Trabalhar em casa exige que profissional se torne gerente de si mesmo

Mais do que à simples mudança do local de trabalho, o comportamento de empresas e profissionais deve se ajustar às novas relações de trabalho que a tecnologia está delineando. Exige-se agora que o colaborador seja gerente de si mesmo, e, ao gestor, cabe o desafio de mudar a forma com que supervisiona e motiva suas equipes.

O que importa atualmente é o resultado - e a agilidade com que ele é atingido -, destaca a socióloga Daniela Alves, especialista em mudanças sociotécnicas e trabalho. "O controle sobre os profissionais que atuam fora dos escritórios é focado na produtividade - e não mais nas horas dispensadas para executar tarefas", diz.

Para Alves, esse novo tipo de supervisão requer um "engajamento subjetivo do trabalhador", que deve manter sua atenção em metas e prazos.

Como consequência disso, completa, o profissional muitas vezes acaba por trabalhar mais do que as padronizadas oito horas diárias. "Mas eles não reclamam desse excesso, uma vez que podem organizar o trabalho da maneira como bem entenderem", pondera.

No caso da gerente de planejamento de vendas Célia Lima, essa reorganização incluiu mais tempo para ficar perto do filho de quatro anos, razão pela qual convenceu seu chefe a deixá-la trabalhar em casa.

Como o cargo exige que a executiva se relacione com pessoas de outros países - que seguem outros fusos horários -, a liberdade para administrar seus afazeres fez com que tivesse mais tempo para a família.

"As duas horas e meia que eu gastava todo dia para me locomover ao escritório são todas do meu filho", conta satisfeita.

Em situações como essa, avaliam especialistas, organização e responsabilidade tornam-se as características fundamentais para que os profissionais consigam atender às expectativas de seus contratantes, sem comprometer o ambiente familiar.

Na avaliação da psicóloga e consultora de recursos humanos Priscila Oliveira, muitos profissionais optam por trabalhar a distância por se sentirem menos ágeis quando estão no ambiente corporativo.

"Diversas empresas ainda estabelecem protocolos que limitam as ferramentas de comunicação e o acesso à informação dos colaboradores, como bloqueio a sistemas de mensagem instantânea e páginas de internet", exemplifica.

O programador Eduardo Veríssimo, 31, deixou o ambiente corporativo justamente por se sentir "tolhido pelas regras" estipuladas pelas empresas. Após 11 anos batendo cartão, resolveu apostar no trabalho em casa, como prestador de serviços.

A aposta, diz, deu certo: "Mesmo vivendo com os meus pais e os meus avós, estou satisfeito com a mudança".

(Folha de S.Paulo)
 

   

 

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