Norma para regular atuação em TI avança no Senado

Os profissionais de tecnologia da informação viram o projeto de lei nº 607/2007, que quer regulamentar a profissão de analista de sistema, dar mais um passo recentemente.

Em agosto, o PL chegou à última comissão do Senado -a de Assuntos Sociais. Se for aprovado, o documento seguirá para a Câmara dos Deputados. Se não houver mudança em seu teor, rumará à sanção presidencial.

Pelo texto, poderão exercer a profissão os trabalhadores com curso superior em análise de sistemas e correlatos, com diploma estrangeiro revalidado, com pós-graduação na área ou com ao menos cinco anos de experiência na atividade.

Atualmente, não há restrição quanto à formação ou ao tempo de experiência do profissional.

O projeto provoca polêmicas. "Há profissões que têm manifestado repúdio ao projeto sob a alegação de que teriam mais condições de desenvolver softwares para suas atividades do que os analistas de sistemas; discordo frontalmente", considera o senador Expedito Júnior (PSDB-RO), autor do projeto de lei.

"Não há necessidade de diploma para o exercício da profissão", argumenta Ricardo Anido, diretor de relações profissionais da SBC (Sociedade Brasileira de Computação) e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O certificado, acrescenta, é importante para aferir a qualidade do profissional, "mas não apenas aquele que fez um curso tem competência".

Há nesse mercado de trabalho uma série de profissionais autodidatas, corrobora Anderson Fabiano, 31.

Ele mesmo iniciou o bacharelado em informática em 1997, mas não o concluiu. Priorizou o trabalho em TI, que lhe rendia, na época, R$ 3.000 ao mês, em vez de se dedicar à graduação. "Em algum momento, pretendo voltar à vida acadêmica, mas não agora", diz Fabiano, líder de tecnologia da iFactory.

"Sou contra a regulamentação. Isso desautorizaria pessoas com capacidade [mas sem curso superior]", destaca o presidente da Macdata, Antonio Carlos de Macedo, 56. O executivo começou a carreira há 35 anos e diz não ter sentido falta de curso superior.

O arquiteto de software da Cast Informática Cedric Lamalle, 27, no entanto, ressalva que diplomas fazem a diferença no exercício da profissão.Começou em TI aos 18 anos, graduou-se em linguística e fez mestrado em linguística computacional. "Com orientação, ganha-se tempo", sinaliza.

(Folha de S.Paulo)

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