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Devaneios econômicos
Uma certeza econômica está presente na mente
de todos nós: Dias piores virão. Os mais otimistas
completarão, claro: assim como os melhores.
De onde vem
essa certeza, perguntam vocês?
Vamos dar um
passeio por algumas questões fulcrais de nossa economia.
A primeira
delas proponho seja exportações. Todos sabemos da
necessidade que o país tem do ingresso de capitais não
especulativos. Pois bem o dado é o montante de investimentos
estrangeiros que caiu de maio para junho 63% de US$ 541 para US$
186 milhões. Papéis de países emergentes passaram
a perder atratividade ante os títulos americanos.
Para seqüência
de nosso passeio proponho que olhemos para Reforma Tributária.
A proporção da carga de impostos sobre o PIB atinge
o patamar de 36,4%, conforme nos ensinam vários tributaristas,
o que já seria um percentual de respeito. Mas, se levarmos
em conta a recente análise feita pelo Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário, essa carga hipotética
chegaria a 51,4%, se consideradas a inadimplência e a sonegação.
Estes dois itens representaram, segundo aquele instituto, US$ 226
bi ao longo de 2002. O que esperar dessa reforma que não
seja maior carga ainda? Lembrando que empresários choram
pois há exportações, e desembaraços
de importações, parados pela greve da Receita Federal.
Se tratamos
de reformas, que tal a da Previdência?. Declaro que me senti
aliviado ao ler que o Horácio Piva da Fiesp havia declarado
sua desistência de tentar acompanhar o processamento das negociações.
Afinal me penalizava por ter feito o mesmo. Neste caso o dado importante
é que o aumento nos seis primeiros meses do ano do déficit
do INSS foi de 16%.
Outro ponto
a ressaltar é a participação dos diversos setores
nessa negociação. Estranho alguns. Aprendi desde sempre
que “juiz fala nos autos”. Se essa máxima continua
verdadeira, o presidente do STF ou do TRT ao se manifestar o faz
como cidadão. E como tal não deveriam ter privilégio
da atenção do Palácio do Planalto.
Recrudescimento
dos movimentos sociais, Movimento dos Sem Terra e dos Sem Teto.
Não há como negar que a fuga de recursos, como vimos
acima, e o aumento do risco país estejam atrelados a forma
como o governo trata este tema. Nesse ponto fico com o governador
Geraldo Alkmim, que nos disse: “Prometeram o grande espetáculo
do crescimento e estamos vendo o grande espetáculo das invasões”.
Mais que isso, vejo constantemente ameaças desses grupos
de que se tentarem expulsá-los eles porão fogo e destruirão
tudo. Aliás foi o que fizeram no episódio dos Hotéis
Danúbio e Términos. Interessante postura democrática
a desses grupos e que faz lembrar os velhos, e não saudosos,
cassetetes “democráticos” de tempos passados.
Antes de finalizar
dois rápidos comentários. Passamos anos fugindo do
“dragão da inflação” que nos devorava
as poupanças. Agora aprendemos que o inverso, a deflação,
é tão ou mais perversa se originada de desaquecimento
econômico. O segundo comentário, me assusto ao ver
a potencial inclusão do estado do Rio Grande do Sul no CADIN
(cadastro de inadimplentes) por dívidas impagas da CEEE (energética
estatal gaúcha). E o que dizer da notícia de que metade
dos 5.600 municípios brasileiros está a beira do colapso
financeiro?
Encerro copiando o que ouvi do mestre Villas Boas Corrêa,
em recente entrevista, que nos lembrava dois pontos importantes
do atual governo. O primeiro é que o ex-presidente Collor
nos deixou, como fruto de sua caça aos marajás, a
bagatela de 12 ministérios e hoje temos esse montante multiplicado
por três já que são 36 os ministérios
atuais – Ministério da Pesca ?????-. O segundo é
que “Mais hora menos hora Lula terá que fazer as pazes
com sua biografia” visto que até o Le Mond dedicou
cinco páginas a cobrar esse movimento de retorno às
origens.
Com esse quadro,
como fica a continuidade de nossas carreiras?
A propósito,
seriam mesmo devaneios o que expressei acima?
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BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial
e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
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