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Mercado
de telecomunicações dá sinais de recuperação
Depois de enfrentar sua pior crise, o mercado de
telecomunicações no Brasil volta a dar sinais de recuperação.
Dados da E-Consulting mostram que, em meio a esse sinal de reaquecimento,
abrem-se em paralelo inúmeras oportunidades, principalmente
para profissionais com formação em redes de computadores.
Leia
mais:
Novos rumos para os profissionais de telecom
Depois de enfrentar sua pior crise, o mercado de
telecomunicações no Brasil volta a dar sinais de recuperação.
Dados da E-Consulting revelam uma receita de US$ 39,2 bilhões
em 2003, contra US$ 37,7 bilhões em 2002. Para este ano,
a previsão de investimentos é da ordem de US$ 8,3
bilhões, envolvendo projetos de infra-estrutura em telefonia
fixa e móvel. Em meio a esse sinal de reaquecimento, abrem-se
em paralelo inúmeras oportunidades, principalmente para profissionais
com formação em redes de computadores.
"Há uma concorrência acirrada
entre os fabricantes de equipamentos e as operadoras, que em busca
de ampliar o market share, consomem avidamente tecnologias de ponta,
como frame relay, wireless e voz sobre IP (VoIP). É nesse
segmento que se exige gente cada vez mais especializada", explica
Daniel Domeneghetti, sócio da consultoria. Mas as chances
não se restringem apenas em dominar o funcionamento dos equipamentos.
É na área de serviços que as vagas brotam.
"Isso porque os fornecedores concentram foco mais naquilo que
agrega valor ao negócio e gera mais dinheiro", analisa.
Agora, a questão é: como encontrar
o caminho das pedras? A resposta está nos cursos de certificação,
pós-graduação e MBAs. Além de reciclarem
quem possui experiência, eles também ajudam aqueles
que pretendem entrar nesse universo, dando um up grade na carreira
e elevando salários, que podem variar entre R$ 1 mil e R$
10 mil. De um lado há as certificações oferecidas
pelos fabricantes, criadas a partir da necessidade de encontrar
profissionais preparados para atender às suas realidades.
"Só a educação acadêmica, tanto
de nível médio quanto superior, não era suficiente",
ressalta Graça Bernardes, gerente de marketing da 3Com. Por
isso, a empresa criou três programas distintos.
O primeiro é realizado em conjunto com o
Senac (unidades de São Paulo e Rio de Janeiro) e o Instituto
de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Ambos envolvem o aprendizado
de redes wireless - que permitem acesso à internet em aparelhos
móveis - e telefonia IP, sistema onde por meio do canal de
voz pode-se trafegar dados. No caso do IPT, ligado à Secretaria
da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e
Turismo do Estado de São Paulo, entre outubro de 2003 e maio
deste ano cerca de 600 pessoas foram treinadas. "Nós
fornecemos o conteúdo e eles contam com o espaço físico.
Temos um laboratório montado lá dentro, que dá
uma visão técnica e teórica aos alunos",
afirma.
O segundo programa, conhecido por Solutions Expert,
forma especialistas do mercado em geral para atuar com a tecnologia
3Com. E por último existe a certificação Solutions
Associate, direcionada a equipe de vendas dos parceiros, já
que a companhia não comercializa seus produtos de forma direta.
A boa notícia é que nestes dois casos, cursos e exames
são gratuitos. Eles acontecem nos centros autorizados pela
3Com University, sua universidade corporativa. "No currículo
são abordadas questões como instalação
e configuração de equipamentos, segurança,
comércio eletrônico e segurança, entre outros",
diz Graça.
Além da 3Com, para quem deseja se tornar
um profissional cobiçado na área de redes, uma opção
bem atraente é se tornar um especialista Cisco. A companhia
é um dos maiores nomes do segmento de sistemas de voz e dados.
Só para se ter uma idéia do peso da marca, quase todo
o tráfego mundial de internet passa por seus roteadores -
equipamentos responsáveis pelo direcionamento das informações
na web ao seu destino. E aqui há vários degraus para
se chegar ao topo, que é o título de mosca branca.
Essa denominação foi dada exatamente pelo grau de
dificuldade para conquista-lo. Obter a certificação
Cisco Certified Internetwork Expert (CCIE) exige afinco e investimentos
que chegam a R$ 22 mil. Em compensação, a média
de salário fica em torno de R$ 10 mil.
É claro que desbravar esse caminho um tanto
árduo exige dedicação e esforço. Ser
um profundo conhecedor da tecnologia é fator imprescindível,
porque quem começa precisa ter uma formação
bastante técnica e buscar se atualizar sempre. "O cenário
é bem diferente de três anos atrás, quando sobravam
vagas e aquele que tinha em seu currículo um diploma de certificação
era disputado a peso de ouro. Hoje, a certificação
continua importante, mas como forma de facilitar uma colocação
junto às empresas", ressalta Hitoshi Nagano, diretor
geral da UTStarcom no Brasil, um exemplo de profissional bem-sucedido
na área.
O executivo começou sua trajetória
já na faculdade de engenharia eletrônica - em uma das
mais tradicionais universidades do país, o Instituto Tecnológico
de Aeronáutica (ITA) -, onde seu trabalho de conclusão,
em 1989, envolvia redes de computadores, como a disciplina era conhecida.
Não deu outra, foi um caminho sem volta. Como havia interesse
de fazer mestrado e doutorado, Nagano foi atrás de seus objetivos
e em seguida ganhou uma bolsa do governo japonês. Em março
de 2000 foi embora, rumo ao enorme potencial do mercado que despontava.
"Minhas previsões estavam certas. As soluções
de informática cresciam a todo vapor e se popularizavam com
a consolidação do computador pessoal", afirma.
Durante seis anos, defendeu teses com foco em redes
de alta velocidade (banda larga) e IP (protocolos de Internet),
tornando-se Ph.D pelo Nagoya Institute of Technology. De volta ao
Brasil, logo foi fisgado por uma empresa de tecnologia, a Lucent
Technologies. Lá foi gerente de vendas no Rio de Janeiro,
responsável por uma receita de US$ 60 milhões ao ano
em contas da região, incluindo a Embratel. Também
foi gerente técnico para as tecnologias SDH, frame relay
e ATM. Desde 2003, a companhia está voltada para o mercado
de telecomunicações. "Não há uma
receita mágica. Mesmo diante de um cenário mais competitivo,
com profissionais bem qualificados, ainda existem grandes oportunidades
a serem exploradas. Todo dia vemos novas tecnologias aparecerem,
como hoje é o caso das redes sem fio e da banda larga. E
precisamos de gente que decifre seus meandros", aponta Hitoshi
Nagano que acabou encontrando espaço na área executiva.
Este, aliás, é um segmento que oferece
inúmeras chances. Segundo Tereza Cristina Carvalho, diretora
técnica do Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores
(Larc) que pertence ao Departamento de engenharia da Escola Politécnica
da Universidade de São Paulo (USP), um dos requisitos para
quem se forma em redes, assim como acontece com os profissionais
de tecnologia , é conhecer não apenas os "bits
e bytes", mas entender mais do negócio. "As empresas,
principalmente as americanas, exigem do profissional saber o que
está fazendo e ao mesmo tempo agregar valor, contribuindo
na geração de receitas maiores", destaca. Foi
exatamente para preencher essa lacuna que o departamento criou em
2003 o curso de MBA, com ênfase em três áreas:
redes, negócios e gestão de TI (Tecnologia da Informação).
Com uma média de 26 alunos por turma, a qualificação
é um misto de aulas técnicas e de business. Muito
do que é trabalhado no MBA é fruto da experiência
da professora durante sua estada no MIT. "Todas as aulas são
gravadas, disponibilizadas no nosso site, facilitando o aprendizado
do aluno que pode rever seu conteúdo", explica. Vale
lembrar, no entanto, que é preciso dispor de um bom dinheiro
guardado, porque os valores são bastante salgados. O MBA
do Larc, por exemplo, sai por R$ 26 mil, envolvendo um período
de 15 meses. Além dele, há outros cursos isolados,
com ênfase variável, de acordo com a demanda do mercado.
"Ano passado focamos segurança em redes, porque era
uma grande preocupação para as companhias", diz
Tereza Cristina. Até agora já passaram por lá,
no total, 300 pessoas, contando com os cursos fechados para empresas.
(Valor -
16/06/04)
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