Mais hábeis nas metas dos negócios do que na dieta

Os executivos brasileiros estão cada vez mais gordinhos. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Medicina Preventiva do Hospital Albert Einstein com 2064 profissionais, ao longo dos últimos três anos e finalizada agora, mostra que 65% daqueles que realizaram check up nesse período estavam acima do peso, ou seja, o percentual de obesos entre os executivos supera a média da população brasileira que é de 40%.

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Mais hábeis nas metas dos negócios do que na dieta

Os executivos brasileiros estão cada vez mais gordinhos. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Medicina Preventiva do Hospital Albert Einstein com 2064 profissionais, ao longo dos últimos três anos e finalizada agora, mostra que 65% daqueles que realizaram check up nesse período estavam acima do peso. Isso significa que o percentual de obesos entre os nossos homens de negócio supera a média da população brasileira que é de 40%.

O privilégio não é só dos nossos engravatados. Uma pesquisa conduzida pelo cardiologista americano James Rippe mostrou que nos Estados Unidos, 40% dos executivos também estão acima do peso e 75% não costumam praticar atividades físicas.

Parece que no mundo dos negócios conciliar a correria do dia-a-dia, a tensão provocada pelas oscilações do mercado e os irresistíveis almoços de negócios, com hábitos alimentares saudáveis, não tem sido uma tarefa simples. Encontrar tempo numa agenda apertada para colocar o corpo em forma através de uma rotina de exercícios também parece estar sendo difícil para os executivos no mundo todo.

A pesquisa brasileira do Einstein, coordenada pelo endocrinologista Daniel Lerário, incluiu 84% de homens, na faixa etária média de 45 anos. Segundo o médico, o maior problema observado entre os que participaram do levantamento foi em relação ao estilo de vida. "Eles se esmeram na hora de conseguir atingir metas de resultado nos negócios, mas quando se trata de si próprios são bem mais desregrados", diz o doutor.

As armadilhas para se ganhar sobrepreso no trabalho são inúmeras. Quantas vezes o executivo não passa horas trancafiado em reuniões onde o único alimento disponível são calóricas bolachinhas recheadas? "No almoço de negócios, resistir a um couvert é uma grande vitória", diz o doutor Lerário.

A conta da balança é simples e impiedosa. Eles consomem mais calorias do que conseguem gastar no dia-a-dia. Um dado preocupante da pesquisa brasileira, segundo o médico, é que o percentual de gordura no corpo dos executivos pesquisados também é muito alto, 68% deles exageram na dose. "A gordura é a grande vilã na batalha pelo peso ideal", diz. Para elimina-la é preciso abandonar o sedentarismo e os maus hábitos à mesa.

A maioria dos executivos sabe que a obesidade aumenta tremendamente o risco de várias doenças como infarto, derrame, hipertensão arterial, diabetes, entre outras. O que poucos se dão conta é de que também existe um preconceito relacionado ao estereótipo e ao equilíbrio emocional dos mais gordos. O endocrinologista Alfredo Halpern, revelou no 9º Congresso Internacional de Obesidade, realizado em 2002, que cada quilo a mais representa US$ 1 mil a menos no salário dos executivos nos Estados Unidos.

Motivos, portanto, não faltam para que os engravatados incluam em suas metas anuais eliminar alguns quilinhos extras. O empresário Paulo Milliet Roque, proprietário da fabricante de softwares Divertire, topou o desafio. Ele ainda não está no peso que considera ideal, mas já perdeu mais de cinco quilos desde que começou a cuidar melhor da saúde. "Ainda estou uns dez quilos acima do que eu queria, mas hoje tenho muito mais músculo e estou bem mais disposto", conta.

A revolução na vida de Roque, 53 anos, aconteceu a partir da adoção de caminhadas na esteira e de seções de musculação. A disciplina para realizar essas atividades físicas pelo menos três vezes por semana só veio depois da inclusão de um personal trainer em seu cotidiano. "Fica mais fácil levantar sabendo que tem alguém te esperando", diz.

Antes de começar a se exercitar, ele conta que sofria de vários distúrbios no sono. "Agora 80% deles estão resolvidos", comemora. "Me sinto mais produtivo, mas sei que esse processo de reeducação é lento".

A luta de Roque com a balança é antiga e diária. Ele já fez lipoaspiração e quando sabe que irá comer um pouco além da conta em uma refeição, toma um remédio para ajudar a queimar a gordura. "Eu sei que vou ter uma briga eterna com a balança, por isso adoto medidas preventivas como tomar o Xenical antes de um churrasco", diz. O seu fraco, no entanto, serão sempre os chocolates e sorvetes. O vício de pedir o couvert nos almoços de negócio ele já conseguiu vencer. "Sei que tenho tendência para engordar e esse trabalho terá ser contínuo", conclui.

(Valor Econômico – 26/04/04)