De olho nos administradores
de shoppings
A expansão
do setor de shopping center no Brasil fez com que a imagem
de seus administradores mudasse radicalmente nos últimos
anos. O antigo estigma de "síndicos de condomínios"
cedeu espaço para o status de "prefeitos de mini-cidades".
Diante dessa evolução constante, a Fundação
Getúlio Vargas (FGV-RJ) e a Associação
Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) decidiram criar o
MBA Shopping Center para fazer com que a administração
desses "prefeitos" acompanhe a velocidade das transformações
do segmento.
"Identificamos
que o shopping center é uma área em crescimento
no Brasil, mas os profissionais são formados na prática
e não têm uma teorização sobre
os procedimentos administrativos", diz Paulo Lemos, superintendente
da FGV Management no Rio.
Este é
o primeiro curso no gênero na América Latina.
Para sua formatação, a FGV fundiu quatro de
seus MBA´s já tradicionais: finanças,
varejo, marketing e executivo. A eles, foram adicionadas disciplinas
específicas na área jurídica, técnica
operacional, marketing de shopping, gerência comercial
e financeira. Ao todo são 21 matérias ao custo
à vista de R$ 13.800. "Tomamos como paradigma
a indústria americana de shopping center, sem dúvida,
a mais desenvolvida do mundo", explica Cláudio
Guaranys, vice-presidente da Abrasce.
O MBA
Shopping Center começa em fevereiro no Rio. A previsão
da FGV é que no segundo semestre uma nova turma seja
formada em São Paulo e depois siga para o interior
do país. O curso terá 360 horas e duração
de 11 meses. "Há uma demanda reprimida para cursos
de especialização em shopping de profissionais
pelos que trabalham há anos no setor e não tiveram
a oferta de um curso sistematizado", acredita Lemos.
Estimativa
da FGV mostra que a maior parte dos administradores de shopping
center no Brasil possui nível superior e algum tipo
de especialização. São engenheiros, advogados,
administradores, comunicólogos, entre outros. "A
proposta é fazer com que todas essas áreas se
comuniquem melhor e que sirva de atração do
mercado profissional", afirma Lemos. O foco é
fazer com que o gestor promova equilíbrio em todas
as ações do shopping e consiga harmonizar todos
os interesses dos lojistas, dos clientes e do shopping, com
promoções integradas, apesar das inúmeras
diferenças que existem entre os estabelecimentos.
O superintendente
da FGV observa que o recrutamento no setor tem uma característica
particular. O pessoal é recém-formado, trabalho
um pouco e depois é contratado para outro shopping
apenas com a experiência empírica de sua atuação.
Isso não quer dizer que o MBA será pura teoria.
"Teremos muitas aulas de estudos de caso com os melhores
profissionais do mercado", diz Lemos.
A posição
dos shoppings centers é privilegiada no Brasil. O país
é o décimo no mundo em quantidade de centros
de compra construídos. Hoje, há 253 unidades,
229 em operação e 34 em construção.
Fora a expansão do número de shoppings, os centros
mais antigos também ampliam suas instalações
e se atualizam, o que requer mão-de-obra mais qualificada.
"Apesar do cenário positivo, infelizmente, não
temos o prestígio como geradores de emprego e promotores
de tecnologia de ponta que merecemos", destaca Guaranys.
"O MBA vai agregar essa mais valia à indústria",
prossegue.
O setor
emprega 453 mil funcionários. Nos últimos 20
anos, verificou-se uma mudança de rota nos empreendimentos.
Em 1983, 15% estavam no interior brasileiro, atualmente, o
percentual se elevou para 45%. De acordo com Guaranys, shoppings
como o Morumbi, em São Paulo, e BarraShopping, no Rio,
recebem em média 90 mil pessoas por dia e empregam
cerca de 7.500 pessoas diretamente. "Embora o espaço
físico seja mais concentrado, o fluxo de pessoas é
de uma cidade média", avalia o vice-presidente
da Abrasce.
As perspectivas
do setor são ainda mais otimistas. Os shoppings foram
um dos poucos segmentos que viu o "espetáculo
do crescimento" ultrapassar a barreira das vitrines.
As vendas no Natal aumentaram 5% em relação
ao mesmo período de 2002 e 2003 deve fechar com expansão
de 3% de vendas em um ano bem desfavorável. O faturamento
do setor deve ser fechado em torno dos R$ 30 bilhões.
Para este ano, as estimativas também são otimistas.
A Abrasce estima crescimento de 5% no ano, acima do previsto
pelo Banco Central (BC) para o país (3,5%).
(Valor
Econômico – 14/01/04)
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