Profissionais estão demorando menos tempo para se recolocar no mercado

Empresas que auxiliam profissionais na busca de uma nova oportunidade e na transição de carreira detectaram queda no tempo de encontro de uma nova posição no mercado.

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    - Setor de alimentos lidera contratações
    - Rede de contatos é o principal suporte à transição na carreira

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Setor de alimentos lidera contratações

Empresas que auxiliam profissionais na busca de uma nova oportunidade e na transição de carreira detectaram queda no tempo de encontro de uma nova posição no primeiro semestre deste ano em relação ao ano passado, bem como maior conscientização das empresas e dos funcionários para práticas responsáveis de demissão. Mas os estudos sobre migração de trabalho indicam que os profissionais têm de lidar com muita pressão, mudanças e investir muito em canal de solidariedade para galgar uma boa oportunidade.

A média de recolocação apurada pela Career Center, de São Paulo, por exemplo, aos seus clientes atendidos neste ano é de três meses, dois a menos que em 2004. A maior parte dos entrevistados, 93%, conquistou um novo posto, enquanto 7% optou por abrir negócio próprio. Estudo da Mariaca & Associates indica não só menos tempo de recolocação mas um grau maior de otimismo entre os demitidos em relação ao mesmo período no ano passado. De acordo com a consultoria, os segmentos que mais contrataram os profissionais com relativa experiência no mercado foram alimentos, 22%; tecnologia, 13%; eletroeletrônicos, 11% e comércio varejista, 11%.

Dentro desses setores, as áreas que mais acolheram os profissionais foram comercial e marketing, recursos humanos e tecnologia da informação. “Há coincidências, setores que muito demitiram também foram os que mais contrataram”, observa Irene Azevedo, sócia diretora da Mariaca, Responsável pela Área de Consultoria em Liderança e Coaching.

Na lista dos que mais demitiram foram indústria financeira, 18%; farmacêutico e de higiene, 16; bebidas e fumos, 15% e telecomunicações, 15%.

Os consultores salientam que as empresas têm se conscientizado da importância de oferecer apoio ao funcionário na hora da demissão, como palestras, seminários, orientação financeira e auxílio no planejamento dos próximos passos na carreira. Mas há também estudos críticos que revelam que mesmo empresas consideradas exemplares ainda tratam a demissão com descaso. A versão deste ano da pesquisa Práticas de Demissão de Executivos nas Maiores e Melhores Empresas do Brasil, da consultoria Minarelli, dá conta do crescimento do número de executivos demitidos mais de uma vez (de 36,7% para 40%), o que demonstra aumento da rotatividade e procura por profissionais com características diferentes das valorizadas anteriormente, vocacionados agora para o que chama de gestão participativa.

Outra evidência do estudo é que a grande maioria dos demitidos (82,1%) foi liberada imediatamente do trabalho, o que a consultoria denomina como separações de forma cirúrgica e asséptica, com o objetivo de rapidamente implementar a nova gestão.

O número de executivos que se sentem aliviados com a demissão cresceu 10 pontos percentuais, passando de 34,1 % em 2003 para 44,1% na versão atual. O contingente dos que consideram a demissão injusta aumentou de 79,3% para 91,4%, porém a percepção de que o processo de desligamento foi bem conduzido apresentou uma melhora, subindo de 34,9% para 44,3%. “Trata-se de um indício de que as empresas estão evoluindo em termos de políticas e procedimentos para a demissão de seus executivos”, considera José Augusto Minarelli.

O estudo indica também maior conscientização dos profissionais quanto às condições do mercado de trabalho. Questionados se esperavam ser demitidos, 46,5% afirmaram que sim, contra 38% em 2003 e 23,1% em 2002. No entanto, ainda continua elevada a porcentagem dos que se surpreenderam com o desligamento (53,5%). O mesmo ocorre com os que não possuem plano alternativo para a demissão (52,7%), mas a curva de aprendizagem é ascendente: em 2004, 47,3% declararam ter um plano B, contra 39,8% em 2003.

(O Estado de S. Paulo – 21/08/05)

   

Rede de contatos é o principal suporte à transição na carreira

Tem preguiça de conhecer novos profissionais, trocar experiências e rever pessoas com quem já trabalhou? Tais ações, aparentemente simples, são, para os estudiosos da empregabilidade, bem mais do que corriqueiras, mas procedimentos para sustentar uma boa carreira.

A rede de contatos ou networking, como preferem chamar os especialistas em carreira, é líder no ranking das pesquisas sobre os principais meios para obter uma boa oportunidade. “Networking não é pedir emprego, nem falar de trabalho por aí”, observa Sami Boulos Filho, consultor da Career Center. “É criar antenas de contatos.” Pesquisas nacionais e internacionais indicam que de 50% a 70% das pessoas acharam seu último emprego por meio de networking, ou seja, trabalhando a rede de contatos.

Nas salas de sofisticadas consultorias, gerentes e executivos integrantes de programas de recolocação profissional se dedicam à questão com metodologia e didatismo. São orientados a participar de seminários, fazem trabalhos em grupo e estudam a melhor forma de procurar um emprego. “Esse processo, além de prático, atenua o sentimento de solidão”, avalia Irene Azevedo, da Mariaca. Segundo ela, a solidariedade ajuda muito nessas horas.

Mas os consultores sabem que, em certos casos, é preciso esclarecer bem o tema para não parecer pejorativo. “O networking não é explorar amigos nem ser interesseiro. Fazer networking é alimentar relacionamentos, estabelecer via de
duas mãos de solidariedade com as pessoas. Essa atitude pode trazer benefícios”, detalha José Augusto Minarelli, da consultoria de aconselhamento de carreira Lens & Minarelli Associados.

Consultores alertam para o fato de que não estamos habituados a alimentar os relacionamentos e, quando precisamos de ajuda, ficamos com vergonha de procurar as pessoas por parecer interesse.”Fazer networking é importante porque as carreiras estão mais voláteis”, orienta Boulos Filho.

(O Estado de S. Paulo – 21/08/05)

   
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