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Trabalho independente garante autonomia no aconselhamento
Por pressão
do mercado, o Brasil começa a dar atenção para
o coach, ou gestor de carreira. Algumas corporações
dispõem dessa orientação para trainees, poucas
oferecem atendimento interno com especialista contratado, como o
Citibank, e algumas outras de grande porte contratam agentes externos
para seus diretores.
No mundo corporativo,
os executivos, para ter mais liberdade de diálogo, têm
recorrido, bancados ou não por suas empresas, aos coachs
autônomos. Surgem várias empresas especializadas na
área, criadas por quem tem experiência de RH e vivência
executiva. Esse é o caso de Luciana Sarkozy, de 31 anos,
sócia da Career Center. Ela fundou a empresa há um
ano e já atendeu 150 clientes.
"Os executivos
querem discutir a carreira com alguém isento", explica
Luciana. Ela diz que aplica coaching (treinamento) com profissionais
que nem sempre sabem administrar o tempo nem a profissão
de maneira a ter qualidade de vida, ou que buscam ter pensamento
estratégico, desenvolver marketing pessoal e habilidade de
negociação. Formada em Administração
pela Fundação Getúlio Vargas, com mestrado
em Psicologia na Universidade de Illinois (EUA), Luciana não
se arrepende de ter deixado o trabalho em consultoria. "Temos
até parceiro capitalista para o negócio."
No caso de Rubens
Marques Gimael, de 41 anos, diretor geral da Personal Consulting,
sua virada profissional começou em um programa de treinamento.
Por 13 anos, atuou como executivo em empresas como BBM, Souza Cruz
e Banco Crefisul e foi diretor financeiro da Multicanal e de planejamento
da TVA.
Durante um aconselhamento,
percebeu que podia descobrir talentos para as corporações.
Foi headhunting (caçador de talentos) por três anos
em empresas como Spencer Stuart e Passarelli Consultores. Especializou-se
em aconselhamento em Nova York e mudou de novo. Fundou a Personal
Consulting, que atende executivos de empresas como Bayer, Ripasa,
Unilever, Daimler Chrysler. "Trinta por cento do sucesso profissional
advém do conhecimento; outros 70% da atitude", diz,
ao explicar que a carreira de coach tem futuro.
Eliana Dutra,
de 47 anos, do Rio de Janeiro, é uma das poucas coachs brasileiras
a integrar a International Coaching Federation - representante mundial
da categoria. Ela atende profissionais de outros Estados por telefone.
Há executivos que desembolsam R$ 1,2 mil por mês para
o atendimento personalizado de três horas por mês. "Quando
comecei, atendia de graça. Agora recebo telefonemas de diretores
que me pedem ajuda em momentos difíceis, como a tarefa de
ter de enxugar 30% de funcionários da empresa."
(O Estado
de S. Paulo - 15/04/02)
Cresce papel do 'coach' no mundo dos negócios
Patricia Bueno,
34 anos, diretora-adjunta de Recursos Humanos para consumer do Citibank
no Brasil, recebe em sua sala de vidro do 15.º andar, com vista
para a Avenida Paulista, em São Paulo, profissionais que
a ela recorrem em busca de palavras de aconselhamento e reflexão
sobre a carreira.
Funcionários
daquela instituição financeira, até mesmo os
de alto escalão, a questionam com perguntas que exigem objetividade,
transparência e cuidado. "Muitos perguntam como eles
são vistos dentro da empresa e o que podem fazer para melhorar
sua performance e satisfação."
A tarefa de
Patricia é auxiliá-los a tomar as melhores decisões
na carreira. Função nem sempre fácil. "Às
vezes vive-se uma saia-justa de chegar à conclusão
com o profissional de que ele está na empresa errada para
o que pretende. Em certos momentos, é preciso ir contra o
interesse da organização, já que se tem de
dizer para o profissional que é produtivo para empresa, que
o que ele procura está lá fora."
A executiva,
apesar do nome formal do cargo, assumiu uma função
que hoje está começando a ser valorizada, no Brasil,
dentro das corporações. Chama-se coach, que vem do
inglês, treinador, uma profissão tão em voga
nos Estados Unidos quanto o personal trainer. O coach é tido
como treinador do mundo dos negócios, a quem os americanos
chamam também de Personal Business Training.
Bastante organizada
nos EUA, a profissão desses que são mais do que conselheiros,
tem federação e sites interativos, até mesmo
com apresentação de vídeos na Web. Por lá
os profissionais passam por curso de especialização
e certificação. No Brasil, o segmento esboça
crescimento, dizem os profissionais da área, mas se depara
com falta de cursos para formação.
De acordo com
Neil Sendelbach, professor-adjunto de Educação Executiva
da University of Michigan Business School (UMBS) e diretor do Pressing
Problems Initiate - órgão da própria universidade
americana que se dedica ao estudo das questões gerenciais
e administrativas que preocupam os executivos da atualidade -, nos
EUA, a prática de coaching tem se tornado comum, tanto internamente,
na empresa, como a contratação de profissionais externos,
que auxiliem na retenção de pessoal. "Na medida
em que a empresa demonstra o interesse em oferecer esse serviço,
o profissional percebe que é um elemento chave na organização",
avalia Sendelbach. "O desenvolvimento desse tipo de trabalho
se dá em decorrência da velocidade das mudanças
no mundo corporativo e em conseqüência da duração
da carreira. Hoje em dia, não dá para o profissional
ficar dois ou cinco anos no mesmo cargo para adquirir experiência,
como era antes. Há muito o que ser aprendido e em pouco tempo."
No caso de Patricia,
do Citibank, ela conta que foi assumindo a função
informalmente, como resposta à procura dos profissionais
do banco. Formada em Administração de Empresas pela
Universidade de São Paulo e com MBA em Recursos Humanos pela
mesma instituição - no segundo curso ela pôde
aprofundar conhecimentos - , hoje ela conquistou respaldo do banco,
que respeita sua atuação com certa formalidade. Ela
está desenvolvendo uma ferramenta interna de comunicação
online para auxiliar os profissionais do Citi, com programas de
medição de satisfação por exemplo e
de autogestão.
Mas a organização
encara a carreira como responsabilidade de cada um. "Ajudo
o profissional a segurar a ansiedade de carregar o mundo dos negócios
nas costas e a procurar qualidade de vida, a se comunicar e ter
retorno e mesmo a traduzir experiências."
(O Estado
de S. Paulo - 15/04/02)
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