Mulher assume cargo de alto risco

Cassia Gisele Ribeiro

Um novo tipo de discriminação contra as mulheres têm sido observado nos mundos corporativo, político e judiciário: elas estão sendo indicadas para cargos de alto escalão somente quando há um alto risco a ele associado. A mulher tem mais chances de ser indicada para postos no conselho de administração ou para outras vagas de liderança durante períodos de vacas magras para a empresa.

O fenômeno foi identificado por psicólogos da Universidade de Exeter, na Inglaterra e batizado de “glass cliff” (literalmente, “abismo de vidro”). O estudo, realizado com empresas de vários países, mostra que o fenômeno torna mais difícil para a mulher obter sucesso, já que ela é responsabilizada por problemas que já existiam. Segundo os psicólogos, que também coletaram dados por meio de uma sondagem via Internet, os participantes acham que a mulher é mais propensa a aceitar postos de alto risco porque suas oportunidades são menores.

No Brasil, um fenômeno equivalente é chamado por sociólogos e especialistas na área de “teto de vidro”. “As leis dentro das empresas, da política e do poder judiciário permitem que homens e mulheres atinjam os cargos de alto escalão, no entanto, as chances reais dela atingir esse cargo são muito pequenas”, afirma Natalia Mori, assessora parlamentar da ong Cfemea. “Além disso, no Brasil, a diferença entre os salários de homens e mulheres aumenta quando aumenta o nível de escolaridade entre eles”, conta.

Segundo dados do Censo 2000, cerca de metade da população economicamente ativa no Brasil é composta por mulheres. No entanto, ainda não foram superados os obstáculos de acesso a cargos de chefia, mesmo com a escolaridade média das mulheres sendo de um ano mais do que a dos homens (7,3 anos para as mulheres, 6,3 anos para os homens). Os números mostram que apenas 30% desses postos de trabalho são ocupados pela população feminina.

“Se nós fossemos falar sobre mulheres negras, esse número cairia consideravelmente”, afirma Natália. Segundo ela, a questão também atinge as mulheres no judiciário e na política. “Ainda temos um número muito baixo de mulheres concorrendo às eleições, principalmente nos cargos de deputada, senadora e vereadora”, diz.

Natália conta que existe a idéia de estabelecer uma política de cotas, especialmente no poder judiciário, para que mais mulheres consigam atingir os cargos de gerência e presidência. “Nós sabemos que as mulheres possuem a competência necessária para atingir esse patamar, no entanto, elas precisam ser indicadas por pessoas que ainda estão em uma cultura ainda machista”, afirma.

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