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Ninguém discute o trabalho?
Comemoramos
neste mês o dia, quase mundial, dedicado ao trabalho. "Quase",
pois alguns países não reconhecem esta data como tal.
A origem desta comemoração remonta a uma Chicago em
que patrões e empregados se digladiavam em torno da jornada
de trabalho que deveria ser limitada, na visão de empregados,
em 12 horas diárias.
Interessante
neste ponto traçar um paralelo com nosso país. Um
primeiro possível seria com a própria Chicago dos
gangsters, pois há cidades no Brasil que lembram-na pelo
domínio do crime organizado. De certa forma S. Paulo, Vitória
e Rio de Janeiro, onde a fina ironia do carioca já trata
por "governo paralelo" aquele que é comandado por
Rosinha Garotinho. Outro paralelo possível é a própria
duração da jornada em que cabe perguntar se houve
vitória nesse aspecto.
Ao que vejo, muitos dirão que não.
Seguindo em
frente, aproveitemos o mote e tratemos do emprego "lato sensu".
Falemos de governo.
Ou melhor ainda, fechemos o foco e falemos de programas de governo.
Uma simples
passada de olhos por jornais, revistas ou telas de televisão;
uns míseros minutos ouvidos na programação
de rádios noticiosas; umas poucas rolagens por telas da Internet
e de tudo isso surgirá uma constatação quanto
a políticas governamentais. Os temas que serão percebidos
em todas as mídias acima indicarão que o governo centra
baterias em dois pontos:
-
na modificação da tributação da renda
- Reforma Tributária; e
-
na garantia de renda na aposentadoria. - Reforma Previdenciária.
Uma coisa é certa, aprendemos muito com essa discussão
toda. Eu, ao menos, aprendi que há a figura da "expectativa
de direito". Pesquisando acabei por descobrir tratar-se da
fase que antecede ao direito adquirido. Expectativa de direito está,
portanto, um passo atrás do direito adquirido que é
protegido por garantia constitucional de que não possa ser
ignorado. A expectativa do direito ao contrário não
tem a proteção da garantia constitucional e quem a
detém nada tem de certo e inconteste. Discute-se horas a
fio o que diferencia um de outro e "quem" de nós
tem "o que" dentre estes dois.
Neste caso,
portanto, o governo está tratando do que teremos quando terminarmos
nossa fase como trabalhadores.
Importante?
Bastante, mas não o suficiente. Afinal, para que cheguemos
a nos aposentar precisamos trabalhar.
A segunda discussão
que toma nosso dia-a-dia é a reforma tributária, num
quadro de tributação que hoje atinge a faixa de cerca
de 36% de toda a renda nacional. Novamente aprendemos todos. De
minha parte aprendi que há cascata de impostos, ou seriam
impostos em cascata, e mais, uns impostos diferem de outros por
estes serem cumulativos e aqueles não. Importante? Por certo
que sim, mas não o suficiente. Afinal precisamos produzir
renda, fruto de nosso trabalho, para que possamos oferecê-la
à tributação nas novas e progressistas bases
que por certo resultarão dessa discussão.
Assim, não
resisto a perguntar: Serão mesmo estes os temas certos?
Ou melhor serão
estes suficientes?
O que me parece,
resumindo o pensamento, é que o governo está com forte
holofote na garantia da aposentadoria e na tributação
da renda, mas não há sequer uma simplória lamparina
a iluminar a questão do trabalho.
E vejam que
não me refiro exclusivamente ao emprego. Falo do trabalho
no sentido amplo. Dia desses li entrevista da sra. Marília
Roca, diretora do Instituto Empreender Endeavor, organização
de origem norte-americana que tem por base, como expresso no nome,
o empreendedorismo. Daquela entrevista pinço dois pontos
que me chamaram a atenção e que reproduzo textualmente
para reflexão dos que me lêem:
"As universidades
brasileiras medem o seu sucesso em cima de quantos alunos conseguem
se posicionar em bancos ou indústrias. No Brasil você
é criado para ser empregado, e não empregador."
"Na década de 80, 55% dos empregos eram gerados por
grandes empresas. Hoje, esse número caiu para menos de 35%."
Que tal obtermos políticas de incentivos à implementação
de novos negócios?
Em paralelo,
precisamos reforçar programas como do Sebrae que apóiam
os empreendedores no nascedouro dos negócios de forma a reduzir
em muito a altíssima taxa de mortalidade de nossas empresas.
E a nós, executivos, que papel cabe?
Primeiro é
o de aproveitarmos o tempo que temos, dedicando-o a leituras sobre
negócios, gestão, implantação, maturação
de empreendimentos de forma a que possamos crescer e aprender com
erros alheios, sem ter de cometê-los nós mesmos para
aprendermos o que não fazer. Há muita literatura de
qualidade a ser consumida.
Segundo, quebrarmos barreiras culturais internas que ofuscam, ou
ao menos empalidecem, nossa capacidade empreendedora.
Assim, lembro
que todos nós, governo e executivos, temos ainda muito por
fazer. Proponho, presunçosamente, que paremos por aqui e
vamos tratar de pôr em prática aquilo com que concordemos
do que escrevi acima.
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