Empresas priorizam programas de prevenção

Como não conseguem reduzir os gastos com planos de saúde para o seu efetivo, as companhias em atividade no país estão investindo, cada vez mais, em programas de prevenção de saúde e qualidade de vida. A intenção é reduzir custos no longo prazo.

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Empresas priorizam programas de prevenção

Como não conseguem reduzir os gastos com planos de saúde para o seu efetivo, as companhias em atividade no país estão investindo, cada vez mais, em programas de prevenção de saúde e qualidade de vida. A intenção é reduzir custos no longo prazo.

Esta é uma das constatações da Pesquisa Mercer de Saúde, realizada pela consultoria Mercer Resource Consulting com 335 empresas, entre nacionais e internacionais, de vários setores da economia. Essas companhias representam 930 planos médicos para empregados ativos, 105 para aposentados e 322 odontológicos. No total, a pesquisa engloba mais de 700 mil empregados e 1,8 milhões de usuários.

A preocupação com a proteção da saúde dos funcionários aparece em 84% das companhias pesquisadas que afirmaram que pretendem investir em programas de prevenção e 87% das que disseram que querem investir em programas de qualidade de vida nos próximos dois anos. "Esta é uma tendência mundial", diz Cesar Lopes, consultor sênior da área de saúde da Mercer. "É uma atitude que está partindo de quem contrata as operadoras de planos de saúde".

A forma como as companhias estão fazendo isso varia: campanhas anti-obesidade, tabagismo, o incentivo de exames, entre outras medidas. "Num primeiro momento sai mais caro, mas depois isso ajudará a empresa a economizar", diz Lopes. Segundo ele, os planos de saúde hoje são bastante abrangentes cobrindo quase todo tipo de doenças e por esta razão têm um custo alto para o empregador. "Ele é um benefício que não pode ser cortado, porque é bastante percebido pelo empregado", explica o consultor.

Uma prática que têm sido bastante empregada, segundo a pesquisa, é a divisão dos custos dos planos com os funcionários, adotada por 54% das empresas. "Com isso as companhias estão querendo incentivar o uso correto dos serviços médicos e evitar, por exemplo, a procura abusiva por consultas", diz Cesar Lopes.

Apenas 23% delas oferecem planos com cobertura para dependentes como pais e mães, considerados agregados. Em relação aos aposentados, 91% dos planos oferecem o mesmo desenho que era oferecido enquanto a pessoa estava na ativa. E, em 70% das companhias os aposentados são responsáveis pelo pagamento parcial ou total do custo do plano.

Outra constatação que vêm sendo feita nas últimas pesquisas realizadas pela Mercer na área de saúde é que a assistência odontológica está, pouco a pouco, tornando-se mais comum entre as empresas. Pelo menos 58% das companhias pesquisadas oferecem este tipo de benefício. Para 60% delas, o custo desses planos representa apenas 1% da folha de pagamento.

Lopes lembra que muitas doenças podem ser transmitidas via oral e que a adoção desses planos odontológicos embute uma preocupação relacionada também à medicina preventiva. "Eles são baratos e ajudam a complementar as outras ações".

(Valor – 05/01/04)