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O melhor segundo semestre da vida de todos nós
Recentemente
ouvi o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,
dizer frase de efeito que me chamou a atenção: “Prefiro
os críticos que me corrigem aos aduladores que me corrompem”.
A singeleza
da frase se contrapõe à extensão de seu ensinamento.
Algum tempo depois acabei por saber que a autoria seria de Santo
Thomaz de Aquino.
A essa frase,
associo outra escrita em recente artigo de Gilberto Dimenstein
que comentava o que chamou de “compulsão retórica”
de nosso presidente. Na visão do jornalista, nosso presidente
ainda carece de amadurecimento para adquirir a percepção
da extensão que atos e frases suas têm na realidade
de nosso país. Nessa linha, falta de percepção,
pode-se perfeitamente incluir a ignorância de nosso presidente
às regras de segurança que seguidamente quebra na
busca do “contato com o povo”. Dimenstein completava
o texto e, no derradeiro parágrafo, mostrava o que a seu
ver está na origem desta falta de percepção
presidencial: “É o velho problema dos palácios:
excesso de bajuladores e pouca gente com coragem para uma conversa
franca”
Estas frases
que citei fecham um quadro da alienação do supremo
mandatário da nação em relação
a realidades do país que ele governa. Aliás, país
este que deveria ser outro – próspero a ponto de gerar
10 milhões de novos empregos - se levarmos em conta as promessas
de campanha. Esta mudança adviria de uma atuação
diferenciada do atual governo em relação ao anterior.
O iniciar do
segundo semestre de um governo faz com que olhemos para o que ocorreu
no semestre anterior. Esse olhar pode ser materializado pela pesquisa
divulgada pelo DATAFOLHA que, dentre muitos dados,
traz a comparação das pesquisas de “primeiro
semestre” dos governos Lula, FHC
– primeiro e segundo mandato – , Itamar
e Collor. O único dado positivo para este
primeiro semestre, na percepção dos entrevistados,
foi o crescimento de 40% para 43% daqueles que consideram que o
atual governo tenha sido “Regular”.
A mim o dado
que mais chamou a atenção é a resposta à
relevância da questão do desemprego em dois momentos
pesquisados.
Entre 31/mar e 01/abr de 2003, 31% dos entrevistados entendiam ser
o desemprego o principal problema do país.
No segundo
momento pesquisado, 24 a 25/jun, sobe para 42% a percepção
de que o desemprego seja o pior dos problemas brasileiros. No mesmo
período, “violência/segurança” decresceu
de 18% para 15%, o que por si só já dá uma
idéia da preocupação da população
ante a insegurança familiar que o desemprego provoca. Provável
que não seja necessário destacar, mas o faço.
Foi de 11 pontos percentuais o crescimento em pouco mais de 60 dias.
A prova provada desta realidade negra é a afluência
de 30 mil pessoas candidatas a vaga de gari no Rio de Janeiro, incluindo
vários bacharéis nessa massa.
Encerro reproduzindo outra frase dita por estes dias, esta do presidente
Lula: “O segundo semestre trará
o espetáculo do crescimento”.
Daí
o título que escolhi para este texto e que espero seja profético.
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BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial
e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
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