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Pesquisa mostra que Vale do Silício perdeu empregos e reduziu
salários
O Vale do Silício,
pólo tecnológico americano, perdeu 127 mil postos
de trabalho, ou cerca de 9% do total, do primeiro trimestre de 2001
ao segundo trimestre de 2002. Foi o que concluiu um estudo divulgado
pela Joint Venture Silicon Valley, organização sem
fins lucrativos formada para promover a região.
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Pesquisa mostra que Vale do Silício perdeu empregos e reduziu
salários
O Vale do Silício,
pólo tecnológico americano, perdeu 127 mil postos
de trabalho, ou cerca de 9% do total, do primeiro trimestre de 2001
ao segundo trimestre de 2002. Foi o que concluiu um estudo divulgado
domingo (19/01) pela Joint Venture Silicon Valley, organização
sem fins lucrativos formada para promover a região.
As perdas de
vagas no período equiparam-se a mais da metade dos ganhos
de 1998 a 2000. A diminuição foi particularmente acentuada
nas indústrias que a pesquisa definiu como grupos "líderes":
software, semicondutores e hardware de computação
e comunicações, que perderam 22% do segundo trimestre
de 2001 ao segundo trimestre de 2002.
Ao mesmo tempo,
o salário médio no Vale do Silício diminuiu
6%, para US$ 62,5 mil por ano, descontada a inflação.
Foi o segundo ano de declínio depois do pico de US$ 79,8
mil em 2000. A média continua acima do nível de 1988
e ainda é bem mais alta que a nacional, de US$ 38,4 mil.
"O ponto
principal é que passamos por um ciclo de ascensão
e queda. Pode-se ver isso em todos os dados sobre tendências",
disse Doug Henton, presidente da Collaborative Economics, empresa
de pesquisa de Mountain View, Califórnia, que realizou o
estudo.
No entanto,
além desse ciclo de negócios, o Vale do Silício
está diante de questões de longo prazo mais profundas,
afirmou Henton. Ao longo dos anos 90, o Vale assistiu a uma grande
migração da produção de hardware para
a produção de software. "É uma mudança
natural, mas há alguns impactos interessantes", explicou.
"O tamanho médio de uma companhia de software é
de 20 funcionários; a companhia de hardware média
tem 200. Então estamos falando de várias pequenas
empresas. Qual será seu futuro na competição
global?"
O Vale do Silício
já suportou grandes tombos e, a cada vez, abraçou
uma inovação que estimulou novo ciclo de crescimento.
Quando os gastos militares se desaceleraram no início dos
anos 70, a indústria dos semicondutores decolou; quando a
concorrência japonesa ameaçou os fabricantes de chips
na década de 80, a indústria migrou para os microprocessadores
e os computadores pessoais; quando o PC se tornou um produto de
consumo nos anos 90, a Internet possibilitou novo crescimento.
Henton disse
que não está clara qual a próxima fonte de
crescimento econômico, mas suspeita que o papel será
desempenhado pela indústria biomédica, combinando
software com biotecnologia e instrumentos avançados para
aprimorar os cuidados com a saúde. O Vale do Silício
já tem a maior concentração de companhias biomédicas
nos EUA, com 37 mil pessoas empregadas.
Mas a próxima
grande inovação poderia ser algo completamente diferente
- e poderia vir tanto da Finlândia ou Cingapura quanto da
cidade californiana de Sunnyvale. "A região está
diante de um ambiente global competitivo diferente do que experimentou
historicamente", disse AnnaLee Saxenian, professora de planejamento
regional na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Uma descoberta
surpreendente do estudo é a rápida mudança
da demografia da região, com uma crescente diversidade étnica.
Em 1970, 83% dos moradores eram brancos. Hoje, 45% são brancos
e não-hispânicos; 26% são asiáticos ou
originários das ilhas do Pacífico; 21% são
hispânicos; e 3% são negros.
Entre os moradores
com menos de 18 anos, os brancos são apenas um terço,
praticamente o mesmo que o total de hispânicos e asiáticos.
"Para cada
engenheiro de software há um servente ou um empregado do
setor de alimentos", disse Manuel Pastor, professor de estudos
latino-americanos na Universidade da Califórnia em Santa
Cruz. "Há uma quantidade enorme de energia econômica
aqui. A questão é como aproveitá-la. É
um desafio para o vale."
(O Estado
de S. Paulo - 21/01/03)
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