Contratação de executivos vai contra maré

Pesquisas internas da consultoria em recursos humanos Right Saad Fellipelli demonstram que as contratações de executivos em 2003 foram superiores as de 2002. E que, para 2004, a expectativa é ainda maior. Espera-se crescimento, investimentos e aquecimento do mercado.

“Já é possível perceber uma leve movimentação do mercado neste início de ano”, afirma a gerente da unidade de Career Transition da Right Saad Fellipelli, Matilde Berna. “Acreditamos num resultado melhor este ano, porém temos que aguardar para uma avaliação mais correta”.

A gerente diz apostar numa melhora com base nas contratações de 2003. “O ano passado iniciou com o mercado em baixa, com poucas contratações, mantendo o mesmo quadro até maio”. Nesse mesmo mês, segundo ela, houve uma pequena reação, que foi acentuada em julho, quando as oportunidades cresceram em 80% se comparadas ao início do ano. Já em setembro, houve uma queda de aproximadamente 30% em relação a julho. Porém em outubro, o mercado se recuperou e manteve-se até meados de novembro, quando começou a cair novamente.

Para ela, essa situação instável deve-se ao fato de que 2003 foi um ano sem investimentos e consequentemente sem crescimento. Além do mais, as contratações foram para “substituições e não para a criação de novos cargos”.

Durante todo o ano passado, os setores mais aquecidos foram a indústria e os serviços. Entretanto, de acordo com a gerente, não houve uma centralização em um segmento específico, ficando bem pulverizado entre os diversos segmentos, com alguns destaques para varejo, farmacêutica, automação e bens de consumo.

Entre as áreas de atuação que mais contrataram em 2003 estão: comercial, finanças e recursos humanos. Berna afirma não haver nenhum motivo específico para a procura dessas áreas, exceto o fato de que finanças e comercial são sempre as mais movimentadas por serem as mais visadas em qualquer empresa. “Mas é só a crise aumentar que começa a dança das cadeiras”, diz ela.

No caso de recursos humanos, a especialista diz estar relacionado à mudança de perfil desse profissional de uns 10 anos para cá. “ Hoje ele é bem mais estratégico, ocupando um papel importante no negócio. Além do mais, as empresas também estão mais preocupadas com seu recursos humanos, como reter talentos e desenvolver pessoas”.

(Marina Rosenfeld - 26/01/04)

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