Faltam bons profissionais de média gerência,
diz pesquisa
A falta de mão-de-obra
especializada é um problema grave e já conhecido no
Brasil e no mundo. Entretanto, não são apenas as funções
de nível técnico que sofrem com a escassez de profissionais.
Também faltam
gerentes para comandar as equipes e grande parte dos cargos de média
liderança acaba nas mãos de pessoas despreparadas.
Isso se deve principalmente à dificuldade que eles têm
de lidar com pessoas.
É o que se denota
de pesquisa realizada pelo Grupo Bridge, consultoria especializada
em treinamento e desenvolvimento de grupos. O estudo analisou 1.500
profissionais nessa função (confira quadro ao lado)
e chegou a um resultado alarmante: apenas 11,54% foram classificados
como capazes de exercer a liderança plenamente.
“O cenário
mudou nos últimos dez anos. O perfil da média liderança
deixou de ser o técnico para ser o de alguém que cuida
de pessoas, que sabe administrar conflitos, avaliar competências
e performance, delegar responsabilidades e planejar ações”,
diz o sócio-diretor do Grupo Bridge, Celso Braga.
O problema, de acordo
com ele, é que as universidades ainda não se adequaram
à nova realidade do mercado de trabalho, prendendo-se muito
à parte técnica e teórica. “Se você
pega por exemplo um engenheiro recém-formado e o coloca para
conduzir uma reunião, o resultado dificilmente vai ser satisfatório”
Além disso, com
a economia aquecida, é cada vez maior a rotatividade e a
disputa por bons profissionais no mercado. “A maioria das
grandes empresas sabe que precisa preparar e reter seus talentos
para não ocorrer esse déficit. Caso contrário,
haverá um impacto negativo na própria organização”,
diz Marcelo Mariaca, presidente da consultoria Mariaca.
O treinamento interno
dos que ocupam cargos de média liderança já
é uma realidade. Braga revela que entre 70 % a 80% do orçamento
das empresas destinado ao desenvolvimento dos funcionários
são destinados aos líderes. “Afinal, ele acaba
formando as outras pessoas; tem o papel de educador”, diz.
Mas essa é uma
solução a médio prazo, uma vez que esse tipo
de treinamento atualmente costuma durar entre 8 e 14 meses. A tendência,
por esse motivo, é que as empresas ainda passem os próximos
dois anos com dificuldades em preencher cargos de gerência,
até se iniciar um novo ciclo.
Os que assumem cargos
desse tipo já totalmente preparados trazem a habilidade de
lidar com pessoas de experiências particulares e possuem naturalmente
características de líder.
“Os líderes
maiores, os CEOs, precisam ter essa visão de futuro, de como
desenvolver os líderes. Não podemos pensar apenas
nos desafios do próximo mês, mas dos próximos
cinco anos”, ressalta Mariaca.
O sócio-diretor
do Grupo Bridge revela que a escassez é tanta que para uma
empresa conseguir contratar um gerente qualificado hoje levam-se
até 180 dias. Como o problema é mundial, o quadro
por aqui se agrava com a saída de muitos profissionais para
o exterior. “Índia, China e México, por exemplo,
são países que recrutam muitos brasileiros com cargos
de média liderança”, diz Celso Braga.
Para os que ocupam posição
de gerência, o especialista recomenda buscar cursos de especialização
como pós-graduação e MBA voltados para gestão.
“Pessoas não são o problema dos gerentes, mas
a solução”, enfatiza.
(O Estado
de S.Paulo)
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