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Boa fluência verbal ajuda executivos
Falas claras
e bem pontuadas, olhares atentos, gestos expressivos e muito autocontrole.
Executivos estão em busca desse aperfeiçoamento em
cursos de oratória, já que no mundo corporativo ter
boa expressão verbal faz a diferença.
Leia
mais:
Falar, olhar e gesticular bem: estilo Jefferson ajuda executivos
Falas claras
e bem pontuadas, olhares atentos, gestos expressivos e muito autocontrole.
Nos dias atuais, falar bem e saber responder com maestria qualquer
tipo de pergunta, mesmo as mais provocativas, não são
habilidades que ajudam apenas nos embates políticos, como
os vistos nas últimas semanas durante as Comissões
Parlamentares de Inquérito (CPIs), principalmente envolvendo
o deputado Roberto Jefferson. No mundo corporativo, ter boa expressão
verbal também faz muita diferença para os executivos.
"Saber
falar bem é muito importante na empresa, e acredito que tem
mais sucesso quem sabe se expressar melhor, pois nós vivemos
de relações com outras pessoas", diz José
Roberto Bernasconi, presidente da empresa de engenharia Maubertec.
Ele explica que é preciso saber transmitir entusiasmo para
seu grupo, compartilhar a visão de negócio e convencer
todos a seguirem o sonho do executivo. "É isso que classifica
a liderança."
Bernasconi fez
curso de oratória e acredita que isso o ajudou muito na vida
profissional. "Tenho convicção de que dominar
as técnicas de expressão verbal promovem o reforço
da autoconfiança e são instrumentos para o executivo
se posicionar melhor no mundo", diz.
Entre as técnicas
que ele coloca em prática, e que podem ser vistas na TV neste
momento de turbulência política, é o esmero
com a expressão corporal, combinando gestos e um adequado
tom de palavra a cada significado. Além disso, ele afirma
que estar preparado para uma reunião ou discurso é
fundamental. "O melhor improviso é aquele que escrevi
em casa várias vezes", diz.
Para o especialista
em oratória Reinaldo Polito, outros pontos ajudam na vida
corporativa. "É preciso tomar cuidado com a linha de
argumentação, pois num processo de negociação
ou na hora de divulgar uma decisão não se pode ser
surpreendido por dúvidas do ouvinte", diz. Mas, segundo
ele, diferentemente do que acontece na política, não
é bom transformar uma apresentação em espetáculo.
"O profissional pode perder a credibilidade e parecer artificial.
Não se pode perder a espontaneidade", diz.
A fonoaudióloga
Glória Beuttenmüller, conhecida como Glorinha, tem sua
receita: "Numa discussão, o ideal é dar uma pausa
e começar com um tom de voz mais baixo, para manter o controle.
Nunca grite, pois a voz aguda é como um carro sem freios,
que não podemos controlar." Glorinha é figura
lendária no mundo da expressão verbal. Treinou atores,
políticos e executivos ao longo de 40 anos.
Polito e Glorinha
ressaltam que há muitos exemplos de boa expressão
verbal nas discussões vistas nas CPIs e que podem ser aproveitadas
na vida corporativa, desde que baseadas na ética. Lá,
dizem, podem ser observadas diversas técnicas de oratória
(veja quadro ao lado) que são bem aplicadas, principalmente
por Jefferson. "Ele faz pausas nas frases, valorizando a informação,
e deixa, de certa forma, o ouvinte refletir, ao mesmo tempo em que
continua olhando para a platéia, mantendo uma linha ligada
com quem o escuta", diz Polito.
De acordo com
ele, o uso da voz de Jefferson também é exemplar.
"Ele fala com bom volume, não tem dúvida do que
diz. No momento que precisa usar mais de emoção ele
fala mais alto, fica mais contundente. A mesma coisa ocorre na empresa.
Se está defendendo projeto que exige investimentos vultosos,
tem que dar ênfase para falar da sua importância."
A preparação
também faz parte, principalmente para se passar credibilidade.
Neste ponto, Polito afirma que é notável como Delúbio
Soares, Marcos Valério e José Dirceu foram ganhando
maior preparação com o desenrolar da crise. "No
começo, Delúbio era mais frágil, falava baixo,
se enroscava nas frases e olhava para baixo. Na CPI já estava
sereno e estava muito mais bem preparado."
Outro detalhe
interessante no desempenho de Jefferson, diz Glorinha, é
a forma com que as frases são construídas, tomando
cuidado com as palavras e utilizando figuras de linguagem, que tornam
a mensagem mais atraente. "É preciso ainda evitar vícios
de linguagem, repetir palavras e fazer sons que atrapalhem, como
um 'ahn' entre uma frase e outra."
A fisionomia
é outro ponto de destaque do deputado: demonstra que está
prestando atenção, gesticula, mas sem excesso, e cada
gesto corresponde a uma informação inteira. "Ele
sabe olhar e atingir o interior das pessoas", diz Glorinha.
Mas, para Polito,
existe ainda um ponto fundamental no uso da oratória: "É
preciso falar a verdade, pois a ética está intimamente
ligada a oratória. Se Jefferson estiver mentindo, ele está
representando, não sendo um bom orador", diz.
(O Estado
de S. Paulo - 15/08/05)
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