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O estágio no Brasil
A sugestão
do tema deste artigo veio de uma leitora do site Aprendiz, Priscila,
que assim escreveu:
“Gostaria
de ler uma matéria sobre os estágios no Brasil e o
quanto isso facilita o estudante na continuação de
seus estudos”
Interessante
que ao mesmo tempo o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola)
divulga pesquisa, que sob seu patrocínio o instituto InterScience
realizou entrevistando jovens com o título “O valor
do estágio”.
Vou então
balizar meus comentários a partir de experiências e
convicções pessoais associadas às conclusões
daquela pesquisa.
Iniciemos pela questão primeira apresentada aos pesquisados:
O estágio está valendo a pena?
99% afirmam
que sim. Eu até gostaria de entender a posição
daqueles que representam 1% e cravaram negativamente sua resposta.
É possível que descubramos alguma deficiência
na forma das questões ou tabulação das respostas.
Ou não, como comentarei mais à frente.
Essa maciça manifestação de aprovação
pode parecer banal, normal e natural. Porém, a meu juízo,
passa a ser muito preocupante na medida em que cresça nas
empresas a percepção das vantagens da contratação
de aprendizes e estagiários. E, mais ainda, vejam que já
há um ganho de consciência pela sociedade e empresas.
Olhemos para os exemplos do “Conexão Aprendiz”
(www.conexaoaprendiz.org.br) e do “Instituto Via de Acesso”
só para citar dois aos quais emprestei alguma forma de apoio.
A preocupação
a que me referia surge na medida em que ganha responsabilidade imensa
o orientador e de forma muito especial o professor. Apresentação
de aulas calcadas em teoria dissociada da realidade corporativa
será um pecado imperdoável e que irá provocar
questionamentos e máculas nas instituições
de ensino. Posso dar meu testemunho, como eterno estudante, que
já vivi muitas vezes essa triste experiência.
Retomo o tema
daquele 1% de entrevistados que desaprovam o estágio. Seria
essa uma evidente mostra do início dessa insatisfação?
Outro dado interessante a ser trazido à reflexão é
a participação do Estado provendo apenas 20% das vagas
de estágio. Claro, não sou dos que pensam que ao governo
cabe a responsabilidade por tudo. Mas, essa omissão é
para ser revista. E não só pelo executivo. Nossas
casas legislativas - nos três níveis - poderiam suprir
suas necessidades com estes jovens ao invés do nepotismo
direto, ou por vezes cruzado, que a imprensa notícia a enfastiar.
Uma questão
absolutamente prática salta do resultado da pesquisa. Questionados
a respeito da influência que o estágio teve na melhora
de aspectos como vestir, falar, escrever e na sensação
de segurança, acima de 40% responderam que perceberam uma
melhora muito importante.
E nesse mote
encerro este artigo originado pela provocação da Priscila.
A participação em um estágio é um momento
de extrema riqueza. Advirão daí inúmeras experiências
que farão parte da bagagem de cada um. Experiências
por vezes extremamente negativas, cabe ressaltar. Vivência
com gestores de baixa qualidade profissional e que servirão
até mesmo como exemplo para não ser seguido. Sejamos
conscientes da realidade que nos cerca. Há ainda quem veja
no estagiário o office-boy de luxo. Mas o caminhar desse
processo irá modificando esse estado de coisas e depurando
essa relação.
Mais ainda,
o ganho com o estágio não advém só do
conhecimento prático daquilo que apenas víamos nos
bancos das faculdades/escolas e que devemos perseguir. Valorizem,
caros leitores, que se enquadrem nestas categorias de estagiário
e aprendiz a participação no dia-a-dia corporativo.
O ambiente da empresa é riquíssimo e certamente será
diferencial na vida daqueles que souberem absorver os exemplos e
experiências que vivenciarão.
Quanto mais
escrevo sobre este tema, mais sinto nos ombros o peso da responsabilidade
que temos como disseminadores de conhecimento. Caros mestres, orientadores,
professores, lembremos de S. Francisco de Assis, que além
dos animais olhava também pelos homens. Ele passou a vida
dizendo algo como: “A messe é grande e ainda não
fiz nada. Mas ainda vou fazer muito, a começar de agora.”
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