Dedução de impostos beneficia empresas americanas no Vale do Silício

Três empresas do Vale do Silício estão entre as mais beneficiadas por uma lei de dedução fiscal corporativa que está provocando atrito entre os Estados Unidos e a Europa. A Cisco Systems, a Applied Materials e a Oracle economizaram milhões de dólares em impostos usando o incentivo, criado pelo Congresso americano para ajudar os exportadores a competir no mercado. Indignada, a União Européia pretende divulgar uma lista com os produtos americanos que poderão sofrer retaliação.

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Dedução de impostos beneficia empresas americanas

Três empresas do Vale do Silício estão entre as mais beneficiadas por uma obscura lei de dedução fiscal corporativa que está provocando atrito entre os Estados Unidos e a Europa. A Cisco Systems, a Applied Materials e a Oracle economizaram centenas de milhões de dólares em impostos usando o incentivo, criado pelo Congresso para ajudar os exportadores americanos a competir no mercado.

Estudo recente concluiu que a Cisco salvou US$ 313,9 milhões do imposto a pagar de 1991 a 2000, enquanto a Applied economizou US$ 252,7 milhões e a Oracle, US$ 158,2 milhões. A União Européia, no entanto, considera a dedução um subsídio injusto e divulgará uma lista de produtos de exportação americanos que poderão tornar-se alvos de retaliação.

No mês passado, um painel da Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou a Europa a aplicar punições contra produtos americanos num total de US$ 4 bilhões se Washington não eliminar o incentivo. "Não gostamos de retaliações, mas se eles nos forçarem a fazer isso, faremos", avisou Willy Helin, porta-voz da Comissão Européia, órgão executivo da UE. A lista de alvos deverá incluir várias categorias, de animais a reatores nucleares. Espera-se que as punições ultrapassem bastante a quantia autorizada pela OMC.

Com a Europa aumentando a pressão, muitos acreditam que a dedução de imposto vai desaparecer. O governo Bush indicou que cumprirá a exigência da OMC. O deputado republicano Bill Thomas já apresentou projeto de lei para eliminar o sistema. Quando isso vai ocorrer e que tipo de regra fiscal ficará no lugar ainda são questões em aberto.

O projeto de Thomas, embora não ofereça um substituto direto, inclui outras mudanças que beneficiariam os exportadores, como a permissão para que muitos usem mais créditos fiscais do que podem atualmente. Mesmo algumas das companhias que tiram vantagem das confusas leis fiscais atuais para a exportação dizem que poderiam se adaptar às mudanças. "Achamos que tem de ser feita alguma reforma significativa no sistema fiscal internacional dos EUA", disse a porta-voz da Cisco, Sandra Wheatley. Ela afirmou que a companhia prevê há anos o fim dessa dedução e está diminuindo seu uso.

O questionado incentivo fiscal tem sido motivo de tensão entre a Europa e os EUA durante décadas. Embora tenha assumido formas e nomes ligeiramente diferentes ao longo dos anos, essencialmente permite que as empresas americanas protejam dos impostos algumas das vendas ao exterior, exportando por meio de uma subsidiária fora dos EUA. Os críticos dizem que essas subsidiárias freqüentemente funcionam como simples fachadas.

Países europeus reclamam desde o início dos anos 70 que este sistema fiscal, uma "corporação de vendas no estrangeiro", representa um subsídio impróprio para os exportadores americanos.

(O Estado de S. Paulo - 13/09/02)

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