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Brasil se torna a pátria do MSN Messenger
A Microsoft está
em festa no Brasil. Embora continue ameaçada pela pirataria
de software, seu eterno e grande inimigo por aqui, a empresa de
Bill Gates tem um bom motivo para comemorar. Desde o final de julho,
o País passou a ter a maior comunidade de usuários
de Messenger do mundo. A nação brasileira do MSN atingiu
30,5 milhões de pessoas, segundo a companhia. É o
equivalente a 11,4% dos usuários do programa de mensagens
instantâneas da Microsoft em todo o mundo.
De cada quatro internautas
brasileiros, três usam o programa. 'O Messenger tornou-se
o padrão de comunicação brasileiro. É
um êxito que continua em curva ascendente', diz o americano
Steve Berkowitz, vice-presidente sênior da divisão
de serviços online da Microsoft, que esteve no Brasil pela
primeira vez na semana passada. Nos Estados Unidos, ao contrário,
outros programas, como o do Yahoo! e o da AOL, também caíram
no gosto dos usuários.
A audiência gigantesca
transformou o Messenger e, por tabela, o portal MSN, aberto toda
vez que o usuário se conecta ao programa, em locais disputados
entre os anunciantes, sobretudo para aquelas empresas que querem
falar com o público entre 6 e 24 anos, quase metade dos usuários
do Messenger. 'O MSN virou um grande veículo de anúncios.
Para ter sucesso na web, nós precisamos de duas coisas: audiência
e anunciantes', diz Berkowitz.
O Brasil já garante
à Microsoft uma das cinco melhores receitas publicitárias
do mundo. A companhia não divulga números absolutos.
Além do espaço publicitário, a empresa também
oferece soluções para anúncios digitais, cujas
vendas cresceram 57% nos últimos doze meses. Até agora,
tem mais de 450 clientes.
O crescimento da base
de usuários do Messenger tem sido maior até do que
o aumento das vendas de computadores no País. Nos últimos
dois anos, a comunidade ganhou 20 milhões de novos usuários,
enquanto 14 milhões de máquinas foram vendidas no
mesmo período, segundo a Associação Brasileira
da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
'Temos visto um crescimento muito grande a partir de locais com
acesso público', diz Osvaldo Oliveira, gerente-geral da divisão
MSN no Brasil.
A carioca Fabiana Campos
Reis, 14 anos, é a típica usuária que está
entrando com força nese clube. É jovem, não
tem computador em casa, mas diz que divulga sua conta do Messenger
com quem quer que converse no metrô, na rua, ou na escola.
Moradora do Morro do Vidigal e aluna da 7ª série, todos
os fins de semana ela fica online para conversar com amigos da sua
lista de 155 contatos por até cinco horas a fio, em lan houses
ou no telecentro da ONG Ser - Alzira de Aleluia, onde freqüenta
um curso de informática. 'Cinco horas parecem minutos', diz.
Um público tão
assíduo é um prato cheio para anunciantes. Hoje, um
terço dos investimentos de publicidade online da cerveja
Skol vão para o MSN. A marca anuncia no espaço desde
2006, quando deu início a uma estratégia para reforçar
sua imagem na internet. 'Nós dobramos o investimento em internet
entre 2006 e 2007. Hoje, 5% do orçamento para publicidade
vai para a web', diz o gerente de produtos da Skol, Leonardo Byrro.
'O consumidor mudou, está consumindo mídias diferentes.
E o MSN virou um dos principais veículos.'
Atualmente, o programa
tem 19 anunciantes com ícones fixos na barra lateral (a Skol
é um deles). Em geral, são contratos com um ano de
duração. A Coca-Cola foi a primeira anunciante, em
abril de 2005. A parceria foi firmada ao mesmo tempo nos Estados
Unidos. 'De alguma forma, nós ajudamos a desenvolver o Messenger
porque criamos conteúdo para o programa', acredita o diretor
de marketing da Coca-Cola, Ricardo Fort.
O espaço não
é adequado para propagandas convencionais. Para a coordenadora
digital do Banco Real, cuja verba anual no programa é de
R$ 800 mil (12% dos recursos gastos na web), o Messenger é
uma 'ferramenta de presença da marca'. A Coca-Cola, por exemplo,
criou emoticons (símbolos que mostram o humor dos usuários),
fundos de tela e programas para mixar música para que os
usuários convivam com a marca quase sem perceber. Agora,
se esse convívio é revertido em vendas, é outra
história.
(O Estado
de S.Paulo)
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