A complementação de estudos de executivos

É possível qualificar este mais recente processo eleitoral com a Eleição da Informação. A enxurrada de informes vinha de todas as formas e usando todos os meios de comunicação. Fomos expostos a um sem fim de notícias, na mais correta acepção deste termo. Por outro lado, fomos alvo também das mais absurdas inverdades, algumas das quais facilmente perceptíveis e outras nem tanto. A novidade, a meu ver, ficou por conta da influência da Internet. Correntes surgiram pelo constante "repleiar" (para usar o neologismo) de textos para a lista de endereços de cada internauta. Um destes dava conta de um hipotético desabafo de um pai frente a uma provável eleição de um presidente de parcos estudos. O Sr. Lula por ser pouco letrado não teria plenas condições de exercer a Presidência da República e assim seria péssimo exemplo ao filho. Fujo dessa discussão por um viés, este sim, que me interessa muito e que se adapta ao espaço. Até quando deve um profissional estudar?

Primeiro, não podemos dissociar qualquer análise da realidade do país em que nos encontramos e, esta realidade é espelhada em recente texto de Gilberto Dimenstein, na Folha de S. Paulo. Ao fazer uma célere análise do governo FHC ele escreveu: O que mais eu queria foi o que menos encontrei no governo que se despede. Não se investiu na pré-escola.

Continuando a situar o problema em nosso país, há, como já escrevi algumas vezes em artigos anteriores, um inexorável processo de "mulherização" da economia, que não se reflete, ainda, na complementação da educação formal. Uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo realizada com 2.502 mulheres, feitas em áreas urbana e rural, em 187 municípios de 24 Estados brasileiros revelou que 16% têm segundo grau completo, apenas 6% ingressaram no ensino superior e 3% o concluíram. A economia está passando para mãos femininas mas o acesso ao estudo não.

Como então discutir a complementação de estudos dos executivos brasileiros diante de um quadro como este que evidencia os dois parágrafos anteriores? Estou começando a achar que perdi o rumo deste artigo. Mais ainda, essas últimas linhas escritas trouxeram "para frente" em minha memória frase de Sir William Shakespeare lida há não muito tempo:

Eu aprendi que a melhor sala de aula do mundo está aos pés de uma pessoa mais velha.

Definitivamente lá se ia por terra o mote deste artigo diante de tão negro quadro. Daí veio outra frase do mesmo escritor:

As oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.

Parece que encontrei o eixo novamente. Esta realidade que está expressa acima não se aplica aos executivos brasileiros e assim, temos que nos qualificar para aproveitar as oportunidades que se apresentem.

Mas, ainda assim vale o questionamento sobre qual seria o futuro que nos espera para após esta eleição no que se refere à educação?

Eleito Serra há que se supor investimentos por tratar-se de um professor com Mestrado e Doutorado.

Mas e se Lula sair vencedor, o que esperar dele?

Busquei a resposta em seu programa de governo e de lá extraí a seguinte afirmação/compromisso:

Se o país se quer soberano e sem exclusão, precisa desenvolver as ciências humanas, naturais, exatas, a tecnologia, as artes, as múltiplas linguagens. Isto se faz garantindo educação de qualidade para todos. A escolaridade média do brasileiro, de pouco mais de quatro anos, é um indicador da dramática situação de desigualdade e injustiça existente no Brasil.

Há pois uma expectativa embasada de que nossos governantes terão nos próximos anos uma maior preocupação com a Educação.

Bem, e nós executivos o que devemos fazer por nós mesmos?

Hoje já se sabe que o saber científico se transforma com tal rapidez que a verdade aprendida no primeiro ano da faculdade estará superada quando do encerramento do curso. É possível antever em um futuro não muito distante que estes jovens participem de cursos de reciclagens ainda no transcurso de sua graduação.

A carreira de um executivo precisa ser planejada e este planejamento revisado periodicamente. Isso inclui o prosseguimento de estudos. Graduem-se, pós-graduem-se participem dos tais Programas de Educação Continuada para qualificarem-se a estar aptos às oportunidades que surjam.

Para encerrar, uma imposição que, pretensioso, faço aos leitores, calcado na máxima do Millor Fernandes que dizia ser Democracia quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim

Assim, democraticamente, eu recomendo:
ESTUDEM!!! ATUALIZEM-SE!!!

   
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
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