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A tal MP 232
Ari Marques
Muito já
se escreveu e se falou, ao longo das últimas semanas, a respeito
da Medida Provisória 232.
A imensa maioria
do que foi produzido a atacava, lembrando que elevaria a carga de
impostos incidentes sobre a receita das empresas prestadoras de
serviços.
A ressaltar,
a fala do sempre ácido frasista, o hoje deputado Delfim Neto:
“Gostei muito dessa Medida Provisória...... ela provocou
a ira e união da sociedade contra essa carga de impostos”.
Há que
se reconhecer, mais uma vez, a correta percepção do
ilustre ex-ministro.
A mobilização
que se viu foi expressiva. A pressão de entidades como a
Fiesp, PNBE, OAB juntas em ato de repúdio no Clube Espéria,
em S. Paulo, dá a dimensão da importância do
momento. Quem participou daquele evento do dia 15 passado poderá
ter participado de momento histórico. Guardadas as proporções,
algo como a percepção de quem tenha participado dos
comícios das “diretas já”.
Lembrando que
aquela emenda foi rejeitada, mas a mobilização foi
mantida e os resultados obtidos mais adiante.
Deixemos este
lado político cívico e foquemos no pragmático
do custo trabalhista e operacional que mais nos interessa neste
espaço.
Claro é
importante e evidente, ao menos para aqueles que estão fora
do governo, o acréscimo de custo tributário imposto.
Mas, gostaria de chamar a atenção, novamente, para
o ponto do custo encoberto, ou invisível ou não destacado.
O modo como
as elevações tributárias são regulamentadas
trazem severo ônus às empresas e de forma tola. Impõem
tratamento diferente para impostos semelhantes e obrigam a controles
e mais controles, inchando assim a área de gestão
das empresas.
E já
que falamos das prestadoras de serviços que estariam sendo
usadas como antídoto à mordida ferina do governo,
abordemos também outra que já se torna clássica
em grandes volumes de trabalhadores. Falo das cooperativas de trabalho.
Especialmente
aquelas empresas que demandam uma grande quantidade de pessoas,
em especial as de formação média, e que costumam
contratá-las por intermédio das tais cooperativas
independentes.
E assim vamos
nós, a sociedade, de um lado tentando buscar saídas
legais para a escorchante carga de impostos e contribuições
que nos é imposta. E de outro o governo que só faz
tentar refazer seu caixa aumentando sua receita.
Seria demais
pedir que nossos integrantes do executivo não esperassem
sair do comando do governo para voltarem a ter a lucidez que demonstravam
quando fora dele?
E aproveitando
a inovação ocorrida no Legislativo em que o chamado
“baixo clero” assumiu o comando da Câmara: que
tal inovar ali também e começar a discutir com seriedade
a mudança nas relações trabalhistas e sindicais?
Seria uma forma
de contribuir para a criação de empregos e aquecimento
da economia.
De minha parte,
calcado na experiência de 27 anos de consultoria, entendo
que só se pode acabar com a evasão fiscal por uma
de duas formas: eficientíssimo esquema de fiscalização
com imposição de pesadas sanções ou
baixa carga fiscal de forma a tornar desinteressante, economicamente,
a sonegação. Não temos uma nem outra.
Aliás,
cometi um erro ao afirmar acima que me calcava na experiência
pessoal.
Afinal ao longo destes 27 anos eu nunca vi uma ou outra forma de
combate. E olha que, como muitos, vivi tempos que vão da
ditadura militar à oposição no governo.
Conclusão:
são no mínimo pouco criativos esses nossos governantes.
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