Jogos colocam empresas nas mãos dos funcionários

Cada vez mais empresas simulam jogos entre funcionários com o objetivo de integrar e resolver problemas do dia-a-dia.

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Jogos colocam empresas nas mãos dos funcionários

No país Tropicália, sete bancos negociam créditos, compram e vendem dólares, cotam taxas de juros e fazem transações financeiras. Quando começa o expediente bancário, os ânimos se alteram, os telefones tocam sem parar e as estratégias são traçadas com planilhas e muita discussão entre os que encabeçam as operações do banco. "Quanto é o lote de dólar? R$ 3,40 para compra e R$ 3,41 para venda? Então vamos comprar", negocia Luciana Tanus, do Banco 5, pelo telefone. Ao mesmo tempo, Patrícia Duglovit acaba de fechar uma transação de milhões de dólares com o Banco 2 via internet.

Este cenário, bem próximo da realidade, era o que 28 funcionários do banco Nossa Caixa viviam semana passada, durante um treinamento intenso chamado Bank Simulation. Tropicália não existe, e os donos do Banco 5 na verdade eram os coordenadores Luciana Martins, Patrícia Duglovit, Lucas Yassumura e Gerson Lima, todos funcionários da Nossa Caixa. Eles e mais outros seis grupos formados tiveram que atuar como banqueiros e vivenciar durante uma semana todo o processo decisório de um banco, independente da área de atuação de cada um.

"Este treino dá às pessoas uma chance muito realista de exercitar conceitos e ver todo o processo ao mesmo tempo, além de fazer reciclagem de profissionais e promover a integração de funcionários de diversos segmentos", diz Rosana Gomes, sócia do Grupo Opções, que comandou a simulação.

No jogo, havia ainda um Banco Central que regulava o mercado e os políticos de Tropicália também podiam sofrer denúncias, um país podia entrar em guerra ou algum boato ser lançado no mercado, o que influenciava as taxas de juros e câmbio. Aos poucos, novos produtos e opções iam sendo introduzidos na simulação, como pregão na BM&F, swap - empréstimo entre bancos com juros iguais, porém em moedas diferentes - Certificados de Depósito Bancário, captação de dinheiro no exterior e possibilidade de hedge (salvaguardas) de capital.

Conforme Rubens Sardenberg, diretor de Finanças da Nossa Caixa, o treinamento foi programado tendo em vista uma mudança de perfil da empresa, que tem novos projetos na área financeira e de ampliação de suas operações. "Nossa política de atuação está se tornando mais agressiva e o banco ingressa em mercados profissionais para oferecer novos produtos", diz. Para isso, conta, é importante que os funcionários de diversos setores experimentem o funcionamento do banco e compreendam as necessidades de uma mesa de operações.

Refugiados em um hotel perto da capital paulista, os funcionários fizeram sua parte e se concentraram inteiramente no treinamento. Além das horas em que atuavam nos bancos, na verdade, quartos equipados com computador e telefones, eles também, a cada dia, ouviam palestras sobre temas ligados ao mundo das finanças, como taxa Selic e inflação. Nos exercícios de projeção de juros, por exemplo, eles aprenderam a pensar como os próprios banqueiros para escolher a melhor hora de captar ou oferecer crédito e obter lucro.

Rosana dá este treinamento há 15 anos. "Nenhum treinamento faz milagre, mas dá muito jogo de cintura, pois os participantes passam por todas as áreas e aprendem como funciona uma análise, o que dá segurança maior para sua atuação depois", diz. A funcionária Luciana concorda: "Sinto que aprendi muito e me integrei mais com pessoas de outras áreas e mais tempo de banco, o que melhora o clima de trabalho."

Outro modelo de treinamento interativo é o dado pela Vehuel, que utiliza tabuleiros em vez de computadores. Conforme Carmem Manzano, diretora da empresa, eles trabalham com 33 versões diferentes do jogo, que pode imitar o comportamento de um banco, indústria ou empresa de serviço, por exemplo. "De forma lúdica, as pessoas olham de cima todo o processo e vêem como funciona um banco desde a entrada do dinheiro do cliente, as relações com o BC e trocas interbancárias, até a influência do mercado internacional", diz.

Além disso, Carmem conta que muitas companhias oferecem participação nos lucros e dão o treino para estimular a produtividade. "O objetivo é que eles entendam os índices de lucro e saibam calculá-lo, porque senão cada um fica muito focado em sua área, sem perceber a real importância no todo, o que cada departamento contribui para o resultado financeiro", diz.

(O Estado de S. Paulo – 09/06/05)

   

 

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