Cravos e Ferraduras

O Brasil irá muito bem em 2005!!!!!

Haverá o sustentado crescimento há tanto esperado por nós.

A fala de inicio de ano de nosso presidente caminhou por esse tom.

Se tomarmos manchetes de jornais impressos, televisivos ou radiofônicos dos primeiros dias de 2005 poderemos sintetizá-las com:

“País tem maior saldo comercial da história”.

Nosso ministro Furlan já antecipa que deveremos fechar o ano com um crescimento de 11% nas exportações.

Mar de almirante .......ou céu de brigadeiro (ou seria o contrário? Afinal fui liberado do serviço militar por “excesso de contingente” e essas patentes sempre me confundem) é o que nos espera na versão oficial de nossas autoridades.

Empresas a plena carga com empregos, ou postos de trabalho não necessariamente ocupados por empregados ditos CLT, em crescimento.

Este seria então um belo mote para o primeiro artigo de 2005 neste espaço que é reservado a analisar o mercado de trabalho.

Nossos executivos estarão com carreira garantida pelos novos postos no mercado crescente. Todos os nossos estagiários poderiam, enfim, escolher empresas ao invés de uns poucos serem escolhidos por elas.
Mas será isso mesmo?

Lembram da antiga figura da Velhinha de Taubaté que em tudo cria?

Estou me sentindo assim....e não estou gostando.
Então paro de escrever e reflito melhor. E refletindo lembro que ainda ontem revia uma entrevista do Paulo Autran realizada há 14 anos, quando ele então completava 40 anos de carreira, e nos dizia do prazer de envelhecer.

Com a ironia que a inconteste inteligência lhe possibilita ele afirmava:

“Quando dizem nossa ‘como ele está jovem’ me sinto como abobado e deslocado. Gosto muito de envelhecer e quero envelhecer ainda muito mais. Pois a opção a este é morrer”.

Assim tendo o endosso do ilustre ator eu diria que envelhecer tem vantagens sim. Mas no meu caso me faz menos tolerante com certos desvios, propositados, de análise.

Viremos a página de nosso jornal -- ou mudemos de canal ou de emissora de rádio -- e veremos que ao atender, parcialmente é bom ressaltar, a antigo anseio de correção da tabela de Imposto de Renda o governo fez passar uma alteração que eleva a Contribuição Social sobre o Lucro –CSL- de empresas Prestadoras de Serviços em 25%. Lembrando que este tipo de empresa emprega imensa leva de pessoas além de ser uma alternativa comumente usada para evitar o custo do vínculo empregatício, retomo o título: Uma no cravo... outra na ferradura.

Passo seguinte pergunto: nossas importações não foram afetadas pela baixa de nossa economia? Foram.

Então estamos comemorando o saldo da balança comercial que em parte foi criado pela nossa recessiva economia? O que comemoramos então?

E não foi ontem mesmo que nosso setor energético deu mostras de exaustão com o apagão no Rio de Janeiro e Espírito Santo antes mesmo de retomarmos nossa produção?

De duas uma, ou estou enganado ou estão me enganado.
Pensando nisso fui remexer arquivos e achei o artigo escrito por mim nessa mesma época do ano e de lá pincei:

A economia brasileira assim como o país Brasil nunca estiveram tão próximos de um salto definitivo que o inclua no rol de países política e economicamente estáveis. Por mais radicais que sejam as aversões que se possa ter do atual ciclo de governo há que lhe reconhecer este mérito.

Plenamente cabível de ser reafirmado hoje.
Em tempo escrevi este em Janeiro de 2001.

Lá se foram 3 anos.....mas não se preocupem nem sejam pessimistas:

O Brasil é o país do futuro. Assim como diziam meus avós e....direi a meus netos?

   
BIOGRAFIA
Ari Marques é consultor em gestão empresarial e ombudsman da Right Saad-Fellipelli Outplacement.
Sugira o próximo assunto a ser comentado por Ari Marques.
Estão mesmo havendo mudanças?
O estágio no Brasil
O APRENDIZ é diferente
Onde estão os prometidos 10 milhões de empregos?
Eternamente Jovem
Ari Marques dá recado aos aprendizes
Responsabilidade, temos?
O chefe tem sempre a última palavra
Devaneios econômicos
O melhor segundo semestre da vida de todos nós
É direta a relação entre taxa de Juros e mercado de trabalho?
Ninguém discute o trabalho?
Falando sobre equipes
Lá como cá, problemas há
Por que alguns insistem em não aproveitar?
O recurso que não se "comoditizou"
E lá se foi 2002
A complementação de estudos de executivos
Reestruturação
As entrevistas de seleção, uma nova visão
A retomada do pleno emprego
A globalização da fraude
O emprego tal qual conhecíamos
O Quarto Setor e o Executivo
Mudou o perfil ideal de profissional. Mudou?
O que dizem, realmente, as estatísticas?
Refletindo melhor
 Brasil, sua economia e o processo de "mulherização" do mercado
Mais uma febre que se foi?
Empregabilidade e evolução
E aonde isso nos pega?
Pós-graduação, em que momento fazê-la?
A hora de trocar de emprego