Como encontrar a melhor bolsa de estudo

Engana-se quem acredita que já não dá mais tempo para concorrer e se organizar para o próximo ano letivo. Quando se começa a buscar informações sobre as diferentes bolsas de estudo oferecidas pelo mundo afora, percebe-se que existem de todos os tipos e para todas as áreas de conhecimento e que muitas ainda estão com as inscrições abertas.

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Como encontrar a melhor bolsa de estudo

Chega o fim do ano, é inevitável fazer planos e projetos para o próximo. Muitos desejam viajar, outros planejam investir na sua profissionalização, aperfeiçoar um segundo ou terceiro idioma e conhecer outras culturas. Se você pertence a essa categoria de sonhadores, comece a pensar que a fantasia pode se tornar realidade através de uma bolsa de estudo.

Engana-se quem acredita que já não dá mais tempo para concorrer e se organizar para o próximo ano letivo. Quando se começa a buscar informações sobre as diferentes bolsas de estudo oferecidas pelo mundo afora, percebe-se que existem de todos os tipos e para todas as áreas de conhecimento e que muitas ainda estão com as inscrições abertas.

A Internet é uma forte aliada para quem quer abrir este caminho. Existem inúmeros sites que orientam o candidato e chats entre pessoas interessadas em adquirir uma bolsa e ex-bolsistas que trocam informações. Vale a pena dar uma navegada neste vasto universo virtual.

É importante ter em mente, no entanto, que a tarefa não é fácil e exige determinação, criatividade, força de vontade e iniciativa. Os processos de seleção passam por várias etapas, exigem farta documentação, estar ligado a alguma instituição e dominar pelo menos o inglês ou o idioma falado no país de destino. Na maioria das vezes, a bolsa não é integral e exige uma complementação financeira do bolsista.

Um exemplo é o programa Alban, que está na sua segunda edição e cujas inscrições estão abertas até dia 5 de janeiro, para quem enviar pelo correio e até 20 do mesmo mês para quem se inscrever pela internet (www.universiabrasil.net/alban). Este programa oferece bolsas de pós-graduação e especialização para latino-americanos na União Européia (UE).

Desde 2002, a UE aporta uma contribuição financeira de 75 milhões de euros para o programa e prevê beneficiar cerca de 4 mil estudantes em nove anos, cobrindo em 75% os custos de formação dos alunos - os outros 25% devem correr por conta dos próprios.

No primeiro ano do processo (2002/2003) foram registradas mais de 6,5 mil candidaturas, mas somente quatro mil cumpriram os requisitos e participaram da seleção. Foram concedidas 252 bolsas a candidatos de 18 países diferentes, 63 dos quais são brasileiros.

Júlio César Gomes Filho, é um dos bolsistas alban que seguiu para a Escócia, onde faz doutorado em engenharia ambiental na Universidade Heriot-Watt. Ele é um dos internautas que dá umas dicas no site do programa. "Fiquei sabendo do projeto perto do término das inscrições. Mas consegui me cadastrar a tempo porque conhecia bem a área que queria pesquisar."

Para Mauren de Souza, aprovada no mesmo programa para uma bolsa de física médica e bioengenharia na University College London, o ideal é que o candidato entre em contato com uma instituição de ensino superior (IES) que tenha ´know-how´ na área em que ele pretende efetuar seu estudo. "Isso é necessário para buscar um possível orientador que possa atender às suas necessidades acadêmicas", explica. "Além disso, abre um canal de comunicação para trocar figurinhas e elaborar um trabalho mais produtivo."

Outro bolsista Rodrigo Machado Tavares foi para Londres fazer um doutorado em engenharia de incêndios e também dá o seu conselho: "Temos que provar à universidade que nossa proposta é inteligente. Então, temos que ler muitos artigos, publicações e livros sobre a área de pesquisa para compreender o trabalho e conceituar uma solução inovadora. Se eles perceberem que a idéia é boa, as portas para nos receber serão abertas com mais facilidade."

Se criatividade e determinação são predicados exigidos ao candidato, ele também deve se armar de uma boa dose de paciência. Há um vasto campo burocrático a ser seguido pelo candidato para provar que ele quer estudar e merece ser pago para isso.

O engenheiro e professor Jorge Paes Rios, que foi bolsista em mais de uma ocasião e viveu trabalhando em diversos países, abriu seu próprio site ( www.profrios.hpg.com.br ) para orientar quem quer fazer o mesmo. Ele ensina que, depois de escolher a área de estudo, o principal é escolher a instituição, entre os países que oferecem cursos específicos e seguir as suas exigências passo a passo.

A maioria das bolsas exige uma carta de apresentação de alguma instituição de ensino superior (IES) que as represente no Brasil e o termo de aceitação da instituição que acolherá o bolsista no exterior. Um dos representantes do programa Alban no Brasil é a Universidade de Campinas (Unicamp). "Esse gênero de bolsa é importante tanto para o estudante quanto para o país", observa Daniel Hogan, pró-reitor em pós-graduação desta universidade.

"Além de ser uma experiência cultural, permite uma formação diferenciada do profissional", observa Hogan. Por isso, um dos compromissos exigidos aos futuros bolsistas é a garantia de que voltarão ao país de origem para aplicar os seus conhecimentos.

Nem todas as universidades exigem experiência anterior como o programa de bolsas para mestrado e doutorado do Russel E. Train, representado no país pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB), cujas inscrições encerram dia 30 de janeiro (www.iieb.org.br). Essa bolsa é voltada para a educação para a natureza e exige dois anos de experiência em atividades da área.

Para quem quiser ficar mais perto do Brasil, o programa The Ryoichi Sasakawa Young Leaders Fellowship Fund, patrocinado pela Fundação Nippon, oferece bolsas de pós-graduação na Universidade do Chile ( www.uchile.cl ). Para estudos de gênero e cultura com menção em Humanidades, as inscrições estarão abertas até 20 de dezembro e até dia 30 para mestrados em estudos latino-americanos.

A fundação Nippon foi criada em 1984 por Ryoichi Sasakawa, membro da Fundação Industrial Japonesa de Construção Naval e presidente da Fundação de Saúde Memorial Sasakawa, falecido em 1995. Anualmente, ela também premia com US$ 200 mil pessoas que tenham contribuído para a gestão e a proteção do meio ambiente. Este ano, ela agraciou Dener Giovanini, brasileiro que luta contra o comércio de animais silvestres e dividiu o prêmio com o ativista chinês Xie Zhenhua.

Como se vê, as possibilidades de se conseguir uma bolsa de estudo são inúmeras, basta entrar neste universo. E, finalmente, seguir um conselho acadêmico extraído da página virtual do professor Rios: "Seja esforçado acima de tudo."

(Valor – 10/12/03)