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Arte estimula uso de informática entre os jovens
Projeto Casulo
tenta desenvolver competências por meio da inclusão
digital. Programa do Instituto de Cidadania Empresarial, o projeto
ainda não completou um ano e já conta com 260 jovens
matriculados.
Leia
mais:
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jovens
- Curso cria oportunidades no mercado de trabalho
Arte estimula uso de informática entre os jovens
Investir na
formação do jovem como agente de transformação
social pode ser o ponto de partida para a melhoria da qualidade
de vida das populações de baixa renda. Por acreditar
nessa possibilidade o Instituto de Cidadania Empresarial implantou
o Projeto Casulo, que busca desenvolver competências tendo
como ponto de partida a inclusão digital. O programa ainda
não completou um ano e já conta com 260 jovens matriculados.
Os cenários
escolhidos para a formação dos primeiros agentes são
o conjunto habitacional do Real Parque e o Jardim Panorama, na zona
Sul da capital paulista. "Vamos ficar ali durante cinco anos,
até 2008, quando os jovens já terão formado
um conselho de gestores com suporte e capacidade suficientes para
dar continuidade ao programa", diz Maria Célia Barletta,
que coordena o Projeto Casulo.
A clientela
do Casulo tem entre 12 e 24 anos de idade. Embora o objetivo do
projeto seja a inclusão digital, a aproximação
não começa por aí. "Desenvolvemos oficinas
culturais para incrementar a adesão às aulas de informática",
conta Maria Célia. "Quando há oportunidade, o
potencial se realiza", acredita.
O jovem se apropria
de alguma manifestação artística para fazer
uma intervenção na comunidade e, de quebra, aprende
a lidar com os computadores. É com essas ferramentas novas
fornecidas pela informática que o jovem vai subsidiar as
ações que pretende desempenhar.
"Ele começa
no cultural e entra no digital", explica Luis Fernando Guggenberger,
do Projeto Casulo. "Vai fazer cartazes e 'folders' para divulgação
de suas produções artísticas usando recursos
digitais que, mais tarde, servirão como elementos para confeccionar
as peças que vão captar os recursos que produzirão
seus espetáculos", explica.
Para o desenvolvimento
do Projeto Casulo, que foi iniciado no ano passado, o Instituto
de Cidadania Empresarial captou R$ 5 milhões entre seus parceiros,
que incluem o grupo Camargo Corrêa, Instituto Votorantim,
Fundação Alcoa, Deutsche Bank.
A Prefeitura
de São Paulo também entra na parceria: cedeu a área
da entrada da favela do Real Parque, onde o Casulo construiu a sede
e uma pré-escola que o município administra. Maria
Célia diz que 2003 foi um ano atípico, de arrancada
do projeto. Para 2004, ela estima que cerca de R$ 1,5 milhão
sejam suficientes para manter o projeto.
A intenção
do Casulo é transmitir conhecimento técnico da área
de informática, introduzir os jovens no mundo das ferramentas
digitais e oferecer condições para que eles possam
selecionar informações de seu interesse em meio aos
milhares de dados à disposição na rede.
Entre os participantes
dessa primeira leva do programa, 15 já se familiarizam com
a linguagem digital e já estão formando um núcleo
de comunicação.
Um dos parceiros
nessa nova empreitada é a agência de publicidade Lew,
Lara, que está reunindo fornecedores para viabilizar as produções
dos jovens. Do projeto devem sair algumas ferramentas tecnológicas
que vão dar início ao processo de captação
de recursos. "Os vídeos culturais feitos por eles podem
associar a produção à marca do patrocinador",
explica Luis Fernando Guggenberger.
Para facilitar
o andamento do trabalho, os jovens estão fazendo também
a reformulação do site. Além disso, eles estão
em preparativos para colocar no ar a rádio ambiente, que
vai funcionar apenas dentro do prédio do Casulo. A programação
deve prestigiar grupos musicais das favelas do entorno. E, como
nos demais aspectos do projeto, para a produção dos
programas, o conhecimento do mundo digital também é
determinante.
(Valor Econômico
– 20/02/04)
Curso cria oportunidades no mercado de trabalho
No Morro dos
Macacos, no Rio de Janeiro, formação em informática
tem sido garantia de trabalho. Que o diga Leandro Farias, que apostou
no mundo digital quando a internet ainda era um mistério.
Isso foi em 1995, na Escola de Informática e Cidadania (EIC)
do Comitê para Democratização da Informática
(CDI), quando os computadores eram lentos, monocromáticos
e sem muitos recursos. "O que aprendi garantiu meu primeiro
sustento", lembra Farias, o primeiro aluno da EIC. Hoje ele
é coordenador e professor da escola, por onde já passaram
mais de 4.500 alunos.
Farias e outros
40 colegas de curso estão envolvidos atualmente com a criação
da Dinamicoop, uma cooperativa para suprir as necessidades da clientela
que contrata os serviços. "Estamos apenas engatinhando,
mas sabemos que as oportunidades vão aparecer", diz
Farias. "Para uma comunidade que é conhecida pela criminalidade,
pelo samba e pelo futebol, estamos indo bem. Vamos provar que podemos
muito também nas áreas técnicas", diz.
Além
da cooperativa, a escola continua funcionando e formando novos alunos.
Na área de cursos 14 computadores formam a base do laboratório
de informática. Depois do curso básico, o aluno tem
outras opções com vistas à profissionalização:
curso de webdesign; montagem e manutenção de micros;
montagem e administração de rede. "Os cursos
garantem qualificação, mas muita gente sabe que não
vai conseguir emprego por isso", diz Farias. "Temos a
incumbência de fazer nosso próprio empreendimento,
gerando renda para a própria comunidade."
Gerar renda
no Morro dos Macacos, segundo Farias, é uma questão
de oportunidade - que não anda faltando. "Muitas empresas
e instituições já bateram na nossa porta",
diz. "São empresas pequenas que estão começando
a se informatizar e não têm uma estrutura muito grande."
Dar conta do trabalho, nesse momento de arrancada, é crucial,
como confessa Farias.
"Gostaria
que as pessoas do morro que se apropriam do conhecimento para gerar
renda sejam interpretadas como realmente são - trabalhadores",
diz Farias, que já pensa em exportar o modelo da Dinamicoop
para oficinas de artesanato, de corte e costura e até padeiros.
"Desenvolver esses segmentos e canalizar a vocação
dessas pessoas pode ser uma grande alternativa para o tráfico."
Alternativas
não faltam - "o problema é saber identificar
quando elas aparecem sem desperdiçar oportunidades",
na opinião de Eliane Rodrigues, coordenadora do Projeto Crescer
Sabendo. O projeto é ligado a Amunan, organização
social de Nazaré da Mata (PE), que trabalha com meninas em
situação de risco ou vítimas de violência
sexual.
As meninas freqüentam
a entidade no contraturno da escola. As aulas de cidadania, educação
sexual e as oficinas de dança são intercaladas com
aulas de computação. Essas aulas para as 85 meninas
assistidas já renderam colocação no mercado
de trabalho. Três delas foram selecionadas para estágios
na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. Duas foram
para a universidade, enquanto outras duas são locutoras e
produtoras da rádio comunitária. "O programa
é sobre sexualidade e cidadania em linguagem que adolescente
entende e gosta", diz Eliane.
O grande salto
qualitativo dos cursos de informática é que, a partir
de agora, as próprias mães das meninas vão
participar. "Mulheres de periferia conhecem o computador só
de longe. Nunca tiveram qualquer contato com essa linguagem. Com
esse novo projeto queremos que mães e filhas se aproximem
mais, troquem idéias e utilizem o computador para algum projeto
muito pessoal."
(Valor Econômico
– 20/02/04)
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