Carreiras em informática avançam em "banda larga"

"Tomara que eu não te veja tão cedo." É com essa frase que os clientes costumam se despedir do analista de sistemas Rogério Rutledge, 31. Só que, em vez de irritação, a declaração demonstra alívio: Rutledge faz serviços de assistência técnica em informática.

Desde 1996, quando abriu sua empresa, ele aposta na carreira solo. Hoje tem duas lojas e contratos com 32 empresas. Mas não é só o tato para lidar com a clientela que conta a seu favor: as carreiras do setor de tecnologia da informação, mais conhecido como TI, avançam na velocidade dos bytes. Não à toa, essa foi a área campeã entre todas as mencionadas no levantamento da Folha.

De acordo com os especialistas, a informatização de todos os campos da economia, aliada ao impulso da internet e da terceirização, cria forte demanda por profissionais qualificados, como programadores, analistas de sistemas, engenheiros e cientistas da computação.

O que diferencia o setor dos demais é a tendência de fugir aos moldes tradicionais de vínculo empregatício. Como Rutledge, diante da demanda aquecida, surgiram nos últimos anos milhares de prestadores de serviço em informática.

O estudante de ciência da computação Gilio David Damiani, 21, acompanha com atenção essas mudanças e já planeja abrir o próprio negócio.
"Até lá, vou adquirir experiência na área e dedicar-me aos estudos, fazendo mestrado e doutorado no exterior", diz.

Para o professor da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas) e especialista em TI André Bittencourt do Valle, 40, o universitário está no caminho certo.

Segundo ele, a expansão da TI para setores como a agricultura, que até há pouco eram alheios a ela, torna necessária a especialização profissional.
"Já existem colheitadeiras com GPS [sistema de localização por satélite]", exemplifica.

A pró-reitora acadêmica da Universidade Anhembi Morumbi, Elizabeth Guedes, ressalta que, apesar das boas perspectivas, a concorrência entre profissionais da área é forte.

Por isso os melhores cargos, diz Guedes, serão dos que tiverem, além de conhecimento técnico, habilidades de gestor: "Para se diferenciar, o profissional deve, mais do que tudo, gostar de lidar com pessoas".

(Folha de S.Paulo)

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