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Empresários discutem o empreendedorismo no Brasil
Aconteceu, na
última semana, a 8ª Conferência Empreender Endeavor,
Atitude + Técnica = Resultado. O evento reuniu, de quarta
a sexta-feira, no Costão do Santinho, em Florianópolis
(SC), mais de 400 pessoas, entre palestrantes e aspirantes a este
universo.
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Empresários discutem o empreendedorismo no Brasil
Nas palavras
de Marília Rocca, diretora geral do Instituto Empreender
Endeavor, empreendedorismo é a motivação de
uma carreira e uma legítima forma de trabalho. O conceito,
cada vez mais enraizado na cultura de negócios brasileira,
se resume em ter uma idéia e ousadia para levá-la
adiante com poucos recursos. Este o foi tema da 8ª Conferência
Empreender Endeavor, Atitude + Técnica = Resultado, que reuniu,
de quarta a sexta-feira, no Costão do Santinho, em Florianópolis
(SC), mais de 400 pessoas, entre palestrantes e aspirantes a este
universo.
"Os Estados
Unidos mensuraram o resultado desse tipo de negócio nos últimos
20 anos e viram que eles geraram 34 milhões de empregos;
50% dos projetos representaram inovação tecnológica",
afirma Marília.
A Endeavor é
uma organização sem fins lucrativos para promover
o desenvolvimento sócio-econômico de países
emergentes através do empreendedorismo. Sua sede é
em Nova York e sua área de atuação é
na Argentina, Chile, Uruguai, México, África do Sul
e, desde 2000, Brasil. Aqui gerou 2,5 mil empregos diretos e 13
mil indiretos por meio de 50 empreendimentos para os quais investidores
disponibilizaram R$ 84 milhões.
Com escritório
em São Paulo - a ser desmembrado entre outras cidades ainda
este ano -, o instituto tem abrangência nacional. Sua política
é promover uma rede de contatos de alto nível e proporcionar
ferramentas para o empreendedor obter investimentos, parcerias,
clientes.
"Nós
apoiamos empresas nascentes que geram postos de trabalho com negócios
inovadores", explica Marília. Os cerca de 400 candidatos
mensais passam por um processo seletivo de seis meses. Destes, cerca
de 150 são entrevistados por voluntários. Daí
são apresentados aos conselhos mantenedor e internacional.
Apenas cerca de 1% passa por estes filtros.
Os selecionados
recebem apoio personalizado da instituição, que os
coloca dentro de sua rede de contatos. Ela nunca levanta capital
para eles, mas os ajuda a buscar financiamento viável entre
os fundos de capital de risco e instituições como
Sebrae, Finep ou Fapesp.
Somente 15 funcionários
trabalham na Endeavor brasileira. Mas ela conta com 170 voluntários
certificados - empresas do porte da Natura, indústria de
cosméticos naturais - e 130 ainda em treinamento. O conselho
conta com empresários como Emílio Odebrecht, diretor-presidente
da Organização Odebrecht e seu membro mais recente.
Em outra ponta,
a Endeavor ministra programas abertos para mais de 20 mil empreendedores
com acesso à videoteca e biblioteca virtuais, que, de acordo
com Marília, é a maior do mundo (900 títulos
a caminho dos 4 mil). Também ministra 350 cursos de empreendedorismo
por todo o país e semanalmente promove workshops transmitidos
pela internet.
Conferências
como a de Florianópolis são outras de suas formas
de atuação. Nos três dias, os participantes
trocaram dicas e dividiram experiências. O público
ouviu o depoimento de recentes empreendedores de sucesso e grandes
empresários que, em seu tempo, tiveram a ousadia de acreditar
em um sonho e tornaram-se vencedores.
"A questão
principal é que não adianta apenas ter uma boa idéia.
É preciso traçar um projeto para ela, saber desenvolve-la
e administrá-la. Caso contrário, o empreendimento
não dura cinco anos", diz Marília. Ela faz, ainda,
uma observação que pareceria irreal se fatos não
comprovassem a sua eficácia. "Nem sempre é um
bom negócio tomar empréstimos ou captar recursos na
indústria de capital de risco. Existem outras moedas de troca,
além de dinheiro, e são mais aconselháveis."
Um dos exemplos
concretos ouvidos na conferência é o de Ivan Ângelo
Taffarel. Formado em oceanografia biológica pela Universidade
do Rio Grande, ele deixou o diploma de lado para se tornar um criador
de ostras, dono da Moluskus Fazenda Marinha. Para efetivar a sua
empresa, ele adquiriu um empréstimo que está sendo
pago com o fornecimento de ostras aos credores.
Da mesma forma,
Alexandre Borges, fundou a Flores Online em 1998 com um capital
inicial de R$ 250 mil. Na falta de um investidor e para imprimir
a sua marca no mercado, ele fez parcerias com empresas como a TAM,
Itaú Personalitée e Citybank associando o seu produto
a alguns de seus serviços. Em 2003, faturou R$ 5 milhões.
Mas nem tudo
são flores no mundo do empreendedorismo e vários painéis
da conferência alertaram para a necessidade de estar tão
atento às oportunidades como às armadilhas que surgem
atrás delas. Veteranos como Emílio Odebrecht e Roberto
Estefano, da Cambuci S/A, empresa que produz a marca Penalty de
artigos esportivos, contaram à atenta platéia o percurso
de suas empresas, que existem há décadas e muitas
vezes sofreram sérios reveses superados, uma vez mais, com
ousadia.
Como se sabe,
hoje a Odebrecht é reconhecida internacionalmente. De seu
lado, a Penalty começa a alçar vôo para o exterior.
Em breve, concretizará uma joint-venture em Portugal, de
olho no mercado espanhol e, posteriormente, no europeu. Depois,
planeja se embrenhar pelo México.
Outros caminhos
debatidos foram as exportações e fusões e aquisições
de empresas. Para Júlio Sergio Cardozo, presidente da Ernst&Young
América do Sul, este é um bom momento para isso. "O
mercado vem de uma recessão severa e há escassez de
capital. Juntar dois parceiros ajuda a preservar o crescimento".
Mas aconselha: "É fundamental que ambos tenham culturas
semelhantes."
No meio de tudo
isso, Francisco Borges Audi, um palestrante peculiar comoveu e animou
a platéia. Abandonado pela mãe aos três anos
e internado na Febem, aos 24 anos, é dono de um escritório
de contabilidade e fundador do Instituto Francisco Borges de Comunicação
Empresarial. Ganha boa parte de seu dinheiro dando palestras nas
quais conta a sua vida. É um belo exemplo de empreendedorismo
pessoal.
(Valor –
07/06/04)
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