O APRENDIZ é diferente

Chega um momento da vida ... ops já abordei a evolução e o início da vida do APRENDIZ em artigo anterior.

Em verdade para este texto escolhi como alvo aqueles que interagem com o nosso jovem pré-profissional. Neste rol incluímos a todos. Da família aos professores. Mas de forma especial os profissionais que os recepcionam nas empresas.

Antes de seguir adiante há o necessário esclarecimento acerca do título pois dessa ressalva resultará todo o conteúdo deste artigo.

A opção por não usar o plural não foi mero acaso. O objetivo foi mesmo levar isso ao extremo, porque o APRENDIZ é singular e único. Em verdade talvez cometa excesso ao fazer tal afirmação. O que busco é passar a percepção de que não pode haver generalização que coloque os aprendizes num único grupo e assim genericamente transmitamos o conhecimento. Devemos agrupá-los pela forma como captam o conhecimento e daí trabalhá-los.

Diversos foram os expoentes da humanidade que se dedicaram a abordar o tema das diferentes formas que cada um de nós utiliza para absorver ensinamentos. Jung; Piaget; Kolb e aqui em nossas terras Celso Antunes dentre inúmeros outros.

Isso nos remete à preocupação com aqueles que têm por missão orientar aprendizes.

Confesso, me assustam um pouco esses programas de APRENDIZES no atacado que muitas empresas proporcionam. Aliás, o mesmo raciocínio vale para os tais programas de trainees/estagiários.

Aquele a quem compete a missão de transmitir conhecimento cabe ter a percepção do grupo com o qual interage. Ao perceber desvios, devemos moldar a metodologia aplicada para aqueles que não se estejam adaptando, de forma a integrá-los. Uma verdade tem que ser presente nas nossas mentes: há diferentes estilos de aprendizagem e cabe a nós identificá-los e trabalhar tendo-os por base.

No passado a atitude de professores para alunos que não se adaptavam à camisa-de-força que lhes queriam impor era chamar os pais e ante os atônitos dizer: “Seu filho tem problemas”.

Eu mesmo vivi esse momento em minha vida de estudante. Aliás em meu caso foram mais longe. Estudava na terceira série do ginásio do Colégio Estadual Antonio Firmino de Proença, sobrevivente até hoje ao início da Rua da Mooca.

Confesso que nunca fui um exemplo de docilidade com que alguns educadores sonham. Antes, sempre fui questionador.

Aí pelas tantas contataram meus pais e sentenciaram:

Seu filho precisa de um psicólogo, ele não é normal.

Para minha sorte meus pais eram suficientemente centrados para contornar o assunto equilibrando razão e emoção das partes. E aqui estou, engatinhando no caminho do mestrado, já tendo acumulado a graduação, uma pós, uma especialização, MBA além de um sem número de cursos de complementação.

A principal indicação para os que interagem com os jovens é a de que não haja distanciamento entre o que dizem e o que praticam. Afirmar-se um gestor democrático é adequado se nossa forma de ação com a equipe não for ditatorial. Essa incoerência é facilmente perceptível e daí advém a descredibilização do orientador, pondo abaixo o sucesso do treinamento.

Outro ponto importante que gostaria de ressaltar é essa relação entre orientador e orientado. Esta é riquíssima e resulta em aumento de conhecimento a ambos. Este é o conceito de inter-formação em que ambos os lados atuam, causando conhecimento na outra.

Mais um alerta aos orientadores: esqueçamos o conceito vindo das esferas militares em que sob determinado aspecto, lá plenamente aplicável, antigüidade é mérito. Poderemos estar diante de 20 anos de prática que podem se resumir em um de desenvolvimento e 19 de acomodação. Caros colegas orientadores, NUNCA liguem o piloto automático quando em posição de provedor de conhecimento. Por mais tempo que estejamos na estrada, é imprescindível que nos preparemos antecipadamente.

Nas palavras da Professora Doutora Vera Placco, (em curso sobre a Aprendizagem do Adulto-Professor, na PUC-SP), uma importante lembrança: ."A prática do estágio poderá ou não se transformar em experiência”.

Atuemos de forma a transformá-lo em experiência.

   
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
Sugira o próximo assunto a ser comentado por Ari Marques.
Onde estão os prometidos 10 milhões de empregos?
Eternamente Jovem
Ari Marques dá recado aos aprendizes
Responsabilidade, temos?
O chefe tem sempre a última palavra
Devaneios econômicos
O melhor segundo semestre da vida de todos nós
É direta a relação entre taxa de Juros e mercado de trabalho?
Ninguém discute o trabalho?
Falando sobre equipes
Lá como cá, problemas há
Por que alguns insistem em não aproveitar?
O recurso que não se "comoditizou"
E lá se foi 2002
A complementação de estudos de executivos
Reestruturação
As entrevistas de seleção, uma nova visão
A retomada do pleno emprego
A globalização da fraude
O emprego tal qual conhecíamos
O Quarto Setor e o Executivo
Mudou o perfil ideal de profissional. Mudou?
O que dizem, realmente, as estatísticas?
Refletindo melhor
 Brasil, sua economia e o processo de "mulherização" do mercado
Mais uma febre que se foi?
Empregabilidade e evolução
E aonde isso nos pega?
Pós-graduação, em que momento fazê-la?
A hora de trocar de emprego
Ser autônomo ou registrado?
Trabalhar com equipe fixa ou não
O dilema entre o "O" e o "Um"
Remuneração, o que mudou?
Novos tempos em 2001. Estamos preparados ?