Saúde do trabalhador deve ser política de interesse do Estado

Karina Costa

“A promoção da saúde do trabalhador não deve ficar só a cargo dos setores de saúde. Essa deve ser uma política pública de interesse do Estado”, declara a médica e coordenadora do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Estado de São Paulo (CEREST/ SP), Maria Maeno, durante a XII Semana de Fonoaudiologia realizada pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Sendo assim, a especialista diz que a preocupação com a saúde deve ser levada em conta desde o momento em que as empresas se instalam nas cidades. “Neste caso, a preocupação seria também com a população local. Os prefeitos devem pensar a curto, médio e longo prazo quais serão os impactos para o ambiente que empresa pode trazer”.

O mercado de trabalho com postos de alta tecnologia ainda é minoria no país. Segundo a especialista, os cargos que oferecem funções de trabalho repetitivo, pesado e penoso como no setor industrial, comercial e no trabalho informal são maioria, o que vem a ocasionar risco adicional a saúde. “Muitas metas exigidas a cumprir nas empresas e o corre-corre dos feirantes e motoboys pela cidade, são exemplos disso. O resultado se vê: três mortes a cada duas horas de trabalho e 3 acidentes a cada dois minutos de trabalho”.

A educação, o lazer, o transporte e a alimentação também são setores que exercem grande influência na saúde do trabalhador. “Se o governo se importar em investir na melhoria destes setores, interferem diretamente na promoção da saúde do trabalhador”, diz.

No Estado, existem diversos postos de amparo e vigilância as condições de trabalho e saúde do trabalhador como a Delegacia Regional do Trabalho, os agentes públicos de saúde e o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador.

A especialista propõe que o amparo social garantido ao trabalhador em caso de doença, como o direito à previdência social, não deve impedir que discussões para a promoção da saúde sejam feitas. De acordo com ela, isso acontece por que a sociedade aceita e acredita que o trabalho esteja ligado ao adoecimento. “Adoecer no trabalho não é natural. Sabemos que investir na saúde é caro, portanto a discussão de políticas de prevenção é estratégica para o desenvolvimento sustentável do país”.

Os ministérios da saúde, da previdência social e do trabalho estão se articulando para conscientizar outros ministérios a participarem deste movimento de promoção da saúde. “Queremos agora nos unir ao ministério da educação, do meio ambiente e até ao setor de assistência social. Precisamos sensibilizar os gestores e a população sobre a causa”, conta.

   
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