Animadores têm mercado de trabalho em expansão

O mercado de trabalho para animadores não pára de crescer e, atualmente, chega a pagar para o profissional empregado num estúdio, salários entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil. Cursos na área têm atraído principalmente jovens, recém-formados em desenho industrial e publicidade.

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    - Trabalho animado
    - Governo federal acena com incentivos na área
    - Saiba como o setor funciona

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Trabalho animado

Foram inscritos 293 curtas brasileiros no último Anima Mundi, o festival internacional de animação realizado anualmente no Rio e em São Paulo. Bem diferente das primeiras edições, quando a mostra, que começou em 1993, recebia uma única inscrição de filme nacional. Ou nem isso. É o termômetro de um mercado que não pára de crescer e que paga, para o profissional empregado num estúdio, salários entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil.

O mercado brasileiro movimenta bem abaixo dos bilhões de dólares anuais dos americanos. Mas tem 350 agências, que faturam de R$ 50 mil a R$ 300 mil por mês. Para Aída Queiroz, diretora de animação da Campo 4 Desenhos Animados e uma das organizadoras do Anima Mundi, o país vem aprimorando sua técnica e está faminto de bons profissionais:

“É um campo muito vasto, que inclui curtas e longas metragens, séries para a TV, internet, filmes institucionais, mídia impressa e games, além da publicidade, que hoje é a principal fonte de trabalho dos animadores.

Cursos na área têm atraído principalmente jovens, recém-formados em desenho industrial e publicidade. A produtora Aqueles Caras, formada por quatro sócios de 25 a 29 anos, é um exemplo: surgiu quando os então estudantes de desenho industrial Julian Coate e Bernardo Prata, fãs do Anima Mundi, foram aprender as técnicas e montaram um escritório de criação no quarto de um deles.

Hoje, depois de quatro filmes apresentados no festival, têm uma carteira de clientes como Petrobras, Cultura Inglesa, Embratel e CasaShopping. A produtora também fez o clipe da banda Seu Cuca, todo animado, e a abertura do filme “Menino Maluquinho 2”.

“A animação atinge gente de todas as faixas etárias e classes sociais. As perspectivas são muito boas, principalmente porque o governo já começa a incentivar o setor”, diz Prata.

(O Globo – 29/05/05)

 

 Governo federal acena com incentivos na área

O setor de animação assistiu, no ano passado, a um esforço do Ministério da Cultura para fomentar a produção audiovisual de desenhos animados no país. Uma das ações foi a realização de concursos públicos, que concederam subsídios.

“Em 2004 foram abertos três editais pelo Ministério da Cultura: um para produção de 20 filmes de um minuto, em parceria com a TVE, outro para produção de dez curtas de cinco a 15 minutos, e, por último, uma concorrência para pré-produção de três longas-metragens. Cada um dos selecionados de cada um dos três grupos teve direito, respectivamente, a R$ 10 mil, R$ 60 mil e R$ 100 mil”, conta Arnaldo Galvão, conselheiro da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) e diretor de Animação do Estúdio Mega.

Galvão destaca ainda que a ABCA está fazendo um mapeamento, com recursos do Fundo Nacional de Cultura, de toda a produção de animação no Brasil, passando por todos os meios de comunicação, desde o início da atividade:

“A outra etapa desta pesquisa é cadastrar todos os profissionais de animação. Pretendemos levar isso para o Ministério do Trabalho para tentar regulamentar a atividade.”

Com o incentivo do governo, os profissionais de animação acreditam que em breve a telona exibirá longas brasileiros de animação 3D do nível de filmes como “Shrek”, “Procurando Nemo” e “Os Incríveis”:

“ Quando isso acontecer, acredito que faltarão animadores brasileiros para a demanda de trabalho”, diz o editor e produtor Marcelo Vidal, sócio dos animadores Maurício Vidal e Renan de Moraes no estúdio Conseqüência, que é responsável, entre outros trabalhos, pela abertura do programa “Sob nova direção”, da Rede Globo, e pelo clipe “Three little birds”, de Gilberto Gil, este em parceria com as produtoras Seagulls Fly e Conspiração Digital.

Outra boa perspectiva para o setor está no projeto de lei 1.821/03 do deputado federal Vicentinho (PT/SP), que estabelece regras para a exibição de desenhos animados produzidos no Brasil pelas emissoras de TV aberta e os canais pagos. No primeiro ano de vigência da lei, se aprovada, 10% da programação de desenhos serão compostos por animações brasileiras, percentual que tem de aumentar dez pontos a cada ano, até alcançar 50% no quinto ano.

Para se encaixar nos padrões de conteúdo imaginados pelo autor do projeto, o desenho deverá conter princípios éticos e de cidadania e refletir a cultura nacional e regional, entre outros temas politicamente corretos. A notícia do projeto foi recebida com entusiasmo no círculo dos animadores. Os profissionais, no entanto, acreditam que sua aprovação não será fácil.

“Este assunto terá que ser muito discutido pela sociedade. Pois as emissoras de televisão precisam estar interessadas. Não adianta empurrar goela abaixo”, diz Arnaldo Galvão, da ABCA.

Profissionais do setor, como Aída Queiroz (que organiza o Anima Mundi com Cesar Coelho, Marcos Magalhães e Lea Zagury), entendem que o Brasil precisa ganhar uma escola de animação.

“A mão-de-obra no setor ainda é muito autodidata. Uma escola de animação seria fundamental”, diz Aída, uma das professoras do curso de pós-graduação de animação da PUC-Rio, o primeiro do Brasil, criado no ano passado. ”A capacidade do curso, de um ano, é de 25 alunos, insuficiente para a procura.

Erica Mathias, gerente de projetos de Web & Comunicação do estúdio Seagulls Fly, que fez trabalhos como o premiado videoclipe de Frejat “Túnel do tempo”, em parceria com o estúdio Conseqüência, diz que os cursos de 3D e animação são a melhor opção para que a pessoa se ambiente com os modernos softwares .

“Mas não se pode esperar a receita do bolo. Tem que testar, errar, explorar, enviar para fóruns de discussão. A internet fez uma grande diferença nesse processo, ajudou bastante a popularizar, pois a troca de informações e experiências é constante,” diz Erica.

No Rio de Janeiro, a Azimut Digital (AZMT), uma das escolas de computação gráfica procuradas por quem quer entrar na área, tem cursos como “Animação e modelagem de personagens”; “Maquete eletrônica”; “Efeitos especiais” e “Arte em games”. Cada um tem duração de um ano e custa cerca de R$ 4.500.

Gustavo Freitas, o coordenador técnico da AZMT, que é dirigida por Rafael Braga e Ranz Ranzenberger, conta que a escola optou por reformular seus cursos recentemente:

“Oferecíamos programas de curta duração, mas começamos a perceber que os interessados buscavam uma formação mais ampla, para se profissionalizar. Atualmente temos uma média de 25 alunos por turma, que é o máximo que podemos aceitar.”

(O Globo – 29/05/05)

 

 Saiba como o setor funciona

Cursos Rápidos: A sede do Anima Mundi serve de sala de aula para os cursos “Básico de animação”; “ Storyboard ” (roteiro em quadrinhos); “ Stop motion ” (filmagem de seqüências com bonecos de massinha, papel, plástico, entre outros materiais) e “Avançado de animação”. Os programas têm duração de 16 a 30 horas. Informações pelo 2543-8860. A Universidade Veiga de Almeida oferece, no campus de Cabo Frio, o “Modelagem, animação e renderização de personagens e objetos 3D”, com 48 horas. Informações: (22) 2647-5275.

Cursos Longos: A Azimut Digital (AZMT), em Copacabana, oferece os cursos “Animação e modelagem de personagens”; “Maquete eletrônica”; “Efeitos especiais” e “Arte em games ”. Cada curso tem duração de um ano. Informações pelo telefone 2548-9784. O Senac Rio tem uma parceria com a AZMT e também oferece estes cursos em seu Centro de Cultura e Comunicação. Informações pelo 3138-1000. A PUC-Rio criou o primeiro curso de pós-graduação em animação do Brasil, com duração de um ano. Informações no site icad.puc-rio.br/~nada.

Regulamentação: A Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) está cadastrando os profissionais de animação. A meta é traçar o perfil do setor e encaminhá-lo ao Ministério do Trabalho para tentar regulamentar a atividade. A pesquisa conta com recursos do Fundo Nacional de Cultura, do governo federal.

Projeto De Lei: Se aprovado, um projeto de lei do deputado federal Vicentinho (PT-SP), o 1.821/03, vai incrementar ainda mais a produção de desenhos animados no Brasil. O texto estabelece regras para a exibição de desenhos animados pelas emissoras de TV aberta e pelos canais por assinatura: no primeiro ano de vigência da lei, 10% da programação de desenhos deverão ser compostos por animações brasileiras, percentual que aumentaria dez pontos a cada ano, até alcançar 50%.

(O Globo – 29/05/05)

 
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