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Internet liga varejistas a fornecedores
Com a ajuda
da Internet, empresas do setor varejista tornaram mais rápido
e barato seu relacionamento com os fornecedores.
Leia
mais:
Internet liga varejistas a fornecedores
Grandes redes
varejistas usam a Internet com freqüência crescente para
tornar mais ágil e menos custoso o relacionamento com fornecedores.
A iniciativas como a do portal Mercador, fundado pelo ex-presidente
da Associação Brasileira de Supermercados (Abras),
Paulo Feijó, e hoje controlado pelo grupo Telefônica,
somam-se a de grandes grupos varejistas como Pão de Açúcar,
Carrefour e Wal Mart.
O Mercador viu
o movimento de negócios entre varejistas e fornecedores,
por meio do seu portal, crescer 100% em 2002, com previsão
de fechar o ano com R$ 2,5 bilhões. A perspectiva é
de um crescimento ainda mais rápido no ano que vem. O Mercador
acaba de fechar um contrato com a varejista Sendas. A quinta maior
rede de supermercados do Brasil terá cadastrado no sistema
todos os seus três mil fornecedores e pretende, em pouco tempo,
fazer todas as operações de compra de mercadorias
e reposição de estoques via Internet, informa Feijó,
presidente do Mercador.
O Mercador é
um portal B2B criado para promover a troca eletrônica de dados
entre varejistas e fornecedores. Sua tecnologia permite, por exemplo,
a consulta de preços e a compra e venda de produtos. A maior
procura tem sido pela solução WEB EDI, pela qual o
varejista faz o ciclo de abastecimento e reposição
de estoques pela internet.
Os ganhos logísticos foram comprovados por testes pilotos
feitos por mais de 200 supermercados, diz Feijó. A agilidade
obtida com os pedidos eletrônicos levaram as redes a reduzir
em um terço o tempo de permanência de mercadorias nas
gôndolas, de 21 para 7 dias - como a reposição
é mais rápida, pode-se trabalhar com quantidade menor.
O índice de produtos desejados pelos consumidores que faltam
nas prateleiras caiu de 15% para 1,8%. O tempo de distribuição
das cargas feita pelos caminhões também diminuiu.
As notas fiscais são enviadas via internet antes mesmo de
os produtos partirem para os supermercados. "Desta forma, o
fiscal não precisa conferir item por item no ato da entrega",
afirma Feijó.
Atualmente,
o Mercador presta serviços a 800 redes varejistas e a dois
mil fornecedores, volumes 150% superiores aos de 2001. Dentre eles,
a rede de supermercados D'Avó e grandes indústrias
como Unilever, Coca-Cola e Danone. A empresa tem como clientes grandes,
médias e pequenas empresas de todo o País, especialmente
das regiões Sudeste e Sul. Por uma questão estratégica,
grande parte das redes preferem não anunciar sua adesão
ao sistema eletrônico, afirma Feijó. "Mas conhecidos
grupos varejistas do País estão fazendo testes com
o Mercador", informa.
Comparado com
o volume total de compras feitas pelo varejo supermercadista brasileiro,
de cerca de R$ 75 bilhões por ano, as operações
via internet ainda engatinham e têm grande potencial de crescimento.
Os usuários do Mercador compram, em média, apenas
10% do suprimento total. Atualmente, o projeto do Sendas é
o maior feito do Mercador, diz Feijó. A rede adquiriu uma
plataforma exclusiva para seus negócios, chamada Sendasnet.
A tecnologia é exatamente a mesma da plataforma Mercador.
O Sendas optou
por uma plataforma exclusiva para ter maior identidade e total privacidade.
Todas as duas informações passam criptografadas no
Mercador. Depois de fechado o acordo, o Sendas está em contato
com seus cerca de três mil fornecedores para fazer com que
instalem em seus computadores o software o quanto antes. Quando
todos estiverem cadastrados, o Sendasnet intermediará a compra
de 50 mil diferentes itens e movimentará R$ 200 milhões
por mês.
O Carrefour
iniciou os testes com alguns fornecedores para, em 2003, fazer o
ciclo de abastecimento e reposição eletrônica
com os fornecedores pela internet. A tecnologia para a rede francesa
em todo o mundo será a WEB EDI, parecida com a do Mercador.
O início das operações no Brasil ocorrerá
simultaneamente com o de filiais em outros países, informa
um porta-voz do grupo no Brasil.
O desenvolvimento
da plataforma mundial, denominada GNX, foi feito pela Oracle para
o Carrefour e para outras cinco redes mundiais: as norte-americanas
Sears e Kroger, a inglesa Sainsburys, a australiana Colesmyer e
a alemã Metro.
O portal já
opera a compra de produtos por meio de leilões reversos,
aqueles em que o comprador estabelece as especificações
e aguarda as ofertas dos vendedores - ganha quem tiver o menor preço.
Esses leilões são responsáveis pela aquisição
de cerca de 25% das mercadorias da rede. As operações
eletrônicas do Carrefour no Brasil estão relativamente
adiantadas, ficando atrás somente das da França e
da Espanha.
O Wal Mart foi
o primeiro grupo no Brasil a fazer transações eletrônicas
de compras e reposição de estoques. Quando chegou
ao País, em 1995, trouxe a tecnologia de sua matriz, nos
Estados Unidos. A exemplo das outras redes, o Wal Mart preocupou-se
em utilizar um sistema que demandasse equipamentos sem requisitos
específicos. Dos cinco mil fornecedores da rede, apenas 250
recebem, pelo sistema, informações sobre o desempenho
dos seus produtos nos pontos-de-venda e sobre a situação
dos estoques, além de pedidos - e, com base neles, emitir
notas fiscais. As indústrias interligadas são basicamente
os fornecedores mundiais. A rede informa que a intenção
é expandir a plataforma para todos os outros.
No Brasil, a
primeira varejista a desenvolver processos para otimização
e automação da cadeia de suprimentos foi o Pão
de Açúcar. Uma tentativa inicial foi feita em 1996,
quando iniciou o processo de EDI (Eletronic Data Interchange), que
não utilizava a internet como canal de comunicação,
e sim, uma rede privada de telefonia. Em três anos, conseguiu
a adesão de apenas 135 fornecedores, todos de grande porte.
O projeto não teve o sucesso desejado porque poucos podiam
arcar com os custos de utilização dessa tecnologia
(infra-estrutura e remuneração da empresa provedora
do serviço). Em 1999, adequou seu sistema à internet.
O fornecedor passou a não ter custos adicionais. Bastava
ter um computador e uma linha de telefone. Para garantir a adesão
de todos os 6,2 mil fornecedores, o Pão de Açúcar
promoveu palestras em 2000 e 2001 abordando os benefícios
do sistema e condições especiais para a aquisição
de computadores.
O resultado
foi que todos os fornecedores passaram a operar com a plataforma,
a Pdanet, que movimenta anualmente cerca de R$ 6 bilhões.
Dados de julho mostram que os cerca de 300 mil pedidos emitidos
no mês geraram economia de tempo de 50 mil horas, considerando
um ganho médio de 10 minutos por emissão (pedidos
simples, de cinco itens). No processo de recepção
de mercadorias, houve ganho médio de quatro minutos na emissão
de cada uma das 250 mil notas fiscais.
(Gazeta Mercantil
- 04/10/02)
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