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O primeiro passo para carreira internacional

Fazer um MBA internacional é o sonho de muitos executivos, mas exige planejamento para ser realizado. A começar pela preparação para enfrentar o processo de seleção, concorridíssimo em escolas como o Institute for Management Development - IMD. São 90 vagas por ano e a concorrência inclui profissionais de todas as nacionalidades. Além disso, é preciso fazer uma poupança de cerca de R$ 225 mil, R$ 150 mil para pagar o curso e o restante para se manter na Suíça por volta de 10 meses, que é a duração mínima do MBA. O executivo deve fazer as malas, no entanto, com bagagem suficiente para passar pelo menos alguns anos no exterior, porque esse é o primeiro passo para uma carreira internacional.

A maioria dos brasileiros formados pelo IMD ocupa cargos em empresas parceiras do instituto, com atuação na própria Europa e em outros continentes. É o caso de Flavio Litterio, que hoje trabalha no escritório da Dell em Genebra, na Suíça, como gerente de uma das linhas de serviços da companhia para Europa Oriente Médio e África. Ele levou à sério o planejamento e começou a se preparar em 2001 para ingressar no MBA em 2004. "Minha esposa trabalha em uma multinacional e eu queria ter certeza de que ela poderia me acompanhar. Por isso, precisávamos de algum tempo para conseguir sua transferência para um lugar próximo ao IMD, na Suíça", conta. Ele diz que a escolha da escola foi feita com base nas possibilidades de transferência da esposa. "Outra alternativa era ir para os Estados Unidos, mas não havia nenhuma boa escola próxima do local onde a empresa em que ela trabalha tem sede. A Europa oferecia mais opções de formação tanto para mim quanto para ela".

Enquanto a transferência da esposa não saía, Litterio continuou atuando como consultor sênior na Roland Berger e começou a estudar para os exames de seleção. Chegou a recorrer a profissionais especializados no conteúdo de matemática, inglês e redação exigidos nos testes de MBAs. O processo seletivo do IMD começa pela avaliação dos formulários de inscrição, que levam em consideração a experiência profissional dos candidatos. Depois, eles fazem 12 redações e um teste. A prova decisiva é um estudo de caso, que reúne os candidatos para avaliar seu potencial de liderança.

"O principal objetivo do curso é desenvolver a liderança dos participantes. Por isso, procuramos escolher pessoas com um verdadeiro potencial para ser líder e em condições de se aperfeiçoar juntos, trocando experiências e aprendendo uns com os outros", afirma Katty Ooms Suter, diretora de admissão e de serviços de carreira do IMD. Recentemente, ela esteve em São Paulo, onde, pela primeira vez, será realizado o processo seletivo dos candidatos de toda América Latina. A visita deve-se ao foto de que o instituto pretende aumentar de 1% para 5% a participação dos brasileiros em seu MBA.

"O Brasil é uma economia importante e os executivos do País já conquistaram posições de prestígio atuando no exterior", justifica. Além disso, um dos diferenciais do curso é reunir, de maneira equilibrada, pessoas de diferentes nacionalidades com cerca de 7 anos de atuação executiva. Isso enriquece a troca de experiências entre os alunos e torna mais ampla sua rede de contatos.

Outros diferenciais do IMD são a metodologia de aprendizado e os professores. "Não somos uma universidade, mas sim uma escola de negócios. Nossos professores não são acadêmicos. São profissionais do mercado e ensinam o que aprenderam na prática", ressalta Katty. Os professores desenvolvem pesquisas dentro de empresas parceira do instituto. São companhias com atuação global, que acabam aproveitando a maior parte dos profissionais formados pelo IMD.

Foi o que aconteceu com Litterio, quando ingressou na Dell. "Dos meus colegas de turma, quem não se colocou por um processo seletivo dentro do IMD, conseguiu emprego por meio de contatos feitos na escola", diz o executivo. Ele deixou a consultoria em que trabalhava ao iniciar o curso, como faz boa parte dos alunos que não conseguem se manter ligados às companhias em que atuam no Brasil. "Poderia ter mantido meu vínculo com a empresa, mas um dos motivos que me levaram a fazer o MBA no IMD foi o desejo de voltar a atuar na indústria e ficar por aqui um bom tempo. Por selecionar pessoas com mais experiência, o instituto acaba direcionando os profissionais para essa área. É a escola que eu conheço que oferece mais chances para brasileiros seguirem carreira na Europa".

O caminho inverso também acontece. Alguns profissionais brasileiros são enviados pelas empresas para desenvolver suas habilidades como líder. "Tradicionalmente, empresas brasileiras enviam os principais executivos e os que têm maior potencial para o IMD, com a intenção de prepara-los para os desafios dos mais altos níveis gerências. Elas são atraídas pela formação com ênfase em tópicos como estratégia, liderança, análise industrial e negócios internacionais", conta o diretor de parcerias do instituto para a América Latina e África, Stein Jacobsen. "Estes ainda são alguns casos, mas temos visto uma demanda crescente de empresas brasileiras que estão se internacionalizado e têm desafios bastante estratégicos relacionados ao crescimento no exterior", complementa.

Litterio foi buscar experiência profissional no exterior, mas há brasileiros que possuem carreiras internacionais e, mesmo assim, apostam na qualificação oferecida pelo curso. "Éramos em quatro brasileiros, dois já trabalhavam no exterior, um nos EUA e outro própria Suíça", diz Litterio. Esse também é o caso de Cristina Nakano, que já trabalhava há três anos na área de finanças da matriz Novo Nordisk, em Copenhague, na Dinamarca.

Ela não perdeu o vínculo com a companhia e ainda foi beneficiada com o Latin American Scholarship do IMD, uma bolsa de estudos. Os aprovados no MBA podem concorrer ao auxílio equivalente a cerca de R$ 57 mil, por meio de um texto com, no máximo, mil palavras discorrendo sobre quais são os três maiores desafios de seu país. O aluno deve ainda aprofundar a análise em um desses desafios e apresentar condutas que tomaria, com base em suas experiências pessoais e profissionais. Os que não conseguem a bolsa, também podem recorrer a um empréstimo bancário oferecido pelo instituto.

Cristina diz que a experiência tem sido gratificante. "Minhas expectativas estão sendo atendidas. Acredito que o maior benefício do curso para mim tem sido meu desenvolvimento pessoal e os conhecimentos que adquiro em trabalhos em grupo", ressalta. Ela, assim como a maior parte dos formados no MBA não pretendem voltar para o Brasil tão cedo. "Só se surgir uma oportunidade muito boa", diz.

Litterio, faz uma recomendação para quem tem a mesma intenção. "Quem tiver a possibilidade de tirar a cidadania européia deve fazê-lo. Isso facilitará bastante a vida profissional do brasileiro na Europa porque os vistos de trabalho são bem difíceis de se conseguir e as empresas precisam querer muito contratar a pessoa para passar pelo processo burocrático", alerta. "Um colega meu de turma saiu do País com os papéis encaminhados para conseguir a cidadania italiana. No período de férias, em julho, foi até a Itália e terminou o processo. Depois, não teve dificuldades para começar a trabalhar".

(Gazeta Mercantil – 27/06/05)