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Cursos
mudam perfil do profissional da aviação civil
O perfil dos
profissionais que atuam no segmento da aviação executiva
está mudando. Tendo em seus quadros de pessoal, até
há poucos anos, basicamente pilotos com formação
técnica, esse setor passou a registrar a participação
cada vez maior de profissionais de nível superior, muitos
deles graduados em cursos de Ciências Aeronáuticas
oferecidos por 11 universidades brasileiras.
Segundo dados
divulgados na 3ª LABACE - Latin American Business Aviation
Conference and Exhibition, as universidades formam, no total, cerca
de 300 alunos por ano nos cursos de graduação de Ciências
Aeronáuticas, além dos alunos que fazem cursos de
pós-graduação ou MBAs focados em gestão
de empresas aéreas e aeroportos. Apenas em 2004, foram criados
cursos universitários especializados no setor em cidades
como Salvador (BA), Vila Velha (ES), Bauru (SP) e Barbacena (MG).
"Vem crescendo
fortemente, no Brasil e no exterior, a demanda por profissionais
que tenham uma formação não só técnica,
mas superior e de caráter mais abrangente, que lhes dê
base para tomar decisões e responder às rápidas
mudanças verificadas no setor de aviação",
conta Anderson Markiewicz, presidente da ABAG – Associação
Brasileira da Aviação Geral.
Essa demanda,
no primeiro momento, não se restringe a cursos especializados
em Ciências Aeronáuticas, mas abrange cursos de nível
superior de forma geral. "No Brasil ainda não há
a exigência de curso superior para um profissional atuar no
setor, mas já se constata uma demanda crescente nesse sentido,
seja por uma graduação específica em Ciências
Aeronáuticas ou em outra área", diz Markiewicz.
Para atender as necessidades do mercado, já existem cursos
superiores de gestão em aviação e também
de gestão em manutenção de aeronaves, além
de cursos de pós-graduação "lato sensu",
com ênfase na carreira do executivo da área de aviação
civil.
Nos Estados
Unidos, em contrapartida, 98% dos profissionais contratados pelas
grandes empresas aéreas já têm formação
superior – não necessariamente em ciências aeronáuticas
-, segundo dados do Council Aviation Acreditacion e da University
Aviation Association.
Com a oferta
crescente de cursos de nível superior nessa área,
os educadores agora estão preocupados em afinar o perfil
dos cursos à demanda das empresas. Por isso, disposto a buscar
uma aproximação entre as universidades e as empresas
de aviação, o Conselho Consultivo de Ciências
Aeronáuticas decidiu se reunir uma vez por ano, durante a
LABACE.
Na 3ª edição
da feira, que aconteceu entre os dias 31 de março e 02 de
abril de 2005, em São Paulo, membros do Conselho e representantes
de universidades de todo o País participaram de um encontro
com o objetivo de levantar quais são as demandas atuais das
empresas e organizações da aviação para
avaliar de que forma elas podem ser atendidas pelos cursos de Ciências
Aeronáuticas.
Hoje o perfil
dos profissionais da aviação é essencialmente
técnico. Estima-se que cerca de 80% deles são pilotos
que, além desta função, exercem também
funções gerenciais em empresas e órgãos
públicos de aviação.
"A tecnologia
está mudando muito rápido, e não basta os profissionais
terem especialização em determinadas atividades; eles
precisam saber tomar decisões com vistas a se adaptar a essas
diferentes tecnologias, e, por isso, é necessária
uma formação mais abrangente", explica o presidente
da ABAG.
As oportunidades
de mercado para esses profissionais estão crescendo. Há
inúmeras empresas de pequeno porte, que demandam executivos
com capacidade tanto para gerenciar o negócio quanto exercer
funções técnicas. Por isso, muitos profissionais
que estão apenas no primeiro semestre do curso de Ciências
Aeronáuticas já são contratados para atuar
como estagiários, segundo relato de diversos diretores dessas
universidades.
"Além
disso, o setor da aviação comercial está começando
a sair da crise e voltando a contratar, somando-se a isso o crescimento
da aviação executiva e agrícola, que aumenta
a demanda por profissionais com boa formação e perfil
de atuação mais abrangente", completa Markiewicz.
(UOL-28/04/05)
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