Executivo desinteressado pelo meio ambiente torna-se líder empresarial em sustentabilidade

Paula King

Foi ouvindo os outros que Ray Anderson, 74 anos, executivo da Interface, uma fábrica norte-americana de carpetes, decidiu mudar totalmente a gestão de seus negócios. Em 1994, um de seus clientes pediu informações sobre o posicionamento da empresa em relação ao meio ambiente. Naquele momento, ele percebeu que "não tinha nenhuma visão ambiental".

Hoje, Ray é um dos líderes mundiais em gestão sustentável. Ele corre o mundo contando como se transformou. Em 2007, foi escolhido pela revista Times como um dos líderes mundiais do meio ambiente. Participando de um evento, em São Paulo (SP), o empresário contou um pouco sobre sua experiência.

A partir da leitura do livro The Ecology of Commerce (em português, A ecologia do comércio), de Paul Hawken, o executivo concluiu que "a menos que consigamos fazer carpetes de modo sustentável, não teremos lugar em um mundo sustentável". A primeira providência que tomou foi tentar saber quanto sua empresa poluía. Após muitas pesquisas, o executivo desvendou números assustadores e foi a partir daí que decidiu que “era hora de mudar tudo”.

“Tive vontade de vomitar quando soube. Começamos a criar uma estratégia de mudança de gestão que, felizmente, nos permite dizer que hoje, se ainda não chegamos à perfeição, já temos resultados muito bons”, contou. Atualmente, 80% da energia consumida pela fábrica é gerada a partir de fontes renováveis. Com ações como essa, a empresa diminuiu, segundo Ray, em 82% a emissão de CO2 na atmosfera.

O trabalho de reformulação dos processos industriais da Interface foi iniciado em 1994, mas os resultados só foram anunciados em 2000. “Sabíamos que não seria fácil convencer acionistas e fornecedores”, disse. “A nova visão da organização, como uma empresa sustentável e, com o tempo, restauradora, criou uma nova missão para a empresa e uma oportunidade de repensar tudo: desde como os produtos são concebidos e originados, até como são manufaturados, distribuídos, instalados e recuperados”, completa.

Segundo Ray, para uma mudança radical como essa ocorrer, a visão da empresa deve ser firme o suficiente. “Não adianta fazer grandes propostas sem haver um diálogo transparente com os próprios funcionários. Ética e transparência são dois pontos essências para realizar mudanças”. Ray reforçou que um executivo precisa informar aos seus funcionários todos os processos da indústria e é importante que todos tenham uma linha única de discurso.

“Para uma grande corporação fazer parte do movimento de responsabilidade social e sustentável é preciso grandes esforços. O caminho é cheio de tropeços, mas muitas conquistas”, relatou Ray. “É como subir uma montanha: o percurso é doloroso, mas fascinante. E quando você chega lá, sua visão de mundo nunca mais será a mesma”, completou.

   

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