvolvimento
logístico da Unilever, para mudar de cargo.
Auxiliado pela
área de RH (recursos humanos) e por sua gerência direta,
Pereira conseguiu sinalizar seu interesse por uma outra posição
dentro da mesma área em que trabalhava. "Meu cargo hoje
tem status maior, salário mais alto e me conferiu uma posição
estratégica, mais próxima aos cargos decisórios",
afirma ele.
Para se tornar
mais atraente ao cargo pretendido, o engenheiro investiu em um MBA,
buscou mais conhecimento organizacional da empresa e passou a encarar
demandas como oportunidades.
O planejamento
tático definido por ele foi arquitetado um ano antes da mudança
e apresentado aos superiores. "A oportunidade aconteceu porque
consegui ser atrativo para o novo cargo. Treinei bastante, e o técnico
sabia que eu estava à disposição", diz.
"Cada funcionário
desenvolve um papel específico no grupo. Eu soube identificar
qual era o meu, corrigi minhas deficiências e preparei uma
trajetória muito clara para alcançar o que queria."
Disciplina
Para os consultores entrevis- tados pela Folha, definir um esquema
tático, assim como fez Pereira, é fundamental para
que o resultado desejado possa ser alcançado em menos tempo.
"Criar
uma estratégia significa ter disciplina e foco, o que evita
ações pulverizadas e valoriza a disposição
do funcionário", afirma Marcos Baumgartner, consultor
do Senac-SP.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
LOCALIZE O PATROCINADOR
Desafio é
encontrar "coach" interno
Reconhecer as
estruturas formais e informais de poder é fundamental para
saber o que aproveitar de cada situação. Essa é
a opinião de Helena Coelho, consultora da Career Center,
para valorizar o próprio trabalho. "De que adianta empolgar
só a torcida? O executivo tem de conviver com a equipe e
observar quem é quem", recomenda.
A IBM incentiva
o papel do mentor, uma espécie de treinador responsável
por orientar, participar de avaliações periódicas
e dar o retorno da performance ao executivo. Para os funcionários
de nível gerencial, o programa de mentorização
já é uma atividade formal e acontece mensalmente.
Para os demais empregados, a adesão é facultativa.
Já na
Avaya Telefonia, há um processo obrigatório de "coaching"
entre todo funcionário e seu superior imediato. O objetivo
é facilitar a aprendizagem e garantir que o empregado alcance
as metas estabelecidas. "Eu acredito que essa seja a única
maneira de estabelecer confiança entre subordinado e chefe",
diz Aurélio di Pietro, diretor de RH da empresa.
Na ACS, empresa
de telemarketing, o "coach" leva o nome de "padrinho"
e tem como missão unir supervisores e diretores, separados
por dois níveis hierárquicos. "O contato acelera
o amadurecimento profissional e se torna um fator de retenção
do funcionário", diz Olivar Rodrigues, especialista
em Talentos Humanos.
"Muita
gente não sabe localizar quem tem o poder de decisão
na empresa e acaba se associando a pessoas erradas. É preciso
identificar aquelas que podem dar suporte à sua carreira,
que nem sempre estão em cargos de chefia", alerta Marcos
Baumgartner.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
ADQUIRA EXPERIÊNCIA EM TIMES INTERNACIONAIS
Período
no exterior testa capacidade adaptativa
Irrecusável.
É assim que Elaine Saad, diretora da consultoria Right Saad
Felipelli, define a chance de trabalhar em uma empresa de grande
porte fora do país. Para ela, uma experiência internacional
agrega três valores à carreira: idioma enriquecido,
conhecimento de novas tecnologias e aprendizado cultural.
"Mas o
fundamental é que essa vivência valoriza a carreira
de um executivo porque testa sua capacidade adaptativa, o que é
visto com muito bons olhos pela empresa", recomenda ela.
Danielle Sarrafi,
diretora de recrutamento da Mariaca & Associates, concorda:
"Não se pode hesitar diante de uma oportunidade desse
tipo".
A corretora
de seguros Aon Brasil tem um programa específico para o envio
de executivos para o exterior, que seleciona cerca de três
funcionários por ano para passar seis meses em um dos 153
escritórios da holding no mundo.
"É
uma forma de motivar um talento que temos na empresa e fazer com
que ele tenha uma visão global do negócio", diz
Nancy Bastos, diretora de RH.
Pedro Lima,
24, é, além de executivo de contas da Aon Brasil,
atleta da Confederação Brasileira de Hipismo. Nos
seis meses em que morou na Europa, em Londres e em Paris, aproveitou
para participar das competições oficiais européias
e conhecer a cultura de trabalho e as ferramentas do mercado de
seguros.
"Com isso,
meu passe na empresa foi muito valorizado e já assumi mais
tarefas. Hoje, largo na frente de 70% do mercado nacional",
diz ele, que voltou ao Brasil há duas semanas. "Acho
que todo executivo deve passar por essa experiência. À
distância, você entende melhor o Brasil e acabam surgindo
idéias inovadoras."
"O trabalho
internacional é fundamental não apenas para reconhecer
as formas corporativas de atuar que, com a globalização,
tornaram-se muito parecidas, mas para adquirir soluções
locais que podem ser aplicadas no retorno à empresa",
diz Helena Coelho, consultora da Career Center.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
TESTE SEU PRESTÍGIO COM A TORCIDA
Avaliação
sinaliza aceitação "no time"
Uma promoção
é um bom momento para verificar se o valor do seu passe está
em alta. Maurício Cônsulo, 34, acaba de conquistar
a posição de gerente de tecnologia para a América
Latina da IBM.
Ele credita
o reconhecimento de seu trabalho às avaliações
periódicas feitas pela empresa. Além de ter um bom
plano de carreira, Cônsulo soube sinalizar seus interesses
e cresceu rapidamente nos últimos três anos. Nas duas
últimas avaliações, foi considerado funcionário
de "alta performance". "O retorno dado pela IBM por
meio das avaliações me faz sentir valorizado, mostra
que estou no caminho certo", diz ele.
Segundo os consultores,
a empresa tem de criar uma cultura de valorização
das potências e competências de seus funcionários
e construir mecanismos para medi-las. "Não só
o erro tem de ser visto como inerente ao risco que se corre como
o mundo corporativo precisa reconhecer os pontos fortes individuais
e do time para saber onde estão e quais são as habilidades
da equipe", diz o consultor Marcos Baumgartner.
A avaliação
de competências e de capacidades da IBM procura mensurar potencial,
atitude, performance e conhecimento. A partir dela, o funcionário
parte para uma auto-avaliação, da qual acabam saindo
as novas táticas do jogo. Daí, então, há
um plano de desenvolvimento do empregado, em que o executivo traça
metas, aspirações dentro da empresa e planeja ações
para seu desenvolvimento profissional.
"Construímos,
no ano passado, um plano para que ele assumisse o atual cargo. É
um exemplo de excelente preparação que encontra a
oportunidade desejada", diz Renato Morsh, gerente de vendas
técnicas de software da IBM e ex-chefe de Cônsulo.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
DOE SEU TALENTO AO TIME
Liderança
leva à superação de metas
"Me sinto
uma liga que conecta as pessoas de forma a aproveitar as melhores
habilidades de cada uma", diz Leandro Barankiewicz, 25, executivo
de vendas sênior da OptiGlobe, do grupo Votorantim.
Em busca da
conquista de um grande cliente, ele lançou mão da
sua capacidade de liderança e integrou as áreas da
empresa para superar a meta estabelecida. "Apesar de ser o
mais novo funcionário da empresa em cargo gerencial, liderei,
há três semanas, a conquista do maior contrato que
a empresa já teve", conta.
Com isso, acabou
valorizando o passe no mercado. "Quando você supera a
meta, a concorrência vem à sua caça", diz
ele, que, além de propostas de outras empresas, recebeu um
bônus equivalente ao seu salário anual e tornou sua
área a mais importante da firma.
Transferindo
"know-how"
Na definição dos especialistas, trabalhar em equipe
é saber ter sempre um reserva preparado para o posto de titular.
"A promoção chega mais rápido para quem
sabe gerenciar a equipe e prepa- ra seus subordinados para serem
seus substitutos", afirma Laís Passarelli, "headhunter"
e sócia-diretora da Passarelli Talentos.
Silvina Ramal,
da PUC-RJ, concorda. "O empregado não pode ter medo
de ensinar aos outros aquilo que sabe. Todo grande executivo de
sucesso que conheço está disponível para transferir
conhecimento", afirma ela.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
TREINE FORA DE CAMPO
Projeto fora
do trabalho vale pontos
Não perca
oportunidades. Essa é a dica de Danielle Sarrafi, diretora
de recrutamento da Mariaca & Associates, quando o assunto é
dedicar-se a projetos paralelos dentro ou fora da empresa.
"Dependendo
do caráter do projeto, ele valoriza seu trabalho dentro da
empresa e ajuda a mostrar que você é um funcionário
multidisciplinar", diz. "Mas dê preferência
a atividades que estejam de acordo com os seus interesses e que
tenham alcance global e resultados mensuráveis."
Muitas vezes,
a valorização que o profissional agrega acaba compensando,
inclusive, a não-remuneração e o tempo a mais
de dedicação à empresa.
Para Helena
Coelho, consultora da Career Center, assumir projetos paralelos
ao trabalho na empresa ou se dedicar a atividades fora de campo
mostram uma diversificação de interesses.
Isso pode ser
um ponto a mais para aqueles que mostram que têm uma vida
além do trabalho. "Aquele executivo que não faz
de suas tarefas corporativas seu único pilar é cada
vez mais valorizado. Ele deve saber enriquecer uma conversa com
o cliente usando exemplos do seu dia-a-dia ou lançar mão
de experiências de vida ao tratar com o grupo de trabalho",
afirma a consultora.
O trabalho social
pode ser um bom ponto de partida para aqueles que querem diversificar
o foco de atuação, adquirir novas habilidades e exercer
um trabalho diferente. A valorização do passe não
vem necessariamente da imagem de "bom moço" difundida
por quem pratica ações sociais.
"O confronto
com uma nova realidade oxigena e faz com que a pessoa busque soluções
para os problemas na empresa", diz Silvina Ramal, professora
de planejamento de negócios da PUC-RJ.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
VALORIZE SUA IMAGEM
Marketing
faz carreira andar
Consultores
em marketing esportivo ouvidos pela Folha dizem que a construção
da imagem do atleta é tão importante quanto o desenvolvimento
em campo.
"Mas não
adianta fazer estardalhaço se o atleta for ruim. O que vale
a pena é valorizar os pontos positivos que o jogador apresenta
em campo", diz Marcelo Giannoni, sócio do Vis Sport
& Entertainment, empresa que administra a carreira de atletas.
"Os atletas
ocupam posições de destaque na sociedade, e o esporte
é sempre visto como exemplo" revela Renato Chvindelman,
administrador da Arena Sports.
Para Silvina
Ramal, a analogia serve para o universo corporativo. O que se espera
do funcionário é que ele valorize características
como ética, seriedade e boa conduta na vida profissional
e pessoal.
"A falta
desses elementos pode destruir a carreira de um atleta e de um profissional.
O Brasil tem "praças" de negócio muito pequenas.
Se você cumpre o que diz, consegue construir um patrimônio
inesgotável", diz ela.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
PERSIGA RESULTADOS
Medalha é
ter passe disputado
Medalha, medalha,
medalha. No universo corporativo, competir apenas não basta.
"Os resultados falam por si só. O "passe"
do funcionário vale pelos resultados que ele obtém
ao longo da carreira. Ter medalhas para mostrar significa ter sempre
alguém interessado em você", diz Simon Franco,
presidente da Simon Franco Recursos Humanos/TPM Hudson Highland
Group.
Aparecida Felipe
Sardi, analista de negócios da Unimed, administra, há
dois anos, a central de compras das 386 cooperativas em todo o país.
Focada em redução de custos, criou uma ferramenta:
o leilão reverso, em que cada cooperativa destaca o valor
máximo que deseja pagar por um produto.
As compras conjuntas,
na experiência-piloto em Santa Catarina, provocaram uma redução
de até 25% no valor gasto. "Foi um grande desafio mudar
toda a cultura de compras da empresa. Sou movida a resultados."
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
BUSQUE O TREINADOR IDEAL
Chefe dita
saída do banco de reservas
Mesmo preparado
para assumir mais responsabilidades, o funcionário pode permanecer
no banco de reservas se não tiver um treinador que acredite
em suas competências. Wanderley Vieira apostou alto ao trocar
um cargo de executivo de negócios pelo de diretor comercial
de novos negócios da ITXL, então recém-aberta.
"Estou iniciando um projeto que para mim é um desafio.
Passei a ter mais oportunidades de trabalho, recebi sete propostas
em quatro meses, e minha motivação cresceu 200%."
Além
do aumento de salário e realinhamento de cargo, Vieira tem
mais autonomia para conduzir pontos estratégicos da empresa
e reporta os resultados diretamente ao diretor. "Antes, eu
tinha de passar por quatro níveis hierárquicos para
ter uma resposta. Hoje, a comunicação direta e clara
com o diretor-executivo faz com que eu participe das decisões."
Para Laís
Passarelli, a hora de mudar de técnico depende de quanto
o profissional acha que ele está acrescentando à sua
carreira. "Se ele está mais ensinando do que aprendendo,
é hora de mudar de treinador", alerta.
Quando chefe
e subordinado têm visões muito distintas sobre o negócio,
atrapalhando o desempenho profissional, é o momento de dar
um cartão amarelo ao trabalho. "Eu não compactuava
com as mudanças e, principalmente, com a velocidade em que
elas eram administradas. Era hora de mudar", completa Vieira.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
COLHA OS LOUROS DA VITÓRIA
Modéstia
deve ser descartada nessa hora
Para o "headhunter"
Simon Franco, ter bons resultados e não saber mostrá-los
é não querer ser valorizado. "Dependendo do ramo
de atividade, organize encontros e exposições ou apresente
os ganhos internamente para a equipe. É preciso lembrar que
a divulgação deve ser feita de forma imodesta, mas
natural", alerta.
Laís
Passarelli concorda com Franco e acrescenta que utilizar a rede
de contatos para divulgar os resultados de um bom trabalho é
saber valorizar o passe no mercado. "Para atingir o objetivo,
vale também participar de cursos específicos na área
e publicar artigos", recomenda.
Foi o que soube
fazer André Naves, 30, gerente jurídico para a América
Latina da consultoria SAS Institute Brasil. Ele conseguiu fazer
com que o ciclo de vendas se tornasse mais rápido, localizando
o possível problema e se antecipando a ele. O resultado ele
transforma em artigos e discute em grupos de estudo internacionais.
"Com isso,
acabei fortalecendo minha credibilidade e transformando o departamento
jurídico em uma peça-chave na empresa", conta.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
SUA CARREIRA
Ônibus
fretado é caminho para "networking"
Se para você
só é possível fazer "networking"
trocando cartões de visita em ambientes profissionais, em
encontros formais ou em redes virtuais como o Orkut, é melhor
rever seus conceitos.
Quem usa o transporte
fretado para ir e voltar do trabalho é prova de que, mesmo
dentro de um ônibus, é possível conhecer gente
interessante, conquistar amigos e até conseguir oportunidades
para entrevistas de emprego.
"Sempre
trago currículos e indico conhecidos do ônibus para
as vagas abertas na empresa", conta Gladys Bonfim, 27, que
trabalha numa consultoria de RH e é passageira de fretado
há dois anos.
Invariavelmente,
os profissionais que optaram por trocar o transporte público
ou o carro pelo fretamento destacam a facilidade de acrescentar
nomes à agenda por meio dos relacionamentos construídos
durante as viagens.
"É
um ambiente de amigos. Fazemos festas e nos reunimos nos fins de
semana", diz Ednilson Nunes, 32, que trabalha num cartório
e coordena uma linha que vai da zona sul à região
da Paulista.
Segundo ele
diz, é comum a troca de serviços entre os passageiros.
"Já me pediram autenticação de documento
na ida e eu entreguei o serviço pronto na volta."
Além
de prestar serviços aos colegas, Nunes também ajudou
uma amiga do fretado a conseguir trabalho. "Ela deixou de usar
o ônibus porque tinha sido demitida. Levei o currículo
dela para uma agência de empregos e minha indicação
a ajudou a conseguir um novo trabalho."
De acordo com
o Transfretur, sindicato de empresas de fretamento e turismo, cerca
de 560 mil pessoas são transportadas por dia nesse tipo de
condução na região metropolitana de São
Paulo.
"É
uma alternativa que precisa ser levada em conta porque pode diminuir
o número de carros nas ruas e, conseqüentemente, o trânsito
na cidade", opina o diretor-executivo do sindicato, Jorge Miguel
dos Santos.
Usar transporte
fretado também significa economia. Um mês com gastos
de gasolina e estacionamento do Grajaú (zona sul) até
as imediações da avenida Paulista, por exemplo, sai
por cerca de R$ 350; os passageiros do fretado pagam, cada um, R$
130.
A adaptação
a esse ambiente é tão expressiva que alguns fazem
o caminho inverso da comodidade ressaltada pela maioria. "Já
recusei trabalho porque a empresa estava em um local onde não
existiam linhas fretadas. Não me vejo utilizando transporte
público novamente", diz Valéria Mendes Sgarioni,
32, contadora.
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
Evitar estresse é vantagem do serviço
Há sempre
uma chance de encontrar nos ônibus passageiros que optaram
pelo fretado por estarem insatisfeitos e estressados com o trânsito
caótico da cidade.
"O atraso
me causava um estresse que se arrastava durante todo o dia",
explica a contadora Marli Gonçalves de Abreu, 34, que mora
na zona leste e trabalha no Itaim Bibi (zona oeste).
Desde que trocou
a integração ônibus-metrô pelo fretado,
ela acha que seu rendimento no trabalho melhorou visivelmente. "Minhas
atividades rendem mais, economizo dinheiro e meu temperamento melhorou",
diz ela.
O advogado Carlos
Roberto Buriti, 38, enfrentava os mesmos problemas, apesar de dirigir
seu próprio carro. "Eu vivia estressado e nunca chegava
no horário nem no trabalho nem em casa." Agora, ele
celebra as duas horas que ganhou para estudar no ônibus. "Vou
prestar concurso e esse tempo é precioso para mim."
(Folha de
São Paulo – 18/07/04)
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