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Artrose é a maior causa de afastamentos
Cerca de 18%
dos trabalhadores solicitaram auxílio-doença à
Previdência Social por conta de serem vítimas da dorsalgia,
uma espécie de artrose, distúrbio que destrói
a cartilagem do organismo. Dores constantes, especialmente em regiões
como mãos, quadril, joelhos e coluna e aparecimento de pequenas
calosidades são os sintomas mais evidentes.
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- Artrose é a maior
causa de afastamentos
Artrose é a maior causa de afastamentos
O nome pode
ser desconhecido de muitos brasileiros, mas a dorsalgia, uma espécie
de artrose, distúrbio que destrói a cartilagem do
organismo, é a doença que mais afastou profissionais
de seu trabalho com solicitação de auxílio-doença
à Previdência Social.
Dos 1.398.266
benefícios concedidos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social) de janeiro a outubro de 2005, a dorsalgia foi a responsável
por 66.045 casos, 4,7% do total. Se consideradas todas as enfermidades
relacionadas à artrose, o índice é de 18,6%.
Dores constantes,
especialmente em regiões como mãos, quadril, joelhos
e coluna, além de, em alguns casos, aparecimento de pequenas
calosidades, são os sintomas mais evidentes da artrose, que,
de acordo com a Organização Mundial de Saúde,
atinge de 40% a 60% da população adulta.
"A doença
é a segunda causa de incapacidade crônica entre homens
acima de 50 anos, perdendo apenas para os problemas cardiovasculares.
Entre as mulheres, ocupa o terceiro lugar, após problemas
cardíacos e depressão", informa a professora-colaboradora
de clínica médica da Unifesp (Universidade Federal
de São Paulo) Evelin Goldenberg.
Mas, segundo
Goldenberg, doutora em reumatologia, a artrose não ataca
apenas os trabalhadores mais velhos. "Os jovens também
estão sujeitos à doença", afirma.
Foi o desconforto
ao dirigir e ao carregar material de construção que
tirou o motorista Jorge Pereira dos Santos, 58, de sua atividade.
"Sinto dores na coluna e nas mãos há dois anos",
reclama.
Com o aval da
firma, partiu para a função de encarregado de expedição.
"Mas continuei a levantar muito peso e as dores não
diminuíram nem com remédios."
Afastado há quatro meses, tem retorno previsto para o trabalho
em abril do ano que vem. "Porém não sei se estarei
melhor até lá."
Segundo a secretária-geral
da Sociedade Brasileira de Osteoartrose, Elaine de Azevedo, a doença
é crônica. "Não há cura. Mas existem
alguns tratamentos que podem reduzir as dores", explica.
A reumatologista
afirma que medidas simples podem reduzir as dores pelo corpo, como
o controle do peso e a atividade física. "Há
remédios de controle dos sintomas e da progressão
da doença. Nos casos mais graves, existe a possibilidade
de transplante."
De acordo com
Azevedo, quanto mais cedo a doença for diagnosticada, menos
seqüelas o paciente terá. "Detectar a artrose e
suas variações é tarefa simples: basta fazer
uma radiografia."
Para a profissional
Lucinéia Molina Garcia Carbonese, 41, a descoberta da doença
não foi tão rápida. Depois de cinco anos entre
médicos osteomoleculares, acunputuristas e ortopedistas,
a ex-assistente de vendas decidiu pedir demissão. "Não
conseguia mais andar, especialmente depois do nascimento de meu
terceiro filho. Para receber um cliente no escritório, precisava
me deslocar até a recepção e tinha de parar
várias vezes num trajeto curto", lembra.
O diagnóstico
de artrose no quadril veio apenas neste ano. "Agora, com o
tratamento adequado, não sinto mais nenhuma dor. Depois de
três anos fora do mercado de trabalho, finalmente penso em
retomar minha carreira. Quero me realizar profissionalmente também",
afirma.
(Folha de
S. Paulo – 19/12/05)
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