Estão abertas as inscrições para cursos de pós no exterior

As inscrições para quem quer iniciar o próximo ano letivo em cursos de pós-graduação em universidades estrangeiras já estão abertas. A fim de ajudar os estudantes a conhecer as universidades e seus cursos, países como o Canadá, os Estados Unidos, a Austrália e a França estão investindo em feiras de divulgação no Brasil.

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    - Inscrição para pós no exterior começa agora
    - Escolha da universidade é decisiva na carreira
    - França seduz acadêmicos com benefícios
    - Europa supera EUA em bolsas de estudo
    - Estudantes aderem ao trabalho fora do país
    - Jovens aprimoram teoria na prática

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Inscrição para pós no exterior começa agora

Se quiserem fazer companhia aos cerca de mil pós-graduandos brasileiros na Inglaterra ou aos 1.900 na França (segundo as embaixadas e consulados), por exemplo, os candidatos a mestrado e doutorado no exterior devem apressar-se. Iniciam agora as inscrições para o próximo ano letivo das universidades estrangeiras.

A escolha será árdua: na lista de países, não faltam opções atrativas para os candidatos, e são muitas as variáveis a ponderar. Os governos locais sabem dessas dificuldades. "Não se trata apenas de escolher a instituição. O estudante tem de avaliar a cidade em que vai ficar porque precisa adaptar-se a condições não encontradas no Brasil", indica Carla Albuquerque, gerente do British Council.
"Em Newcastle, anoitece às 16h. Morei numa cidade semelhante e tive de usar um aparelho emissor de luz infravermelha para adaptar-me à mudança de luz."

A fim de ajudar os estudantes a avaliar os prós e contras de cada localidade, e também de atrair mais visitantes, os governos criaram feiras de promoção. O Canadá, os Estados Unidos e a França são alguns dos que, neste mês, reúnem escolas e faculdades para apresentar seus cursos a potenciais alunos.

A Austrália é um exemplo de país que aposta na criação de demanda de mestrandos e doutorandos por cursos no exterior. Criou neste ano a AEI (Australian Education International), agência de promoção do ensino e responsável pela Study in Australia, feira que reúne no Brasil 20 instituições de ensino daquele país.

"A meta é aumentar em 50% o número de brasileiros em cursos de idiomas, graduação, especialização e pós num prazo de um ano", anuncia a gerente do AEI, Priscila Trevisan. Atualmente, há 500 brasileiros em cursos de pós-graduação na terra dos cangurus. "O ano letivo é o mesmo do brasileiro, os australianos já ganharam sete prêmios Nobel e o destino é considerado referência em áreas estratégicas, como biotecnologia e ambiente", enumera.

Para atrair a intelligentsia brasileira, os países oferecem uma série de regalias aos estudantes. Na Nova Zelândia, em 2004, foram criados programas de bolsas de estudo de pós-graduação. "Desde julho, doutorandos brasileiros pagam as mesmas taxas que os neozelandeses", diz Haike Manning, primeiro-secretário da Embaixada da Nova Zelândia.

No Reino Unido, estrangeiros com visto de estudante têm acesso gratuito ao sistema de saúde. Na Austrália, é permitido trabalhar por até 20 horas semanais. E, em algumas cidades alemãs, os acadêmicos têm acesso gratuito ao transporte público.

Mas é a França, onde pós-graduandos contam até com auxílio-moradia, o país que se destaca em infra-estrutura e benefícios para os estudos.
O engenheiro químico Carlos Henrique Lobão Pegurier, 39, escolheu os Estados Unidos para seu mestrado. "Só o MIT [Massachusetts Institute of Technology] oferecia, em 1998, um curso que englobava assuntos como gerenciamento e tecnologia", diz.

"Foi no mestrado que me interessei por outra área, na qual estou até hoje", afirma ele, que trocou a química pelas telecomunicações e tornou-se gerente-geral no Brasil da empresa Telcordia.

(Folha de S. Paulo – 18/09/05)

   

Estão abertas as inscrições para cursos de pós no exteriorEscolha da universidade é decisiva na carreira

Afastar-se do país e permanecer, de longe, no mercado de trabalho. Esse é o principal desafio dos brasileiros que partem para outros países em busca de cursos de mestrado e de doutorado.

"O maior custo da viagem não é o valor despendido em mensalidades e taxas, mas o tempo que o profissional permanece sem contato com os empregadores", avalia a sócia-diretora da HuggardCaine, Andrea Huggard-Caine.

Segundo ela, o peso dado pelas empresas aos currículos de candidatos que fizeram pós-graduação "stricto sensu" no exterior depende muito da instituição escolhida e da área de atuação profissional.

"Universidades ruins existem em todas as partes do mundo. Vale mais investir em uma boa universidade no Brasil do que em uma faculdade ruim no exterior", acrescenta Suely Cândido, sócia da Definite Solução em Talentos.

O efeito da escolha malfeita é sentido não só na busca por um emprego, mas também no reconhecimento dos estudos. Na década de 1990, cerca de 10 mil brasileiros obtiveram títulos de instituições estrangeiras que operavam no país. Dos 1.000 primeiros diplomas analisados pela Capes, apenas 0,1% foi aprovado.

"O curso deve ter alta qualidade para a validação do diploma. O candidato deve verificar boas opções com pesquisadores brasileiros", diz o diretor de avaliação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Renato Janine Ribeiro.

Foi o que fez o advogado Luís Fernando Queiroz, 31. Antes de selecionar o mestrado em direito empresarial na Universidade de Chicago, procurou colegas que já haviam passado por lá. "As ótimas referências que tive foram decisivas na escolha", assinala.

Os US$ 60 mil investidos, segundo ele, trouxeram retorno. "Fiz duas entrevistas de emprego na semana passada e o mestrado pesou muito a meu favor", opina. De acordo com especialistas, durante o período de afastamento a dica é manter-se atualizado sobre o vaivém das condições político-econômicas e dos sobe-e-desce do mercado de trabalho. Permanecer em contato com colegas por meio de e-mails, por exemplo, também é importante.

(Folha de S. Paulo – 18/09/05)

   

 

Estão abertas as inscrições para cursos de pós no exteriorFrança seduz acadêmicos com benefícios

Mais do que com grifes como Sciences Po, HEC e Sorbonne, a França conta com sua sólida tradição de Estado de bem-estar social para seduzir os pós-graduandos estrangeiros. Para os alunos, o conceito se traduz em universidades públicas (anualidades de 150 a 500), auxílio-moradia, seguros e praticamente todos os direitos dos franceses natos.

"Não conheço outro país em que o estudante estrangeiro tenha todos os direitos dos nativos", diz Mathilde Mallet, da Edufrance, agência de divulgação do ensino superior francês no mundo.

De fato, quem vem de fora tem prerrogativas como matricular seus filhos no sistema público de ensino, pedir auxílio-moradia e até trabalhar meio período (por salário médio de 600). Diferenciais que impulsionam a demanda por uma vaga no país.

A mais reluzente isca para atrair estrangeiros ao país é o sistema de co-tutela de tese, pouco difundido por aqui. "O aluno tem um orientador na instituição de origem e outro na França, onde faz pelo menos um estágio de um ano. No fim do curso, recebe dois diplomas ou um diploma conjunto", explica Françoise Boursin, do Serviço Comum Universitário de Informação e Orientação da Universidade Paris 4 (Sorbonne).

Nesse sistema, o aluno não precisa se preocupar com o reconhecimento de seu diploma pelo MEC, já que será titulado por uma universidade local. Também não precisa redigir a tese em dois idiomas, basta um "resumo longo" (cerca de 30 páginas) na segunda língua. É diferente do diploma do "doutorado-sanduíche", emitido em nome da instituição brasileira.

Para as universidades, a co-tutela facilita a internacionalização e impulsiona pesquisas. "Outra vantagem é obter financiamento para intercâmbio de professores com mais facilidade", corrobora Annick Weiner, vice-reitora de relações internacionais da Universidade Paris-Sul 11.

Especialmente forte em áreas técnicas, a co-tutela é uma das armas do governo francês para mostrar que a França não entende só de ciências humanas e sociais.
"É perigoso que o mundo tenha somente uma força transversal, como os Estados Unidos, a influenciá-lo", raciocina o reitor da Universidade Paris 3 (Sorbonne Nouvelle), Bernard Bosredon.

A imagem de um país extravagante, pouco receptivo e que só tem tradição no campo filosófico é, aliás, o pesadelo de acadêmicos. "Temos que acabar com esse mito de que a França é um país que só produz conhecimento em humanas: temos centros de excelência em engenharia e medicina", argumenta Daniel Ollivier, diretor do gabinete do reitor da Sorbonne.

Já os humores dos franceses (e mais especificamente dos parisienses) exigem certa adaptação. "Os franceses são muito ásperos", pondera Danilo Almeida, 46, doutor em filosofia pela Universidade Paris 10, que ficou por quatro anos no país. "Paris é ainda menos receptiva", arremata Beatriz Ávila, 21, aluna de relações internacionais da UnB (Universidade de Brasília) que faz intercâmbio na Sciences Po.

Acadêmicos desaconselham a estada em Paris porque: 1) A cidade é cara; 2) alojamento é escasso; 3) parisienses são pouco amistosos. Mesmo assim, 80% dos alunos brasileiros ficam na capital, segundo a Edufrance. "Nas cidades pequenas, às 20h, fecha tudo. Prefiro morar em Paris", justifica Marcos Antônio Soares, 27, doutorando em fitopatologia na Universidade Paris-Sul 11.

Mas quem abre mão da vida noturna encontra no interior ótimas opções: "Aqui moro em uma casa ampla. Em Paris, pagaria o mesmo (440/ mês) por um quarto de 20 m2", conta a cearense Andrea Linhares, 29, doutoranda em informática na Universidade de Avignon, vizinha ao Mediterrâneo e aos Alpes suíços.

(Folha de S. Paulo – 18/09/05)

   

 

Europa supera EUA em bolsas de estudo

Europa, lá vão eles. Ainda que os Estados Unidos ocupem a primeira posição no rol de países que mais recebem pós-graduandos brasileiros financiados por agências governamentais de fomento à pesquisa, é no velho continente que a maioria deles desembarca.

Dos 1.800 bolsistas de pós-graduação que estão no exterior com recursos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), 63% preferiram universidades européias.

A França é o destino escolhido por 22% dos doutorandos e pós-doutorandos, seguida pelo Reino Unido (13%) e pela Alemanha (9%). Isoladamente, os EUA são o país com mais brasileiros (29%).

O panorama é similar ao do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A Grã-Bretanha, a França e a Alemanha reúnem 41% dos 510 brasileiros que contavam com auxílio fora do país em 2004. Os Estados Unidos tinham 31%.

Ambas as instituições não têm privilegiado a concessão de bolsas de mestrado. "Tendo em vista a consolidação do sistema de pós-graduação brasileiro, foi definido que daríamos prioridade a cursos de pós-doutorado e "doutorado-sanduíche" (que permite ao estudante permanecer em outro país por um ano para o desenvolvimento da tese)", informa José Roberto Drugowich, do CNPq.

Segundo ele, por serem programas menos onerosos, possibilitam o atendimento a mais pós-graduandos. "Casos de insucesso, como cursos não concluídos, erro na escolha do país ou da instituição e projetos de pesquisa que não foram bem delineados, são menores em bolsas como essas."

(Folha de S. Paulo – 18/09/05)

   

 

Estão abertas as inscrições para cursos de pós no exteriorEstudantes aderem ao trabalho fora do país

Não só de estudos se faz um período de vivência internacional que vise enriquecer o currículo. Em busca de experiência de vida fora do Brasil e de inglês fluente, a cada ano mais estudantes investem em temporadas de trabalho em países como os EUA.

As agências especializadas em levar os estudantes para o exterior comprovam essa tendência. Na CI (Central de Intercâmbio), por exemplo, deve haver, neste ano, um aumento de 60% no número de pessoas que partirão para trabalhar durante suas férias (em comparação com 2004). Na Experimento, o aumento no mesmo período será de 45%. Já na World Study, a projeção é de haver um incremento de até 30%.

Após pagar cerca de mil dólares para a obter uma vaga, universitários passam alguns meses trabalhando em hotéis, cassinos e restaurantes. A remuneração chega a US$ 10 por hora e a carga semanal de trabalho é de 20 a 40 horas.

Apesar de o pagamento ser um chamariz, a meta dos viajantes não é voltar com um pé-de-meia. "Universitários e recém-formados buscam programas em suas áreas de graduação", diz a proprietária da SIP, Cláudia Farina. "Eles querem ganhar experiência internacional para colocar no currículo. É um programa de intercâmbio auto-sustentável", completa Gustavo Coscarelli, da World Study em São Paulo.

Para Marcelo Sampaio, da Work Business International, a vantagem dos programas é que "quebram a barreira da cultura e ainda oferecem acesso ao mercado de trabalho de outro país".

O estudante de direito Julio Cesar de Almeida, 21, embarcará em dezembro para uma estação de esqui em Massachusetts (EUA). "Os escritórios de advocacia pedem fluência em inglês e valorizam a experiência lá fora", diz.

Apesar de a vivência ser considerada por estudantes mais importante do que o dinheiro recebido, com alguma força de vontade, é possível poupar para viajar, fazer compras ou trazer dinheiro na volta ao Brasil. O sucesso do programa é creditado a esse conjunto de benefícios. "Fazer intercâmbio e ainda ganhar por isso é atraente", avalia Claudia Martins, gerente de marketing do STB.

Tanto é que a maioria dos que viajam para trabalhar quer voltar. "Cerca de 80% dos estudantes mostram-se dispostos a repetir a dose e desenvolver-se profissionalmente no exterior", afirma a professora da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas) Ana Cristina Martes, que pesquisou universitários de cursos de administração que haviam viajado aos EUA.

(Folha de S. Paulo – 18/09/05)

   

Jovens aprimoram teoria na prática

Outros programas de trabalho remunerado no exterior podem propiciar ao viajante não só vivência internacional, mas também experiência dentro de sua área de formação. O procedimento é parecido: paga-se pela obtenção da vaga e pelos trâmites da viagem.

Henrique Meciano, 25, formou-se em gastronomia e foi trabalhar na cozinha de um hotel em Phoenix (EUA). Ele participou do programa H2B, que é a denominação do visto emitido para trabalhadores temporários não-imigrantes.

"No início, tinha poucas atribuições. Mas, depois de quatro meses, fui promovido", diz Meciano. "Trabalhei também na cafeteria e no açougue, onde aprendi cortes diferentes de carne", lembra.

A realização profissional ocorreu na volta ao Brasil: com experiência e algum dinheiro no bolso, montou seu próprio negócio. "Estruturei, com um sócio, uma consultoria sobre gastronomia."

Para quem é universitário e deseja ter uma experiência no exterior dentro da sua área, uma opção é o estágio. Foi o que fez Bianca dos Santos, 26, que partiu para longe: estagiou em um escritório de arquitetura na Tunísia.

"Conheci diferentes tipologias de arquitetura e valeu mais do que ver fotos e desenhos em um livro. Agora tenho mais referências para fazer projetos arquitetônicos."

A universitária dividiu apartamento com pessoas de diversos países, como Espanha e Bósnia. "Adquiri uma vivência que será valorizada no mercado de trabalho porque aprendi outras línguas e ainda desenvolvi minha capacidade de adaptação às situações."

(Folha de S. Paulo – 18/09/05)

   

 

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