Rede produz material multimídia

A Rived (Rede Internacional Virtual de Educação) é um dos programas mais audaciosos do MEC na corrida à inclusão digital. O programa envolve a produção de material pedagógico multimídia, a capacitação de pessoal e a distribuição dessas informações na rede.

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Ufscar "turbina" memória de computador

Um chip criado pelos cientistas da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) pode amarzenar até 25 vezes mais memória no mesmo espaço. O nome é bem mais difícil de ser memorizado do que o do silício, mas há uma boa chance de que o titanato de bário e chumbo se torne quase tão famoso quando o assunto são computadores.

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Rede produz material multimídia

Um dos programas mais audaciosos do MEC na corrida à inclusão digital é a Rived (Rede Internacional Virtual de Educação). Desenvolvida pela Seed (Secretaria de Educação a Distância) e pela Semtec (Secretaria de Educação Média e Tecnológica), ela envolve a produção de material pedagógico multimídia, a capacitação de pessoal e a distribuição dessas informações na rede.

Na primeira fase do projeto, encerrada no final de 2003, um grupo de dez pessoas desenvolveu 20 módulos educacionais (material didático digital adaptado à grade curricular) voltados ao ensino das ciências da natureza e da matemática no ensino médio público.

Segundo Américo Bernardes, diretor-geral do ProInfo, a partir deste ano, mais 12 equipes, formadas por alunos e professores de ensino superior, serão incorporadas à rede, num programa chamado de fábrica virtual. Eles ganharão bolsas de estudo.

"Além da produção de módulos para cobrir todo o currículo do ensino médio, o intuito é criar nos licenciandos uma postura ativa, passando de simples consumidores de tecnologia para assumirem um papel de criadores."

Ele afirma que o material ficará disponível a professores de escolas públicas na internet. Para a educadora Martha Stone Wiske, da Escola de Graduação em Educação de Harvard, é fundamental que os objetos de aprendizagem tenham um objetivo claro para os alunos e que o professor faça uma avaliação contínua do processo.

Ela participou nesta semana de um seminário internacional sobre o uso da tecnologia em educação, em São Paulo. "Não adianta apenas criar objetos de aprendizagem e torná-los disponíveis. Eles têm de fazer parte do dia-a-dia do aluno e do professor", diz.

Na opinião da professora e consultora Vera Novaes, a utilização da tecnologia não terá impacto nas escolas se não houver investimento na capacitação dos professores.

(Folha de S. Paulo – 12/03/04)

 

Ufscar "turbina" memória de computador

O nome é bem mais difícil de ser memorizado do que o do silício, mas há uma boa chance de que o titanato de bário e chumbo se torne quase tão famoso quando o assunto são computadores. Cientistas da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) usaram essa molécula para projetar chips que podem armazenar até 250 vezes mais memória no mesmo espaço.

O processo de fabricação da substância já rendeu o registro de uma patente e o interesse de uma grande empresa do ramo eletrônico, afirma o químico Elson Longo, 62, do Departamento de Química da Ufscar. "Só não sei se eles vão querer fabricar o chip ou simplesmente comprar a patente para que outros não o fabriquem", brinca o pesquisador, que não revela o nome da empresa.

Um dos motivos que levou Longo e seus colegas a escolherem o titanato de bário e chumbo como ingrediente central de seu novo chip é a chamada constante dielétrica, uma medida da dificuldade enfrentada por elétrons (partículas que formam a corrente elétrica) para atravessar um material.

Para um mecanismo armazenador, interessa que a constante esteja lá nas alturas, porque os elétrons ficam presos nele com grande eficiência, e assim a informação contida neles é guardada em segurança.

O óxido e o nitreto de silício, hoje usados para essa função, têm constante dielétrica de apenas 7. Outros pesquisadores, com o titanato, já tinham conseguido constantes em torno de 700, mas usando métodos complicados e caros. Longo e seus colegas conseguiram elevar o número para 1.800, 250 vezes mais que o dos compostos de silício, com a ajuda de uma solução caseira -literalmente.

O problema, explica o químico, é que os métodos antes usados para construir o filme de titanato criavam uma estrutura desorganizada na molécula. "Era como se você construísse um prédio de dez andares, mas só terminasse três deles." E a capacidade de reter os elétrons (e a informação) depende diretamente dos vãos atômicos bem-organizados no filme.

Dois procedimentos simples e baratos, feitos em fornos, resolveram esse problema. Em primeiro lugar, a equipe mistura titânio, bário e chumbo com ácido cítrico (substância presente em qualquer suco de laranja ou limão).

Essa primeira mistura forma um polímero (tipo de molécula com várias unidades iguais repetidas) cuja organização já está a meio caminho andado da necessária: os átomos de oxigênio, doados pelo ácido, já estão todos no lugar certo, ou seja, em volta do átomo de titânio.

Uma passagem de quatro horas num forno normal elimina os resíduos orgânicos do ácido cítrico. Finalmente, dez minutos em qualquer microondas caseiro arrematam o processo: "Descobrimos que as microondas têm o poder de orientar o material [para aumentar a constante dielétrica]", explica Longo. "O método é totalmente original."

De quebra, a equipe acoplou outro novo material ao protótipo de chip. Trata-se do niquelato de lantânio, que entraria no lugar da platina, hoje usada como material condutor no "sanduíche" de alta tecnologia que forma a estrutura dos chips. A vantagem é que o novo eletrodo tem estrutura compatível com a do titanato, deixando o funcionamento do sistema todo bem mais suave.

Para Longo, um chip com os novos materiais tem possibilidade de transformar um disco rígido que hoje armazena só um gigabyte numa biblioteca de 250 gigabytes. O que ele não pode fazer, no entanto, é aumentar a velocidade com que um computador processa as informações.

"A velocidade de processamento depende da condução", afirma o pesquisador, papel que não cabe ao óxido de silício ou a seu possível substituto, o titanato.

O trabalho foi divulgado pelo jornal "Ciência e Tecnologia", de São Carlos, e pela revista "Pesquisa Fapesp" (revistapesquisa.fapesp.br), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que financia o estudo

(Folha de S. Paulo – 12/03/04)

 
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