Empresas abrem novo ciclo de prosperidade para executivos

Com a retomada da economia, a situação começa a mudar. “É a lei da oferta e da procura. Desde o fim do ano passado, o mercado está aquecido e as empresas estão melhorando as ofertas para atrair e manter profissionais”, garante especialista.

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Empresas abrem novo ciclo de prosperidade para executivos

Os anos de aperto econômico foram duros para os executivos brasileiros. Além de provocar estresse e roubar noites de sono, a crise econômica atingiu em cheio os bônus e os benefícios oferecidos pelas empresas. Com a retomada da economia, essa situação começa a mudar. “É a lei da oferta e da procura. Desde o fim do ano passado, o mercado está aquecido e as empresas estão melhorando as ofertas para atrair e manter profissionais”, diz Marcelo Braga, vice-presidente e sócio da Fesa Global Recruiters, empresa especializada em recrutamento de executivos.

Segundo Braga, apenas na Fesa os negócios cresceram 54% entre janeiro e setembro, em comparação com o mesmo período de 2003. Isso significa que as empresas estão contratando mais funcionários graduados. Em média, 30% dos executivos recrutados pela empresa são para cargos de alto escalão, e 70% para média gerência. Os reflexos mais imediatos da recuperação econômica podem ser percebidos nas vantagens oferecidas para os recém-contratados.

As empresas têm sido mais agressivas na oferta dos chamados hiring bonus, os bônus ou luvas de contratação. “Em momentos de crise, esse tipo de bônus praticamente cai a zero. Na retomada, voltam como incentivo para profissional trocar de emprego”, diz Braga, da Fesa. As luvas de contratação são um tipo de benefício que varia de acordo com o ramo de atuação da empresa e o cargo do executivo.

“O valor dessa bonificação pode variar de três a doze meses de salário. Há casos de presidentes e vice-presidentes em que chega até a 18 meses”, diz Felipe Rebelli, sócio da consultoria internacional Towers Perrin. As empresas do mercado financeiro são as mais agressivas nesse tipo de oferta.

O cenário econômico mais favorável já conta muito para os executivos. “Seus ganhos por resultado tendem a melhorar com uma economia mais aquecida. As vendas e a lucratividade aumentam e, com isso, os bônus que eles recebem também crescem”, explica Marcos Morales, diretor de capital humano da consultoria americana Watson Wyatt.

As empresas também estão reforçando os pacotes de ofertas com novidades. Alguns programas de previdência privada estão mais vantajosos, com maior contrapartida da empresa nos depósitos e com a possibilidade do executivo transferir seu capital para outro plano se mudar de emprego. Há, ainda, os chamados benefícios flexíveis, que permitem ao funcionário montar o pacote de vantagens que mais lhe convém.

Nesse tipo de pacote, as empresas determinam uma cota do salário anual do funcionário, que varia entre 2% e 6%. Desse valor, abatem os custos dos benefícios obrigatórios, chamados mandatórios, plano de saúde, seguro de vida em grupo, auxílio alimentação.

O que sobrar do total pode ser gasto pelos funcionários em uma série de opções oferecidas pelas empresas, normalmente ligadas a maior qualidade de vida. Tanto podem ser aulas de ioga como tratamentos odontológicos ou cirurgias plásticas. “É um diferencial que atrai simpatia, tem um ótimo resultado para a imagem da empresa” explica Morales.

(O Estado de S. Paulo)

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