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‘Workaholic’ sai de moda
Os workaholics
estão perdendo espaço. Cresce o número de empresas
que criam programas para encorajar empregados a equilibrarem suas
vidas profissional e privada.
Leia
mais:
- ‘Workaholic’
sai de moda
- Profissional pode ser considerado
improdutivo
‘Workaholic’ sai de moda
Os workaholics
— aqueles profissionais que trabalham demais por prazer ou
vício — estão perdendo espaço. Cresce
o número de empresas que criam programas para encorajar empregados
a equilibrarem suas vidas profissional e privada. Até porque,
eles custam caro e elas percebem que funcionário que trabalha
12 horas por dia tem prazo de longevidade menor. Mas o caminho a
percorrer é longo: pesquisa do International Stress Management
Association no Brasil (ISMA-BR) mostra que hoje executivos de empresas
privadas e profissionais liberais trabalham de 50 a 52 horas semanais,
apesar de a Constituição limitar a carga a 44 horas.
“Há
empresas que começam a encarar a obsessão por trabalho
como um desequilíbrio, que reduz a visão de mundo,
compromete a criatividade e prejudica o processo de tomada de decisão”,
destaca Jacqueline Resch, da Resch RH.
Uma das dificuldades
para implantar essa mudança de comportamento, diz a presidente
da ISMA-BR, Ana Maria Rossi, é que muitas companhias querem
que esses funcionários desacelerem , mas seus líderes
não mudam o hábito de permanecer muitas horas na empresa,
trabalhando:
“É
o velho ditado do “faça o que eu digo, mas não
faça o que eu faço”. Aí, o funcionário
pensa: “será que meu chefe espera que eu também
destine mais horas de trabalho à empresa?”. O líder
precisa dar esse exemplo.
Para corrigir
problemas como esse, a Nokia implantou o programa “Apagar
as luzes”: de segunda a quinta, às 20h, e às
sextas, às 19h, todos os andares da empresa ficam às
escuras.
“Muitos
funcionários faziam jornadas de 12 horas diárias.
Isso pode ser necessário uma vez ou outra, mas percebemos
que era mais um hábito”, explica o diretor de RH da
companhia, Marcos Cominato.
Cominato diz
ainda que, para casos de necessidade — como teleconferências
com executivos de países com fuso horário diferente
— a empresa mantém uma sala em funcionamento. Mas acrescenta
que o apagão não é uma ação isolada.
Já que o workaholic se compromete tanto com metas e resultados
— o que o faz trabalhar até nos fins de semana e nas
férias — a Nokia lançou outro programa, de palestras,
que visa a despertar a da importância de se realizar outras
atividades.
Na GlaxoSmithKline,
o supervisor de administração de pessoal Marco Antônio
Borges, antes um workaholic confesso — ele chegara a se mudar
para perto da empresa para chegar mais rapidamente no trabalho —
virou modelo de uma campanha interna para que os funcionários
tivessem mais qualidade de vida:
“Fiquei
cinco anos sem tirar férias de verdade. Agora, eu levo meu
filho para a natação de manhã, e faço
aulas de vôlei e inglês”.
(O Globo
– 24/10/05)
Profissional pode ser considerado improdutivo
O workaholic
pode até ser visto como um profissional pouco produtivo,
já que não sabe se organizar nas oito horas diárias
e costuma levar trabalho para casa, dizem especialistas. Por isso,
há empresas que estão investindo em cursos e palestras
de gestão do tempo.
“E, com
o tempo, a produção tende a cair, uma conseqüência
de estresse, estafa e até doenças cardiovasculares.
Pesquisas mostram que 70% da população economicamente
ativa no Brasil sofre de estresse profissional. Por isso, há
companhias se engajando nesse pensamento de desaceleração”,
diz Ana Maria Rossi, da ISMA-BR.
Mas há
algum momento em que o workaholic é valorizado e até
bem-vindo? Sim, dizem os consultores empresariais: nos casos de
reestruturação organizacional, fusão ou aquisição
e venda de empresas, em que a empresa precisa de toda a dedicação
dos profissionais para voltar ao mercado de forma competitiva. Mas
é bom ter cuidado com o excesso.
“Às
vezes, é um equilíbrio difícil de se atingir,
principalmente quando vemos o enxugamento dos quadros de pessoal,
que resulta em sobrecarga de trabalho”, frisa Marina Vergili,
vice-presidente da Fesa Global Recruiters (empresa de recrutamento
de executivos).
Mas não
é impossível, e o supervisor de administração
de pessoal Marco Antônio Borges é um exemplo. Há
três anos, depois da fusão de três empresas que
deram origem à GlaxoSmithKline (GSK), ele começou
a mudar seus hábitos.
“Antes
da fusão, por cinco anos, trabalhei 12 horas por dia, inclusive
nos fins de semana. Cheguei a me separar da minha mulher. Mas a
mudança não foi imposta pela nova filosofia da empresa,
que de fato valoriza muito a qualidade de vida. Foi uma mudança
dentro de mim”, garante Borges.
Borges retomou
seu casamento, teve um filho, estuda inglês e joga vôlei.
E, há três meses, junto com a gerente de RH da empresa,
Tatiana Melamed, implantou na empresa o “Banco de horas”,
que ajuda a evitar os excessos:
“Metade
das horas extras dos funcionários são pagas, e a outra
metade vai para o banco, para que tirem folgas, cheguem mais tarde
ou saiam mais cedo quando quiserem. Além de sair mais barato
para a empresa, incentivamos os profissionais a passarem mais tempo
com a família ou fazendo o que gostam”, explica o supervisor
da GSK, que agora também é modelo da campanha interna
de equilíbrio.
Como na Nokia,
a Team, companhia aérea que faz vôos executivos regionais,
criou uma forma de impor limites aos funcionários que ficavam
horas demais trabalhando. Trata-se de um software que registra o
início e o fim de uma tarefa.
“Nosso
quadro tem muitos jovens, bastante qualificados, e essa garotada
gosta de mostrar serviço. Se deixar, ficam até às
22h pra fazer tarefas que não são tão urgentes.
Mas não é nada policialesco. Só queremos mostrar
que completá-las em menos tempo significa que estamos conseguindo
otimizar nosso trabalho e não que estamos trabalhando de
menos” , diz o diretor-presidente da Team, Mário Cesar
Moreira.
(O Globo
– 24/10/05)
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