Emprego é apenas uma conseqüência do networking

Boa parte das contratações hoje em dia tem sido feitas por meio de indicações. Isso é o que tem revelado inúmeras pesquisas sobre o peso do networking na recolocação de profissionais no mercado. Porém, para especialistas em recursos humanos como a diretora da Right Saad Fellipelli, Elaine Saad e o consultor da Pedro Morbach Treinamentos, Pedro Morbach, quando uma rede de contatos é bem feita, o emprego passa a ser apenas uma conseqüência do networking e não o seu objetivo principal. "Quando você mantém uma boa rede de relacionamentos, automaticamente fica exposto na vitrine e o emprego surge sem nenhuma dificuldade", acredita Morbach.

Mas Elaine, que define o networking como o patrimônio mais valioso que uma pessoa pode ter, tanto em aspectos profissionais quanto pessoais, diz que o grande problema é que a maioria das pessoas só aciona a sua rede de contatos quando está procurando emprego ou tem alguma necessidade. "Isso é extremamente ruim porque você começa a ser vista como uma pessoa oportunista, o que pode denegrir a sua imagem perante o mercado. Por isso é que costumamos dizer que há dois tipos de contato: o de geração e o de manutenção". O de geração, que é o mais freqüente, só é feito quando a pessoa tem algum interesse e para isso trabalha efetivamente visando resultados a curto prazo. Já o de manutenção, é aquele que depende de um esforço contínuo. "O mais difícil não é fazer contatos, mas mantê-los", complementa Morbach.

Elaine diz ainda que as pessoas devem abordar o seu contato com o objetivo de trocar informações sobre o a área de interesse e não para conseguir emprego. Para ela, é preciso entender que o networking não pode gerar constrangimento e co-responsabilidade na pessoa contatada. "Muitos profissionais mencionam a questão do emprego logo a principio, o que faz com que a pessoa do outro lado se sinta cobrada e responsável por ter que oferecer ou encontrar uma oportunidade", afirma.

Outro aspecto que não pode ser esquecido é que o tipo de contato depende do grau de intimidade que o profissional mantém com a pessoa contatada. "Você não pode abordar uma pessoa com quem trocou cartões ou então conheceu em uma reunião da mesma forma como um amigo da sua rede de contatos pessoais", afirma Elaine. Daí vem a necessidade de dividir a sua rede em graus de intimidade e em segmentos, como contatos profissionais, pessoais e oportunos (quando você conhece alguém em um encontro de negócios, por exemplo).

Além de todos esses fatores, Morbach acredita que outras ações também são fundamentais para obter uma boa rede de relacionamentos. Entre elas estão: fazer uma lista com todas as pessoas que conhece; agrupar o nome das pessoas que tenham relação direta com a sua atividade profissional; localizar essas pessoas e saber as empresas que trabalham e os cargos que exercem; manter contato com a rede principalmente quando está empregado e alimenta-la participando de eventos, cursos, feiras e reuniões entre ex-colegas de estudo e trabalho; usar todos os ambientes como fonte de relacionamento; visitar sindicatos da sua área e associações de classe e se possível atender a todos os pedidos de ajuda de amigos ou conhecidos.

(Marina Rosenfeld - 23/12/02)