Tiraram diplomas de pós.
Perderam dinheiro
Mestres
e doutores brasileiros formados por universidades estrangeiras
esperam há pelo menos dois anos que seus títulos
sejam validados no País. São cerca de mil pessoas
– professores em sua maioria – que fizeram cursos
a distância ou semipresenciais oferecidos por instituições
da Espanha, França e Portugal, entre outros países.
A maior
parte dos cursos funcionou entre a metade dos anos e o início
da década, muitos dele sem parceria com universidades
brasileiras. Em 2001, o Conselho Nacional de Educação
(CNE) proibiu por meio de uma resolução que
as instituições estrangeiras abrissem novas
matrículas e que continuassem a atuar no Brasil.
Segundo
o Ministério da Educação, de 800 diplomas
analisados somente este ano, apenas 1 teve seu valor reconhecido.
“Isso sugere que os cursos não eram de boa qualidade.
Esses alunos perderam tempo e dinheiro”, diz o diretor
Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior Capes), Isaac Roitman.
O Ministério
da Educação está concluindo o projeto
de um decreto que pretende dar mais clareza às regras
para a educação à distância no
Brasil. O decreto, porém, não mudará
a situação dos 9 mil formados. Segundo o secretário
da Educação à Distância do MEC,
João Teatini, a idéia é tornar a legislação
mais clara daqui para a frente e ajudar assim os futuros interessado
sem formação a distância. “Hoje
a legislação é fragmentada e inconsistente.”
A partir
de 1995, o País viveu um boom de oferta de cursos de
universidades estrangeiras. O foco era mestrado e doutorado.
Muitas firmaram convênios com parceiras brasileiras.
Algumas enviavam professores ao País para ministrar
aulas presenciais do curso. Outras ofereciam o conteúdo
inteiramente pela internet. Entre essas instituições
estavam a Universidade de Havana (Cuba), de Extremadura, de
Léon, Pontifícia Salamanca (as três da
Espanha), Limongese Marselha (França), Fernando Pessoa
(Portugal) e American World University (Estados Unidos).
Quando
o CNE emitiu a resolução em 2001, deu um prazo
essas instituições para que remetessem ao MEC
os nomes todos os 9mil alunos que já haviam concluído
a pós ou que ainda estavam se formando. Pela legislação
brasileira, qualquer cidadão que obtenha um diploma
de universidade estrangeira (seja num curso a distância
feito daqui ou presencial realizado no país de origem)
precisa revalidá-lo no Brasil. Esse processo é
feito por uma universidade brasileira, geralmente pública,
após uma análise conteúdo do curso.
Mas o
processo enfrentado pelos mestres e doutores “estrangeiros”
que solicitaram a revalidação ao MEC não
é assim tão simples. Fernando (nome fictício),
psicólogo do Distrito Federal, gastou R$ 12 mil mestrado
a distância que fez pela American World University –
uma das poucas, que depois de muitas brigas com o MEC, ainda
atuam no Brasil.
Fernando
terminou o curso em 2002 e no início deste ano encaminhou
seu pedido de revalidação ao ministério.
“Preciso dessa revalidação. Sou professor
universitário e esse mestrado é importante para
meu trabalho”, afirmou. Para o procurador da American,
Gilberto Pinheiro dos Santos, alunos de cursos estrangeiros
não têm conseguido validar seus diplomas por
motivos que fogem da esfera acadêmica. “Não
conseguem validar porque há um corporativismo louco
entre as instituições brasileiras e por causa
de alguns retrógrados do MEC.” Santos questiona
a capacidade das universidades indicadas pelo ministério
para analisar e revalidar diplomas.
“A
universidades não estão organizadas para fazer
essa revalidação. Não têm membros
preparados para compor uma comissão que faça
a equiparação dos diplomas.” “Estamos
preocupados exclusivamente com a qualidade dos cursos”,garantiu
Roitman.
(O
Estado em S. Paulo – 20/11/03)
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