Começam a aumentar as contratações de
executivos
Um certo
otimismo começa a se espalhar pelas empresas que recrutam
executivos no país. Depois de um ano difícil,
com poucos negócios fechados, no último mês
várias destas companhias já notaram um aumento
na procura por seus serviços. Projetos que estavam
congelados, na opinião dos profissionais da área,
estão começando a sair da gaveta. A previsão
dos headhunters, embalados pelas perspectivas favoráveis
para a economia, é de que as contratações
aumentem até o fim do ano. Isso porque esta é
a época em que muitas companhias estarão se
reestruturando para começar suas atividades a pleno
vapor, a partir de fevereiro. A hora é de montar equipes
e se preparar para uma possível retomada nos negócios.
Na Simon
Franco/TMP Hudson Highland Group, a surpresa aconteceu nos
últimos quinze dias. "Tivemos uma procura maior
do que a registrada no ano inteiro", conta Simon Franco.
Mesmo assim, ele explica que se comparado com o ano passado,
a queda no número de contratações em
2003 foi de 20%. "Precisamos que o país volte
a receber investimentos e acredito que isso acontecerá
em 2004", diz. Se houver uma retomada na economia dos
EUA, que é voltada para investimentos, ele acredita
que depois da China, o Brasil poderá ser beneficiado.
"Estamos com uma imagem melhor lá fora, podemos
nos tornar a bola da vez", diz.
Todas
as apostas dos headhunters estão atreladas à
performance da economia mundial. "Trabalhamos com muitas
multinacionais, tudo vai depender do que acontecer lá
fora", explica Felipe Assumpção, presidente
da SpencerStuart. Ele calcula que de 2000 até meados
de 2003, o mercado de contratações de executivos
tenha encolhido 70% no país, e que agora essa queda
esteja por volta de 50%. "Se tomarmos como base o 2002
acredito que na SpencerStuart esse ano está melhor",
diz.
"A
máquina voltou a girar com esse clima de otimismo",
diz Vânia Lage, gerente de assessoria em gestão
de RH, da KPMG. Tendo como base o mesmo período pré-natalino
no ano passado, ela acredita que os negócios de sua
companhia no país subiram 20% este ano. "Outubro
foi um mês bom, novembro nem tanto, mas comparando com
2002 estamos melhor", explica.
Na PMC
Amrop International, os primeiros sinais de uma melhora nos
negócios vêm aparecendo há dois meses.
"Não é nada excepcional", observa
o sócio Guilherme Velloso. "Se a tendência
de recuperação do consumo se mantiver, haverá
um aumento na produção, aí teremos chance
de ter um 2004 melhor", diz. Esse ano, a PMC Amrop acredita
ter crescido entre 15 e 20% em relação ao ano
passado.
Fátima
Zorzato, da Russell Reynolds, alerta que novembro normalmente
é um mês em que as empresas começam a
pensar em contratar para poder estar com suas equipes completas
até fevereiro. "Este é um mês típico
de revisão, avaliação e planejamento,
quando as companhias vêem o que fizeram e fazem planos
para o ano", diz. "Não vi nada significativo
que sustentasse uma mudança de cenário".
Na Russell & Reynolds, os negócios se mantiveram
desde 2002, sem grandes alterações. "O
nosso ano passado não foi ruim", diz.
A diferença
deste ano para o anterior, segundo Fátima, foi o tipo
de profissional procurado. "Em 2003 a procura foi menor
pelo primeiro homem da organização e maior por
pessoas para formarem equipes", diz. "Houve muita
substituição também".
"As
empresas não estão contratando para posições
novas, mas substituindo executivos por questões de
desempenho", diz Jeffrey Abrahams, sócio da Tasa.
Para ele, as companhias estão mais disciplinadas, precisando
de pessoas para lidar com a rapidez das informações
e que tenham um bom controle emocional para lidar com a crise.
Sua empresa terminará o ano tendo realizado menos negócios
que no ano passado, registrando uma queda de 15%.
Entre
os setores que mais contrataram executivos este ano, segundo
a maioria das empresas ouvidas pelo Valor, está o agroindustrial.
"São empresas que têm negócios ligados
à exportação e que se beneficiaram com
o câmbio", lembra Guilherme Velloso, da PMC Amrop.
Uma das áreas que menos contratou, segundo os headhunters,
foi a de tecnologia.
Dentro
das companhias, uma área que deve voltar a contratar
profissionais é a comercial. "Ela sofreu muito
em 2003, sobravam currículos e faltavam posições,
agora as empresas estão começando a voltar a
fazer planos para contratar", diz Danielle Sarraf, diretora
da Mariaca Associates, responsável pela área
de recrutamento de executivos. Em sua empresa, ela notou uma
melhora na busca de serviços nos últimos três
meses. "Estamos otimistas em relação ao
ano que vem".
Sérgio
Averbach, diretor-regional da América do Sul da Korn/Ferry
International, acredita que uma retomada mais acentuada nos
negócios está prevista para o segundo trimestre
do próximo ano. "O reflexo da queda nos juros
poderá influenciar o aquecimento econômico e
conseqüentemente as contratações",
diz. Ele acredita também que haverá um ajuste
na demanda por profissionais, que foi reprimida nos últimos
anos.
Nos últimos
meses, a Korn/Ferry também sentiu uma melhora nos negócios.
A empresa foi contratada, principalmente, para buscar executivos
para grandes grupos nacionais, que passam por processos de
profissionalização ou reestruturação
de negócios.
(Valor
Econômico – 19/11/03)
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