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Empresas usam novas armas nos processos de
seleção
As práticas
de recrutamento e seleção adotadas pelas empresas
no mundo inteiro envolvem aspectos culturais e econômicos
de cada região. Por isso, não por acaso surgem algumas
surpresas na adoção de novas armas para atrair, desenvolver
e reter novos talentos, como estamos observando agora no Brasil.
Na realidade brasileira, o valor de uma recolocação
ou de uma ascensão profissional acaba sendo muito grande,
pela própria situação econômica que vivemos.
Tal tendência indica, por exemplo, que os recrutadores estão
hoje cada vez mais exigentes.
É claro
que a cultura empresarial e o porte da empresa também são
relevantes no processo seletivo. A condução de um
processo requer uma visão generalista e estratégica.
Evidentemente é preciso saber com clareza qual a necessidade
da empresa que busca o profissional. Este, a rigor, será
inserido em um ambiente empresarial e, além das competências
técnicas, necessitará de um perfil comportamental
específico para ocupar o cargo.
As práticas
exercidas hoje pelos profissionais de RH são variadas, influenciadas
pelas culturas empresariais. O histórico da pesquisa nacional
de R H, desenvolvida há 8 anos pela Deloitte Touche Tohmatsu
junto à média de 130 empresas participantes dos mais
diversos portes e segmentos, permite uma noção do
crescimento das práticas desenvolvidas desde 1994 até
os dias atuais. Uma das novidades é o aumento expressivo
na utilização de testes psicológicos, dinâmicas
de grupo e grafologia.
Os dados demonstram
que o uso da grafologia na seleção de profissionais
dos níveis operacionais, técnicos/ administrativos
e executivos cresceu muito nos últimos 2 anos, ou seja nada
menos que 57% de aumento em relação ao último
ano. A utilização de testes psicológicos também
teve um aumento de 23% em relação a 2000. As entrevistas
ainda são as práticas apresentadas com mais freqüência,
demonstrando a importância do contato pessoal.
O crescimento
da utilização da grafologia e dos testes psicológicos
demonstra uma realidade preocupada com o perfil comportamental do
profissional, tão importante quanto a parte técnica.
Verifica-se que, atualmente, este crescimento é justificado
pelas próprias experiências das empresas, que muitas
vezes conclui uma admissão com ênfase somente no perfil
técnico e acaba encontrando problemas, o que resulta nas
demissões por comportamento ou por não adaptação
à cultura. Essas ferramentas auxiliam na confirmação
de dados obtidos durante a entrevista, indicando aspectos da situação
atual do candidato. Deve-se sempre lembrar que trata-se de um ser
humano em constante processo de mudança, indicando assim
que as informações obtidas nos testes fornecem dados
da situação atual e não irão premeditar
o futuro. Mesmo porque as condições ambientais influenciam
diretamente o indivíduo.
Entre os profissionais
de RH, as opiniões sobre a utilização de determinadas
ferramentas são diferenciadas. Independentemente de qual
ferramenta se utiliza, o essencial é manter o ciclo de satisfação
de ambas as partes, procurando incluir um profissional qualificado
de acordo com as necessidades da empresa. O profissional feliz com
a sua ocupação apresenta uma tendência maior
para atuar com assertividade e eficácia, e, consequentemente,
agregará mais valor para a empresa.
Cleide Nakashima
é consultora da Deloitte Touche Tohmatsu
(Valor)
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