Apenas 8% dos trabalhadores se sentem felizes em seus empregos

Rodrigo Zavala

Foram mais de 48 mil trabalhadores entrevistados em 10 mil empresas, provenientes de países que representam 85% da população mundial. E em todo o planeta a situação se mostra similar: profissionais frustrados, infelizes, sem apoio de sindicatos, vulneráveis graças à informalidade e a terceirização.

Pesquisas negativas sobre o mercado trabalho se tornaram uma constantes no Brasil a partir dos anos 80. Mas, os dados da pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que a realidade mundial não está muito longe dos problemas nacionais. Apenas 8% dos trabalhadores se sentem felizes em seus trabalhos e apenas 10% deles conhecem seus direitos sindicais.

A conclusão se baseia na constatação que esses profissionais vivem em países, onde não é possível encontrar condições favoráveis de segurança econômica. "A menos que possamos construir sociedade mais eqüitativa e uma economia mundial mais inclusiva, apenas poucos alcançaram a segurança econômica e um trabalho decente", criticou o diretor geral da OIT, Juan Somavia, no decorrer da pesquisa.

Longe de interpretações subjetivas, a insegurança é um dos fatores que mais influi na percepção das pessoas. Um estudo realizado na América Latina recentemente revelou, por exemplo, que 76% dos entrevistados estavam preocupados em não estar trabalhando no ano seguinte. Pior: para garantir seu emprego, não se importariam em viver sob uma ditadura.

O documento da OIT mostra que os habitantes dos países que oferecem um elevado nível de segurança econômica aos seus cidadãos têm, em média, um maior grau de felicidade, que foi medido por meio de estudos sobre o nível de satisfação de suas vidas. Segundo a organização, o fator determinante da felicidade nacional não é o nível de inserção dos desempregados, como se supunha, mas a proteção dos postos de trabalho e o baixo nível de desigualdade entre eles. Daí a importância dos sindicatos.

"Uma idéia que se coloca claramente de relevância é que a insegurança econômica das pessoas fomenta a intolerância e o estresse, ambos aspectos que contribuem para mazelas sociais e, em última instância, para a violência social", conclui o relatório da organização.


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