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Manter humildade e controle emocional são desafios para jovens
com ascensão rápida
Como atual diretor
da área Comercial da Atento Brasil, que pertence ao grupo
Telefônica, o executivo José Octávio Fernandes,
27 anos, obteve rápida ascensão dentro da empresa.
Com três anos de companhia, assumiu um cargo gerencial, e
no ano seguinte, conquistou a cadeira de diretor, reportando-se
diretamente ao vice-presidente da empresa. “Foi uma mistura
de estar no lugar certo, na hora certa, mas também de muito
esforço e dedicação integral”, diz Fernandes.
Para que isso acontecesse, foram horas intermináveis de trabalho,
com a busca incessante pela excelência. Contou pontos, ainda,
a facilidade de trabalhar em equipe, ingrediente fundamental nesse
processo.
Casos como o
de Fernandes tornam-se cada vez mais comum no mundo corporativo.
Já é
freqüente a presença de jovens executivos em cargos
de alto comando nos mais diversos segmentos. Mas quais são
os principais desafios que um jovem executivo enfrenta hoje? O mercado
está recebendo bem estes profissionais? Como lidar com a
grande responsabilidade e a pressão de seus cargos contando
com pouca idade? Segundo Fabrício Proti, coordenador do Comitê
de Jovens Executivos da Câmara Americana de Comércio
(Amcham), o espaço para este jovem executivo cresce cada
vez mais. “Percebemos que as empresas estão buscando
esses profissionais, abrindo mais oportunidades”, observa.
“Principalmente para os que demonstram ter mais equilíbrio
emocional e experiência balanceada”, afirma Proti.
Temas como esse
são discutidos pelo comitê da Amcham, fundado em 1999
com o objetivo de manter o elo entre os profissionais que passaram
pelo programa de trainees da Câmara. A idéia era garantir
um espaço para discutir o papel do jovem executivo no mercado
de trabalho, que vem conquistando a confiança das grandes
empresas.
Na rede hoteleira
Grand Hyatt de São Paulo, por exemplo, a média etária
do comitê executivo de diretoria é de 35 anos. Segundo
Miguel Angel Bermejo, diretor de RH do Grand Hyatt de São
Paulo, as vantagens de se trabalhar com jovens profissionais são
muitas. Dentre elas, o entusiasmo e a garra, própria da juventude.
“Mas para nós é muito importante a humildade”,
avisa. Isso porque para o gestor, muitas vezes, a arrogância,
que também é uma decorrência da juventude, assim
como a ansiedade e a impaciência, podem atrapalhar esse processo.
Nariz
empinado
Adriano Brito
da Costa Lima, vice-presidente do RH da Mastercard, que também
conquistou o cargo quando ainda tinha 35 anos, concorda que a falta
de humildade e a ansiedade são grandes deficiências
que prejudicam os jovens profissionais. “Lidar com pressão
e grandes responsabilidades são enormes desafios para quem
tem pouca idade, mas o mais difícil é administrar
o sucesso e não deixar o nariz empinar,” diz Lima.
Em decorrência
dessas limitações, que só a maturidade é
capaz de transpor, muito mais do que o diferencial técnico
que um jovem pode oferecer, o que o mercado procura é o diferencial
comportamental. "O jovem precisa focar-se muito nessa área,
ou seja, procurar desenvolver comportamentos que não se aprendem
na teoria, como adaptabilidade, gerenciamento de trabalhos”,
opina Miguel Angel Bermejo, diretor de RH do Grand Hyatt. “Hoje,
temos que aprender muito mais a ajudar e a cooperar uns com os outros”,
completa.
Para José
Octávio Fernandes, da Atento Brasil, o difícil da
ascensão rápida é a expectativa em cima do
jovem, que ele considera maior que de seus pares mais experientes.
Embora Fernandes tenha como meta sempre a realização
de tarefas com o máximo de excelência – o que
o ajudou a subir rápido na empresa - , ele conta que não
escapa das pressões inerentes à condição
de jovem em cargos de destaque. “Você tem que provar
o tempo todo que está fazendo a coisa certa, e a margem de
erro tem de ser mínima,” diz.
Essas dificuldades
já são percebidas em empresas como a Mastercard, onde
a a questão da carreira meteórica dos jovens ganhou
atenção especial. Segundo o vice-presidente de RH
da companhia, Adriano Brito da Costa Lima, a empresa procura estabelecer
um mix de profissionais em cada área - os mais novos trabalhando
junto com os profissionais mais seniores. A expectativa é
que a experiência dos executivos mais antigos ajude no amadurecimento
dos mais jovens.
Outra medida
adotada pela Mastercard é investir continuamente no desenvolvimento
dos jovens: desde o custeio de cursos de idioma, MBA, e pós-graduação
a financiamento de intercâmbio desses profissionais com a
matriz em Nova York. “Se um jovem se perguntar todos os dias
se o que ele faz tem significado, tanto para ele quanto para as
pessoas que os cercam, ele encontrará a resposta na sua persistência
e coragem para ir em frente”, conclui Lima.
Para Fabrício
Proti, do Comitê dos Jovens Executivos da Amcham , o que vai
destacar um jovem no mercado é a iniciativa de buscar o conhecimento
autodidata, e estar sempre aprendendo. Têm sorte, entretanto,
quem traz consigo valores importantes na condução
de sua vida e trabalho. Numa das últimas reuniões
do comitê da Amcham, que reuniu seus associados e executivos
de RH de empresas, concluiu-se que as características que
fazem o profissional se desenvolver são elementos que eles
herdam dos pais e aprendem na vida, como por exemplo, a ética,
o comprometimento com a causa, trabalho, e a vontade incessante
de aprender.
(Canal Rh
– 04/10/04)
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