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Especialistas
em TI rendem-se à certificação
Em busca de
ascensão na carreira ou simplesmente por pressão da
empresa, especialistas em TI investem somas que ultrapassam R$ 10
mil em treinamentos para obter as disputadas certificações
de empresas como Cisco e Oracle.
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Especialistas
em TI rendem-se à certificação
Horas debruçadas
sobre apostilas, aulas diárias, tensão e nervosismo
durante as provas. Tudo isso pela expectativa de uma boa trajetória
profissional. Errou quem acaba de imaginar estudantes em ano de
vestibular: a cena descrita é cada vez mais comum entre profissionais
já diplomados -os que trabalham na área de TI (tecnologia
da informação).
Em busca de
ascensão na carreira ou simplesmente por pressão da
empresa, especialistas em TI investem somas que ultrapassam R$ 10
mil em treinamentos para obter as disputadas certificações
de empresas como Cisco e Oracle.
Só na
Microsoft, a procura pela especialização cresceu 30%
em 2004. O Brasil já é o primeiro da América
Latina e o 13º no ranking mundial de número de profissionais
com o título da empresa.
A razão
é clara. "Segundo pesquisa encomendada ao Ibope, esses
especialistas ganham, em média, 58% mais do que os sem certificação",
compara a gerente da Microsoft Elis Quieroz.
O diretor Fernando
Silva, da concorrente Oracle, faz coro: "O investimento se
paga com o salário em até quatro meses".
Apostando nisso,
o consultor de informática Denis Ievenes, 24, gastou cerca
de R$ 7.500 para obter certificados da Oracle e da Sun. "Nos
últimos cinco anos, não houve um em que não
tivesse reajuste salarial", comemora.
Já o
gerente de informática da Distritos Itaúnas, André
Luiz Mattos Oliveira, 35, teve de fazer "contorcionismo"
na agenda para conseguir obter a especialização da
Microsoft: trabalhava de dia, tinha faculdade à noite e viajava
300 km de São Mateus (ES) a Vitória para ter aulas
aos sábados e aos domingos. "Difícil mesmo foi
manter a mulher", brinca.
O investimento
de mais de R$ 11 mil, conta, trouxe resultados positivos --além
do nível gerencial, foi convidado a lecionar na faculdade
assim que se graduou.
Para ser um
profissional certificado, no entanto, o caminho é longo.
Primeiramente, é preciso ter bons conhecimentos na área
e ser fluente na língua inglesa. "É como o exame
da OAB, só que direcionado a profissionais de informática",
destaca o diretor da Brás e Figueiredo, Eurico Brás.
Os custos também
podem ser proibitivos: cada treinamento semanal não sai por
menos de R$ 1.000 -e a tendência é a empresa deixar
essa despesa para o funcionário. "Hoje são as
pessoas que investem mais", diz Edmilson da Gama, da Ka Solution.
"Sobretudo para certificação básica, vemos
muito investimento próprio", acrescenta Kelly Lara,
da Cisco.
Uma vez com
o título em mãos, muito há a percorrer. "A
certificação em si não garante uma carreira",
avisa o diretor da NTI, Victor Ferraz. "O mais importante é
o conhecimento do assunto", completa o analista de tecnologias
da Boehringer Ingelheim Marcelo Figueiredo, 36.
(Folha de
S. Paulo)
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