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Internet consolida educação a distância
Não faz
muito tempo, a educação à distância fluía
primeiro via rádio, depois, pela televisão. Em seguida,
chegou o computador. Mas foi a Internet que representou uma verdadeira
mudança de patamar, gerando o conceito hoje conhecido como
e-learning.
Leia
mais:
- Terceirização é tendência
no setor de e-learning
- Avanços tecnológicos garantem a interatividade
- Leque de opções oferecido na internet
é amplo
Terceirização é tendência no setor de
e-learning
Não faz muito tempo, a educação
à distância fluía primeiro via rádio,
depois, pela televisão. Em seguida, chegou o computador.
Mas foi a Internet que representou uma verdadeira mudança
de patamar, gerando o conceito hoje conhecido como e-learning, explica
o especialista Antonio Salvador, responsável pelo conteúdo
das soluções de educação da IBM no Brasil.
"Até 1995, o e-learning, recorria a CDs", lembra.
Paralelamente
ao "boom" da web, na virada de 1999 para 2000, empresas
de diferentes tamanhos e especialidades acabaram atraídas
pelo mercado de ensino eletrônico, ou virtual, que gerava
negócios anuais na casa de algumas centenas de milhares de
dólares (US$ 160 milhões em 2004, de acordo com projeções
da empresa de pesquisa IDC). Entraram e saíram de cena, entre
outras, a MHW da Xerox e a Promon Inteligens. Mesmo a IBM, diz Salvador,
fez grandes investimentos no segmento. "Todos acreditavam que,
aqui, o e-learning repetiria o crescimento que experimentou nos
Estados Unidos", observa o consultor da IBM.
Mas o Brasil
não repetiu os EUA. Em pesquisa divulgada em 2001, a então
PriceWaterhouseCoopers, posteriormente adquirida pela IBM e integrada
à sua divisão de consultoria, a IBM Business Consulting
Services, mostrava os rumos do ensino à distância abaixo
do Equador. Segundo o trabalho, a utilização de e
learning, freqüente nos modelos de aprendizagem de muitas organizações
da América do Norte, da Europa e do mundo desenvolvido em
geral, ainda não era uma realidade para as organizações
da América Latina. Nessa região, apenas duas de cada
dez empresas tinham, à época, algum tipo de experiência
com e learning.
Na América
Latina, resumia o trabalho, há vários fatores convergentes
- entre os quais as fusões e aquisições, as
privatizações, a diminuição da diferença
tecnológica, etc. - que colocam em evidência a necessidade
de um "salto qualitativo e quantitativo" no desempenho
e no alinhamento de competências dos recursos humanos. Considerando
que o e-learning é uma das ferramentas mais privilegiadas
para dar aquele salto, por que penetração tão
baixa na região?
Entre algumas
respostas encontradas, a falta de vínculo do e-learning com
a "agenda do CEO", as prioridades competitivas e o foco
excessivo nas "necessidades internas", como a diminuição
de duração de treinamentos, a rotatividade de funcionários,
novas contratações.
Antonio Salvador
ressalta as diferenças culturais: enquanto o norte-americano
está acostumado com o auto-serviço, como o posto de
gasolina, o brasileiro precisa de suporte, tutoria, está
imbuído do conceito de comunidade e turma.
Hoje, para atender
aos clientes corporativos, há empresas de menor porte, que
oferecem cursos "quase artísticos, artesanais",
personalizados; e grandes empresas para atender grandes contas.
Do ponto de vista da oferta, tem-se dois grandes produtos, MBAs
e cursos corporativos customizados. No segmento de e-learning, as
instituições de ensino enxergaram boas oportunidades
de negócios - a Fundação Getúlio Vargas
é um bom exemplo.
E no universo
empresarial, nos EUA, empresas como Ford, Motorola, McDonald´s,
que demandam grandes volumes de treinamento para desenvolvimento
de seus próprios negócios, acabaram criando universidades
corporativas e vendendo seus cursos. Mas outras criam universidades
próprias como Petrobras ou AmBev. Há, ainda, empresas
que compram tecnologia de e-learning sem saber exatamente para que.
Por tudo isso, diz Salvador, é grande a tendência de
terceirização do ensino virtual no mundo corporativo
brasileiro.
(Valor Econômico
– 04/03/04)
Avanços tecnológicos garantem a interatividade
Computadores, internet e distribuição de
sinais por satélite vêm sendo os grandes aliados tecnológicos
do ensino à distância. Como as novidades técnicas
se sucedem com rapidez, da mesma forma o ensino não-presencial
vem ganhando novos contornos e uma dinâmica sensivelmente
melhor com o aumento da interatividade dos cursos.
Misturando domínio
de tecnologia com criatividade, no final do ano passado a VAT colocou
no mercado mais um recurso para e-learning: a IP.TV - TV digital
interativa baseada no protocolo internet. Com a experiência
de coordenar a infra-estrutura do programa Executivo Jr. da Fundação
Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (pós-graduação
on-line para jovens executivos), o empresário Eduardo Giraldez
estabeleceu parcerias de peso para o serviço VAT - Panamsat
(dona de rede de satélites) e Telespazio (operadora de satélites).
A primeira transmissão
oficial simultânea e em tempo real da IP.TV foi feita, em
novembro, para São Paulo, Rio, onze municípios do
Maranhão, Manaus e Salvador. Permitindo que empresas públicas
ou privadas montem seus próprios canais de TV totalmente
interativos trafegando imagens, sons e dados por satélite
e redes IP, entre as vantagens da IP.TV Giraldez aponta a rápida
implementação e baixo custo - o investimento médio
mensal para utilização em tempo integral é
de US$ 11.500. A pioneira no uso da IP.TV foi a Universidade Virtual
do Maranhão, que recorreu ao serviço para capacitar
professores em todo o Estado.
Para o presidente
da VAT, a plataforma IP.TV permite ao usuário ser proprietário
de seu próprio canal de TV, que dispõe de recursos
de interatividade tais como videoconferência entre um número
ilimitado de pontos, chat, mensagens privadas, enquetes, transmissão
de qualquer aplicativo associado a voz e com total controle de utilização
da grade de programação por horário e usuários.
Uma das principais aplicações da IP.TV é a
educação a distância com a utilização
de multimeios.
A plataforma
permite o tráfego de vídeo, áudio e texto,
de forma interativa, sobre uma rede IP multipontos e/ou unidirecional,
com dois canais, um de ida (via satélite), outro de volta
(via satélite ou via terrestre). Para controlar a negociação
de mídia, isto é, definir quem está autorizado
a se conectar na rede, se as salas formadas são públicas
ou privadas, o que os usuários transmitem na rede, em que
momento e em que formato, a VAT desenvolveu o protocolo IRM (IP
Relay Media) - que inclui broadcast via satélite e um conjunto
de características de diversos softwares para interatividade
dos usuários.
A IP.TV pode
ser utilizada por um período determinado, ou 24 horas, 7
dias por semana e é flexível, na medida em que possibilita
definir o número de pontos de rede, o tipo de programação
e o modo de transmissão. O sistema prevê a instalação
de antenas parabólicas que operem em banda KU. São
usadas antenas do tipo bidirecional (recepção e transmissão)
para os pontos dos quais se pretende gerar transmissão de
conteúdo com melhores padrões de qualidade, e antenas
unidirecionais - apenas para recepção - para os pontos
onde se deseja garantir alta qualidade na recepção.
Neste último caso, o retorno dos dados é feito através
de qualquer circuito disponível (linha privada, rádio,
linha discada e internet)
(Valor Econômico
– 04/03/04)
Leque de opções oferecido na internet é amplo
Quem, porventura, vai à internet à procura
de cursos virtuais tem uma agradável surpresa, tal a diversidade
e quantidade de ofertas, sejam de simples atualizações
até mestrados e especializações em saúde,
agronomia, veterinária ou matemática financeira, entre
outras. A título de exemplo, autorizadas pelo Ministério
da Educação há 19 instituições
- universidades federais de praticamente todas as regiões
do país - que oferecem cursos ou programas de graduação
a distância, em áreas tão distintas como administração,
ciências econômicas, secretariado executivo, pedagogia,
física, matemática, biologia. Em pós-graduação
latu sensu o MEC autorizou cursos de 18 instituições.
O curso de especialização
em autogestão em saúde da Escola Nacional de Saúde
Pública da Fiocruz é dirigido a profissionais de saúde
e administradores, economistas, advogados, entre outros, e que atuem,
preferencialmente, em empresas que gerenciam seus próprios
sistemas de saúde. O curso tem carga horária total
de 384 horas, a ser cumprida em 16 meses, exigindo do participante
de 6 a 12 horas semanais de estudo. Custa R$ 2.200,00, que podem
ser pagos à vista ou divididos em três parcelas de
R$ 807,00. O curso confere certificado de especialista em autogestão
em saúde pela ENSP/Fiocruz aos portadores de diploma de nível
superior .
No Maranhão,
a resposta da secretaria estadual de Ciência, Tecnologia,
Ensino Superior e Desenvolvimento Tecnológico à necessidade
de formação de professores foi a criação,
em novembro, da Universidade Virtual do Maranhão (Univima)
que, ainda em 2004, pretende chegar aos 217 municípios do
Estado, provendo cursos de licenciatura a 6 mil professores, para
acabar com a figura do professor sem licenciatura em sala de aula.
Os cursos são ministrados por meio de computadores, em salas
especialmente projetadas para a recepção dos alunos.
Este ano, de acordo com a Univima, serão oferecidos cursos
de licenciatura em matemática, informática e magistério
superior, e a meta é, até 2006, ter 12 mil alunos
em processo de formação.
(Valor Econômico
– 04/03/03)
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